terça-feira, 22 de julho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 17


Meu coração pulou. Eu agradeci a Coca Cola com um sorriso forçado. Não queria pensar no que havia visto e nem no que aquilo significava. Joe devia ter cometido um erro, talvez ele se lembrasse do relógio de Olivia em outro lugar, não no momento de seu assassinato.
Tinha que haver alguma explicação. Eu apenas não queria acreditar naquilo, então eu fiquei lá sorrindo para ela e bebendo minha Coca até que acabasse.
— Há quanto tempo você é professora? — perguntei.
— Eu tenho 29, leciono desde os 21.
— Você gosta dessa profissão? —  O que você está fazendo, Demi?
— Gosto. Quando vejo uma nota alta em uma prova ou trabalho eu me sinto realizada. O aluno sabe aquilo por minha causa, e isso é uma ótima sensação — falou ela enquanto caminhava pelo quarto. Por fim ela descansou e se sentou em sua cama, ficou de frente para mim. Como uma pessoa tão doce como ela poderia ser algo tão horrível? Eu não conseguia acreditar.
— Você é uma ótima professora, minha favorita.
— Obrigada, Demi, e você é uma ótima aluna — ela sorrindo.
— Então, depois de todo esse caminho que você correu, não entendo como uma pessoa gentil como você poderia ser uma assassina. Ou melhor, uma serial killer — dei um gole em minha Coca e sussurrei: — Inacreditável.
Eu esperava que ela começasse a rir ou me olhasse como eu estivesse maluca. Ou até mesmo eu esperaria por ela em cima de mim para me matar. Mas tudo que ela fez foi dizer:
— Eu sabia que você iria descobrir — disse, fechando os olhos e bufando. Ela não era nem um pouco ameaçadora, na verdade nem o tom de sua voz mudou. Estava gentil adorável como sempre. — Quando você me viu naquele dia, eu soube que era uma questão de tempo.
— Ótima fantasia, afinal — disse eu, em relação à roupa preta. — Nem imaginava que fosse uma mulher — eu não sei por que eu estava tão calma, conversar assim normalmente com uma assassina não era normal.
Mas eu tinha a sensação de que ela não me machucaria. De que ela NUNCA me machucaria. Acho que ela descobriu o que eu estava pensando.
— Eu não vou machucá-la — é, por algum motivo ela só atava rapazes.
— Por quê? Por que você os matou? — não me segurei e tive que perguntar, aliás, eu queria e necessitava de algumas resposta.
— Eles mereceram. Garotos que abusam de mulheres não devem viver— respondeu ela cruamente. Eu me arrepiei toda e não foi simplesmente pela maneira que ela disse o que disse, mas pela resposta também. Joe havia abusado de alguma pobre garota? Ele não poderia... ele nunca faria mal a ninguém. Olivia se levantou e cruzou os braços. —
Exceto talvez aquele garoto, o Joe. Ele foi apenas um erro, não deveria ter acontecido — ela confessou quase envergonhada, o que me deu nojo.
A partir daquele momento eu comecei a sentir nojo daquela pessoa que eu pensei que amasse.
— Esclareça isso, por favor — pedi com os dentes cerrados.
— Eu pensei que Brian estava sozinho no quarto. Eu não sabia que Joe estava lá. Quando me dei conta, era Joe quem estava adormecido em meus braços, e não Brian.
— Então por que você o matou se viu que tinha cometido um erro?
— Porque eu tinha certeza absoluta de que ele viu que era eu antes de fechar os olhos. Não podia correr o risco de ele contar para a polícia quando acordasse. Tive que mata-lo e eu sinto muito por isso.
Eu fiquei a olhando para Olivia e sentindo pena por existir alguém tão miserável no mundo. Como eu pude confiar nessa pessoa? Como eu deixei ela me confortar em momentos de tristeza mais de uma vez, se ela mesma era a culpada? Como eu não vi isso antes? Como ninguém viu isso antes?
— E o que Brian fez de tão terrível por merecer esse destino? — perguntei com desdém e isso a deixou zangada.
— Aquele parasita estuprou a minha irmã casula. Apenas 16 anos e ele a violou — respondeu Olivia quase aos gritos.
— E quanto ao Gabriel?
— Ele estava se gabando com os amigos quando chegou de férias.
Disse que deu um trato total em uma garota que ele odiava.
— Como você sabe se era verdade? Poderia ser uma brincadeira.
— Era verdade porque eu pesquisei na internet as notícias onde seus pais moravam. Nancy Cassidy, 14 anos, estuprada e quase surrada até a morte. Gabriel foi embora depois do ato e Nancy não pôde contar à polícia porque estava em coma — Deus! E eu pensando que Gabriel era uma pessoa decente e adorável. Eu estava julgando mal o caráter das pessoas ultimamente. — Todos os garotos mereceram morrer.
Meu coração começou a bater tão rapidamente que eu pensei que ele fosse fugir. Tudo o que eu conhecia de Olivia desapareceu, até mesmo o sentimento de que ela não poderia me machucar. Ela era tão fria, comecei a odiá-la.
— Você não tinha o direito de fazer a justiça com as próprias mãos. Isso é errado. Pensei que uma pessoa inteligente como você saberia disso.
Que cena hilariante. Uma aluna passando um sermão em uma professora. Virei as costas e fui até a porta, virei a maçaneta e estava trancada.
— Procurando isso? — ouvi sua voz atrás de mim e um tilintar de chaves.
Virei para encará-la e ela balançava o molho de chaves de um lado para o outro com um sorriso no rosto. Joe a havia visto em ação e morreu por isso. Eu iria morrer como ele, morrer por saber a verdade.
Não, eu não iria morrer. Eu não iria deixar isso acontecer, eu tinha que chamar a polícia e revelar a verdade para Lewis.
— Deixe-me sair. Eu prometo que não irei dizer nada a ninguém sobre isso — tentei usar a minha habilidade de mentir. Mas não funcionou, pela primeira vez não funcionou. Olivia apenas riu.
— Não seja tão ingênua, Demi. Eu te conheço.
— Você não sabe nada sobre mim — disse com uma cara de nojo.
Ela caminhou ligeiramente até mim e me deu um soco tão forte que eu quase caí no chão. Meu lábio superior começou a sangrar.
— Eu sei muito mais que você imagina. Como, por exemplo… que você não tem superpoderes como a maioria das pessoas daqui gosta de pensar. Não, a pessoa por trás disso é Joe, não é? Seu precioso Joe, o namorado que você nunca teve.
— Como vo...
— Eu instalei um microfone no seu quarto. Sei tudo o que você e seus amigos disseram desde quando você me viu com Aaron.
— Ele mudou, ele...
— Me poupe. Eles nunca mudam, Demi. Aaron abusou muitas garotas antes de você aparecer. E é por isso que eu tenho que matá-lo na próxima vez que ele aparecer por aqui.
— Você vai estar presa até lá — disse com firmeza.
— Aí é que você está errada. Eu gosto de você, Demi... — começou ela passando a mão em meu rosto e depois o segurando com ambas as mãos. Ela me encarou a centímetros de mim, eu pensei que ela fosse me beijar quando ela foi se aproximando mais e mais, mas ela foi até meu ouvido e sussurrou — ... mas você tem que morrer — e me deu um beijo no rosto.
É óbvio que depois do que ela me disse eu não fiquei parada. Depois do beijo que ela me deu, Olivia virou as costas e eu a empurrei. Ela caiu no chão e a chave foi parar em baixo na cama inutilizada. Eu dei um chute muito forte em seu estômago para impedi-la de se levantar e fui rapidamente para o chão para tentar pegar a chave. Estendi minha mão para debaixo da cama, mas estava muito longe. Quando tentei ir mais para o fundo senti uma dor alucinante nas costelas, Olivia havia me chutado. Eu gritei de dor e ela me fez levantar.
Eu tentei socá-la, mas ela se defendeu. Tentei novamente, ela me bloqueou e me socou pela segunda vez. Para uma professorinha ela sabia muito bem lutar. Eu não era páreo para Olivia e ela sabia disso. Eu já estava me sentindo derrotada, mas quando ela tirou uma faca muito maior que as normais de cozinhas de dentro de uma de suas gavetas eu entrei em pânico. Queria gritar e pedir socorro, mas não iria funcionar de qualquer maneira. A porta estava trancada e, antes mesmo que eu conseguisse dar um grito qualquer, ela poderia cortar minha garganta com aquela lâmina.
Ela me chutou e eu caí no chão, tremendo e me sentindo encurralada. Não tinha para onde ir e não tinha ninguém para me ajudar.
Ou melhor, nenhum ser humano, mas um fantasma... isso eu tinha e quando ele atravessou a porta do quarto de Olivia e me viu naquele estado... digamos que seus poderes ficaram instáveis. Se você fosse um fantasma e sua assassina estivesse prestes a matar a pessoa que você ama, o que você faria?
Eu nunca vi Joe daquela maneira. Seus olhos cravaram nos de Olivia quando eu olhei para a porta e ela se virou. Em um momento Joe estava parado em frente à porta, no outro ele estava a centímetros do rosto de Olivia com um olhar amedrontador. A imagem dele estava diferente, ele ficava transparente e depois ficava em seu estado normal.
Tudo, e eu digo absolutamente tudo, começou a levitar no quarto de Olivia, menos eu. Foi como se um tornado estivesse se centrando ali, centenas de folhas voaram pelo quarto, todos os móveis levantaram do chão. O vento estava tão forte que eu não conseguia ficar de olhos abertos por muito tempo.
Vi Olivia a centímetros do chão, procurando pasma para o que pudesse estar causando tudo aquilo. Enquanto isso, Joe ainda olhava para dentro de seus olhos, mesmo ela estando muito acima do chão.
Quando eu pensei que tudo iria parar, Olivia foi arremessada para a parede mais próxima. Ouvi um som forte e ela caiu no chão totalmente inconsciente. E foi quando tudo voltou ao normal. Os móveis caíram no chão com um estrondo, o vento parou e as coisas voando desceram.
Apesar de Olivia estar inconsciente Joe ainda a olhava com uma fúria inacabável. Levantei-me e fui ao seu encontro.
— Eu vi o rosto dela. Eu vi o rosto dela quando estava te esperando no seu quarto — murmurou ele sem tirar os olhos de Olivia. — Quando Vanessa acordou e disse em voz alta o que possivelmente você estaria fazendo com Olivia eu vi o momento final da minha vida. E era ela. Desculpe-me por não ter chegado antes — sussurrou ele com tristeza.
— Ei, estou bem — afirmei segurando seu rosto com minhas mãos.
Ele me olhou surpreso por tocá-lo em um momento que ele tanto precisava. Ele chorou pela primeira vez.
— Ela machucou você — ele sussurrou enquanto passava a mão em meu rosto. Eu murmurei que estava bem novamente e ele me apertou contra seu corpo. — Temos que ligar para a polícia — ele lembrou-me.
Saí de seus braços e fui à procura do celular dela. Encontrei-o dentro de sua bolsa Gucci. Liguei para Lewis e contei o que aconteceu.
Disse que Olivia era a assassina e que ela havia tentado me matar. Ele soou tão surpreso quanto eu. Contei onde eu estava e disse para se apressar. Como não sou estúpida, contei a ele já no telefone quem eles deveriam procurar. Olivia podia estar inconsciente, mas quem poderia garantir que ela não acordasse e terminasse o serviço de me matar?
Enquanto pegava a chave debaixo da cama, Joe estava agachado no chão e não tirava os olhos da mulher que lhe tirara a vida. Destranquei a porta e a deixei entreaberta. Esperamos pacientemente por Lewis, eu e Joe trocando olhares. Fui até ele em um momento e pedi que se levantasse Certifiquei-me de que podia tocá-lo antes de beijá-lo, e eu podia. Passei levemente minha mão em seu rosto e encarei aqueles olhos claros brilhantes. Quando fui beijá-lo ele me empurrou fortemente e eu caí no chão.
Olivia havia acordado e se atirava em minha direção. Fui para trás enquanto ela avançava. Ela conseguiu me cortar com a faca no braço direito, e eu gritei de dor. Quando ela levantou a mão para tentar me cortar novamente ouvi dois tiros. Sentei-me no chão, apertei meu braço que doía sem parar e olhei para o corpo de Olivia que jazia no chão sangrando, morta.
— Você está bem, querida? — perguntou Lewis enquanto me ajudava a levantar.
— Melhor impossível.
Quando olhei para a porta, outros tantos policiais entraram no quarto e um paramédico foi até mim. Teria que ir para o hospital para receber pontos, o corte foi profundo. Joe agora me olhava aliviado e sorriu quando nossos olhos se encontraram. Eu queria sorrir, mas notei que o hematoma em seu pescoço havia sumido. Com todas as informações que havia lido nos livros de minha avó eu sabia o que aquilo significava: que ele estava pronto para ir embora, ir para a luz, um lugar onde pessoas o esperavam... um lugar sem mim.







XOXO Neia *-*
Ta ai um novo capitulo :)
Quem diria que o serial killer era a Olivia hem?! E o Joe, será que vai sumir de vez??
Bem gente com isto vos tenho a dizer tmb que só faltam 2 capítulos pra terminar a fic :/ tá mesmo no fim.
Queria vos pedir opiniões pra proxima fic....deixem nos comentários sff!!
Comentem pra o próximo.
Kisses love u guys <3

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 16


Outro garoto foi assassinado pelo serial killer do campus. O nome dele? Ninguém menos que Brian Gobdy, ex-amigo de Joe. Ele foi encontrado ontem à noite, mas somente hoje pela manhã os rumores entraram em ação e chegaram aos meus ouvidos. A polícia não saía mais da Universidade de Stanford e a partir daquele momento as aulas foram canceladas. As pessoas que gostariam de permanecer nos alojamentos da faculdade teriam que cumprir o toque de recolher e muitas outras medidas de segurança seriam tomadas. Todo mundo se olhava com suspeitas, ninguém mais falava um com outro, o clima se tornou mais tenso do que antes estava. Parecíamos uma cambada de zumbis.
Minha mãe foi até meu alojamento e me mandou ar rumar minhas coisas porque iria me levar para casa. Eu gritei e disse que não. Sentei na cama irritada com braços cruzados e fiquei encarando o chão, esperando talvez que ela virasse as costas e fosse embora. Mas não foi assim tão fácil.
Eu disse não, não, não, não e ameacei ligar para o papai, porque ele entenderia e faria a minha vontade. Ela pela primeira vez em muito tempo ficou brava comigo. Eu me senti mal por falar aquilo, mas eu não iria deixar Vanessa absolutamente sozinha em nosso quarto. E, além disso, eu tinha que ajudar Joe, e eu tinha que pensar em meu trabalho. Não podia deixar Troy sozinho com os defuntos, tinha que ajudá-lo, agora mais que nunca.
Minha mãe somente me deixou ficar por que:
1) Eu disse que não sairia dali. Ela poderia esperar para sempre, mas eu não sairia dali;
2) Disse que não sairia do quarto, e quando saísse para as refeições, Vanessa e Ster iriam comigo;
Mas a opção que a deixou mais tranquila foi a última:
3) O serial killer do campus só mata garotos.
Ela cedeu. Saiu bufando do meu quarto, resmungando coisas que eu não consegui entender. Ainda bem que Joe não estava presente quando eu e minha mãe discutíamos, porque eu sabia que ele ficaria do lado dela. É claro que ele precisava da minha ajuda para encontrar o assassino, mas isso não estava na questão daquele momento. Ele me queria segura. “Eu não quero que nada aconteça com você, eu posso esperar” — palavras dele. Eu tinha que ficar, ainda mais agora que Joe estava começando a se lembrar de tudo, quase todas as memórias de sua vida.
Nós apenas estávamos esperando a memória certa para sabermos quem era o assassino e para colocá-lo atrás das grades.
— Eu não acredito que você não foi com sua mãe — Joe disse quase aos gritos. Vanessa lia um livro quando a nossa discussão começou, ou pelo menos ela fingia que lia.
— Eu tenho que ficar aqui. Muitas pessoas precisam de mim — retruquei irritada.
— Vanessa e Ster podem muito bem se virar sem você e Troy pode contratar outra pessoa para ficar no seu lugar.
Eu não podia acreditar que ele estava falando aquelas coisas para mim. Não sei por que ele estava tão obcecado pela minha segurança, o serial killer só ia atrás de garotos. Eu não estava sofrendo nenhuma ameaça.
— Não me importo com o que você pensa, vou ficar aqui e ponto final — cruzei os braços e desviei os olhos dele.
— Ótimo, mas quando você aparecer morta em algum lugar não venha colocar a culpa em mim — resmungou ele ainda muito irritado.
— É, talvez seja isso mesmo que eu queira — sussurrei muito baixo, mas ele ouviu.
— NÃO DIGA ISSO! - ele gritou. — Não acredito que você possa pensar em uma coisa dessas — eu continuava sem encará-lo, mas conseguia sentir sua fúria. — Acho que não devemos nos ver por algum tempo — disse ele afinal.
— Você não pode fazer isso, você sabe como eu fiquei na última vez.
— Isso vai ser para o seu próprio bem, você vai me agradecer um dia.
— Não se atreva — eu disse entredentes
— Adeus, Demi — ele começou a desaparecer aos poucos, quase como para me provocar. Então eu gritei:
— EU TE ODEIO! — e peguei um livro e atirei contra ele, mas o livro o atravessou
Quando finalmente ele desapareceu, eu me joguei na cama e comecei a chorar, e Vanessa correu até mim e me abraçou. Ela não escutou a briga toda entre mim e Joe, mas ela sabia o que estava acontecendo, portanto apenas me abraçou e não disse nada. Agradeci pela milésima vez por ter Vanessa em minha vida e amaldiçoei o dia em que Joe apareceu em minha vida.
Os dias passavam devagar. Sem ter muito o que fazer, Vanessa, Ster e eu passávamos a maior parte do tempo no alojamento montando quebra- cabeças ou nos entretendo com jogos de tabuleiro. Não era tão ruim assim, podíamos nos divertir. Ainda mais quando Ster conseguiu uma televisão e um aparelho de DVD para o nosso quarto. Assistíamos a filmes até tarde da noite e comíamos pipoca. Ster dormia no chão com o colchão que ele havia trazido. Não era permitido garotos no alojamento, mas os tempos eram difíceis e queríamos Ster seguro.
Aaron não se juntou a nós porque ele não tinha voltado mais para a faculdade depois do ataque que sofrera, nem mesmo para visitar Vanessa.
Eles ainda estavam namorando, mas não se viam tanto quanto antes.
Quando voltava para o quarto, encontrei Olivia cheia de papéis e toda enrolada. Ela parecia nervosa e os deixou cair no chão. Corri até ela e ajudei a juntar todas as provas e trabalhos que pareciam livros de tão grossos.
— Ah, obrigada, querida.
— Você está bem? — perguntei.
— Estou só... sabe... um pouco agitada, eu acho, como todo mundo.
— Eu assenti e lhe entreguei todos os papéis que consegui pegar antes que ela.
— Você não devia estar em casa? — perguntei. Achei estranho ela estar caminhando pelo alojamento. Ainda mais porque as aulas haviam sido canceladas.
— Oh, não, alguns professores se ofereceram para ajudar a cuidar do campus, principalmente à noite, então o diretor me ofereceu um quarto aqui, já que eu moro muito longe.
— Gentil da sua parte.
— Não gosto da ideia de ter um assassino por aqui, mas tenho que ajudar — e dizendo isso ela deu um sorrisinho. Ela parecia muito assustada, mas ainda assim estava disposta a ajudar os alunos.
— Porque toda essa carga pesada? — perguntei sorrindo e olhando para a pilha de provas e trabalhos.
— Como tenho algum tempo livre fui até minha sala e peguei os trabalhos que precisam ser corrigidos e as provas que precisam ser corrigidas — respondeu ela, sem muito entusiasmo.
— Você quer ajuda? — ofereci e ela franziu a testa. — Eu também tenho muito tempo livre agora, então, sabe, posso ajudar um pouco.
— É sério? Ah, eu iria adorar, Demi. — acho que nunca a vi sorrir tão abertamente antes. Ela parecia aliviada, quem dera se todos os professores fossem tão dedicados e legais como ela.
— Claro.
— Pode me encontrar em meu quarto dentro de dez minutos?
Tenho que fazer algo antes, mas depois estou livre.
Eu assenti.
— Ótimo. É no quarto andar, numero 62.
— Tudo bem, encontro você lá.
Segui para meu próprio quarto e encontrei Vanessa adormecida.
Esparramada, como se não dormisse há dias, e ainda eram quatro horas da tarde. Eu sorri e escrevi em um bilhete que estaria com Olivia. Voltaria mais tarde depois de meu turno no necrotério e então poderíamos assistir a algum filme. Quando estava quase chegando para abrir a porta, Joe se materializou em minha frente. Soltei um gritinho, mas não acordei Vanessa.
— O que está fazendo aqui? Disse que não iria mais me ver — eu soei séria até demais.
— Lembrei de algo importante do meu ataque.
— Fale rápido, tenho que ir.
— Ir aonde? Você disse que não sairia sem seus amigos — resmungou ele. Eu ameacei ir sem deixá-lo falar e ele mudou assunto. — Eu não cheguei a ver o rosto da pessoa que me matou, mas eu vi um relógio. Sei que já o vi antes, mas não estou lembrando a quem pertence — ele me contou. Eu apenas o encarei.
— Um relógio... tudo bem. Como ele era?
— Vi de relance antes de o assassino me fazer cheirar clorofórmio. Mas ele era de prata, pequeno e tinha urna pulseira de couro fina que estava um pouco rasgada. Sei que já vi antes. Você se recorda de alguém que tenha um relógio assim?
— Não, não sou dessas pessoas que reparam em coisas pequenas — respondi triste por não saber. Por um momento, esqueci de nossa briga e tudo que dissemos. Ah, como eu queria beijá-lo. Esquece, Demi, você tem que ir se encontrar com Olivia. — Vou ficar atenta, agora tenho uma noção do que procurar, você deve fazer o mesmo — ele assentiu e eu saí para ir encontrar Olivia.
Bati na porta dela e esperei até ela abrir. Olivia me saudou muito sorridente e me deixou entrar. O quarto dela era parecido com o meu e de Vanessa, mas no lugar de minha escrivaninha ela tinha uma mesa grande e redonda onde havia colocado a imensa pilha de papéis. A cama estava feita, enquanto a da esquerda estava sem lençóis. Havia poucas coisas dela ali, nem foto nem nada parecido. Parecia um quarto triste.
— Quer algo para beber antes de começarmos?
— Não, obrigada.
— Então vamos ao trabalho.
Sentamos nas duas cadeiras que nos esperavam e me ofereceu uma caneta azul e outra vermelha. Enquanto ela lia os trabalhos eu iria corrigir as provas de múltiplas escolha. Ela me deu o gabarito e fomos ao trabalho. Percebi que Olivia era muito séria, e isso era algo bom em uma mulher. Eu admirava Olivia por ser tão legal com os alunos principalmente comigo.
Pela primeira vez eu a via de jeans o que pareceu estranho para mim.
Talvez porque ela usava saias até o joelho. Ficamos ali por mais ou menos duas horas. Eu tinha que ficar atenta no horário para no me atrasar para meu turno no necrotério.
— Que horas são? — perguntei.
— Dez minutos para as seis horas. Você tem que ir para o necrotério?
— Sim, Troy não me dá descanso — respondi sorridente.
Ela tirou o casaco curto e leve, e se levantou. Olivia me ofereceu uma Coca Cola antes de ir, ela havia lido meus pensamentos. Foi quando ela estendeu a mão esquerda para pegar a lata que eu o vi. Aquilo que Joe havia me perguntado se eu tinha visto antes, você provavelmente deve se lembrar: um relógio de prata, pequeno e com uma pulseira de couro fina e um pouco rasgada.










XOXO Neia :)
Sorry gente não me matem pff!! Sei que demorei mais que o costume pra postar, mas realmente a minha imaginação não tem andado nos seus melhores dias e queria um capitulo perfeito :)
Bem ta ai, espero que gostem, comentem pro proximo que tmb ja ta quase quase pronto.
Kisses <3

domingo, 29 de junho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 15


Acordei rodeada pelos livros e com um sobre meu estômago. Fiquei um pouco na cama encarando as estrelas no teto e pensando que nunca mais queria ter de levantar da cama. Tudo estava tão confortável, que, apesar de querer retornar para Stanford, não queria me mexer. Fiquei até altas horas com os olhos vidrados nos livros, enquanto Joe ficou sentado no chão assistindo à televisão que eu havia ligado somente para ele. Fiquei surpresa por ouvir meus pais subindo as escadas tarde da noite, e eles foram até meu quarto e minha mãe perguntou o que eu poderia estar lendo àquela hora da noite.
— Deixe a menina ler em paz, amor — ordenou meu pai dando-me uma piscadela quando fechava a porta e me deixava sozinha com Joe.
Deus, como eu estava bem por pelo menos uma pessoa saber o que estava acontecendo comigo. Estava mais que grata por ter alguém como meu pai na vida. Acho que nunca o amei mais, a não ser talvez naquela vez em que ele me presenteou com a fantasia completa da Ariel.
— Descobri algo muito útil — disse para Joe que estava deitado no chão olhando para as estrelas, assim como eu.
— O quê? — resmungou ele.
— Sei por que eu consegui tocar você — fiz uma breve pausa. — E podemos fazer isso novamente.
Ouvi-o respirar fundo e se levantar. O que foi estranho porque ele não podia respirar. Joe sentou-se na ponta de minha cama e me olhou seriamente.
— Você não está brincando? — ele perguntou.
— Por que eu faria isso? Nunca brincaria com uma coisa dessas — sussurrei sem olhar para ele. Mas pude vê-lo sorrir pelo canto do olho.
— Eu não acredito que você conseguiu. Eu realmente achava que nunca mais aquilo iria acontecer — disse ele sorrindo. Sentei na cama e a luz do sol bateu em mim, fechei os olhos para me acostumar com aquela luz forte repentina. Meu cabelo estava todo emaranhado, para todos os lados. Mas quando abri os olhos... Joe me olhava tão... digamos que ele parecia estar hipnotizado. Seus olhos não saíam de mim. De todo o meu corpo. Uma garota simples e quase normal que podia vê-lo.
— Você é tão... tão... tão... linda — murmurou ele com paixão. Eu lhe dei um meio sorriso, minhas bochechas provavelmente estariam mais vermelhas que pimenta. Eu iria dizer alguma coisa, mas ele se levantou e foi se sentar bem em minha frente, a centímetros de mim. — Eu quero que você saiba uma coisa — ele sussurrou. Meu pulso acelerou.
— O quê?
— Naquela noite em que eu adormeci na sua porta — ele começou.
— Sim?
— Eu não parei lá por acaso.
Eu franzi a testa, estava prestes a perguntar o que ele queria dizer com aquilo quando ele disse:
— Eu estava lá por sua causa. Quando esbarrei em você no seu primeiro dia... eu senti algo. Não sei o que era, era algo forte. Por isso eu não te ajudei a juntar suas coisas que haviam caído. Eu apenas segui em frente. E depois... — ele fez uma pequena pausa. — Aquilo não saía mais da minha cabeça, então eu perguntei para algumas pessoas onde era seu quarto e fui até lá. Bati na porta de propósito na esperança que fosse você que abrisse — ele parou. Eu queria ouvir mais.
— Você sentiu mais alguma coisa quando eu apareci? — eu perguntei e ele assentiu. Meu coração batia tão forte, eu sabia que ele poderia ouvi-lo. — Conte-me — pedi. Ele fechou os olhos, seja o que fosse, era difícil para ele me dizer.
— Desde que meus pais morreram tudo que eu sentia em relação às pessoas era tudo menos amor. Quando abri meus olhos eu vi você com uma camiseta do Superman... ele riu. — Foi como se você fosse meu sol. Tudo o que eu sentia perto de você era apenas amor, bondade, tudo aquilo que eu havia trancado dentro de mim por anos.
— Por que você não me disse nada? Pelo contrario, você me tratou mal.
— Eu não queria que aquilo fosse verdade, então eu fiz o que eu sempre fiz com as pessoas. Tratei-a mal.
— E quanto à outra coisa? Por que não me contou?
— Depois daquela noite eu pensei que você não me daria uma segunda chance. Não podia simplesmente lançar pra você um “Ei, você faz meu mundo brilhar, quer ficar comigo?” E depois descobri aquilo tudo com o Brian, e em seguida eu estava morto — seus olhos estavam molhados e tristes. Ouvi-o com toda a minha concentração e eu comecei a me sentir cada vez menor. Por que tudo na vida era tão difícil?
— Eu iria — disse depois de um tempo de puro silêncio.
— Iria o quê?
— Dar uma segunda chance a você. Eu sabia de alguma maneira que a sua rudeza era apenas uma máscara. E que por trás dela havia um homem puro e cheio de amor e sinceridade — eu olhei profundamente em seus olhos. — Eu estava certa — disse seriamente. Ele, no entanto, sorriu.
— Como você faz isso? — ele perguntou enquanto esfregava seus olhos para secar as lágrimas que não haviam caído.
— Isso o quê? — perguntei confusa.
— Me faz feliz mesmo sendo um cara morto.
— Pra mim você nunca esteve tão vivo.
— QUERIDA, CAFÉ DA MANHÃ! — minha mãe gritou do andar de baixo.
Era de tardezinha quando meu pai me levou para o campus. Ele me acompanhou até meu quarto e pôs minha mochila em cima da cama.
Observou bem meu alojamento antes de me dar um beijo na testa.
— Cuide-se princesa — ele murmurou, soando preocupado. Antes de sair e fechar minha porta, disse: — Vou conversar com o policial Lewis para ver como vão as coisas. Talvez, quando pegarem o assassino, Joe deixe você em paz — ele disse e eu sorri falsamente, porque eu NÃO queria que Joe fosse embora. Isso me assustou e eu me senti estúpida.
Eu teria que deixá-lo ir quando fosse a hora certa e não sabia se poderia suportar.
— Então me fala qual é o segredo? — perguntou Joe atrás de mim. Quando me virei ele estava esparramado em minha cama como se fosse dono do lugar.
— Pra começar, pode ir tirando seus pés de minha cama e sente-se como uma pessoa normal — respondi brincalhona.
Fui até meu armário e tirei de lá uma caixa contendo um jogo de quebra-cabeça. Juntei vários cadernos sobre a cama para ter algo plano para montarmos. O resultado final seria a Monalisa.
— Então o segredo é montar um quebra-cabeça?! — disse ele com divertimento.
— Cale a boca — sentei-me em frente ao Joe em posição de índio, somente o jogo nos separava. Eu só posso te tocar quando você está com muita, muita raiva... ou quando você está totalmente relaxado. Não pode TER muitas coisas em sua mente. Ficamos jogando xadrez horas antes do nosso primeiro toque acontecer, a sua mente só tinha uma coisa em mente: o jogo.
— Hum — ele não acreditou assim tão facilmente.
Montamos por algumas horas, pois o quebra-cabeça era enorme e as peças, muito pequenas. Tentei tocá-lo três vezes, mas minha mão o atravessou em todas as tentativas.
— Já está relaxado? — perguntei quase que caindo sono. Ele parecia estar entediado.
— Se você ficar me perguntando isso a cada cinco segundos eu nunca vou relaxar.
— Ei, não use esse tom comigo — pedi, com uma leve irritação.
— Que tom?
— Ah, esquece — resmunguei e bufei. Comecei a segurar a cabeça com a mão direita que estava apoiada na perna. Fui dar um tapinha na testa de Joe, mas minha mão a atravessou. Ele ficou irritado.
— Não faça mais isso — Joe quase gritou. — Isso não está funcionando. Vamos parar.
— Eu digo quando podemos parar — minha voz soou com autoridade.
Quando ele fez cara feia eu me ajoelhei bem em cima de nosso jogo quase completo e comecei a lhe dar vários tapas pelo corpo. Ou a tentar lhe dar tapas, mas minha mão sempre o atravessava.
— Demi, pare — ele pediu. Eu continuei, ele não sentia dor mesmo, então eu podia ficar fazendo aquilo o dia inteiro.
Quando minha mão foi em direção de seu rosto apenas ouvi um “Aí!” e senti minha mão doer. Levei a outra indo para lhe dar um tapa, mas ele me impediu. Ficou ali parado segurando meu pulso enquanto me encarava. Minha respiração era pesada, meu coração batia a mil por hora.
Sem pensar duas vezes sua mão livre foi até minha nuca e ele me puxou até seus lábios. percebendo que os ataques de violência haviam acabado ele soltou meu pulso e sua mão foi para debaixo de minha blusa. Nossas línguas se entrelaçavam enquanto sua mão passeava pela minha barriga e ia subindo. Sua mão tocou em meu seio por cima do sutiã e eu fiquei toda arrepiada. Tentei soltar minha boca da sua para soltar um gemido, mas ele começou a beijar ainda mais apaixonadamente do que antes.
— Você quer? — perguntou ele entre as pausas de nossos beijos.
— Sim. Eu quero você — sussurrei ofegante. Sentei-me sobre ele novamente, como na primeira vez, e tirei sua camiseta. Quando a joguei para o chão, ela simplesmente desapareceu. Se fosse em outra ocasião, eu iria tentar entender o que havia acontecido, mas minha mente estava em outro lugar.
Pela primeira vez, vi seu peito nu e aquilo me fascinou. Ele era tão... perfeito! Totalmente musculoso e havia uma cicatriz reta e branca na horizontal em cima de seu mamilo esquerdo. Enquanto eu tocava seu peito nu, ele beijava meu ombro, meu pescoço... Ele estava prestes a tirar minha camiseta rosa quando...
— Por que toda vez que eu abro a porta eu pego você estatelada em algum lugar? — perguntou Vanessa seriamente quando abriu a porta do nosso quarto compartilhado em Stanford.
— Ah, meu Deus, eu estou sangrando! — quase grite quando vi sangue em minhas mãos. Minha cara foi e direção à beirada direita da cama, meu nariz sangrava sem parar. Vanessa estendeu um montinho de papel higiênico, quando levantei aos tropeços. — Você quer mesmo saber, você quer mesmo saber o porquê dessas minhas maluquices? — perguntei quase parecendo uma bêbada.
— Claro, vá em frente — ordenou Vanessa enquanto parava em frente a sua cama e cruzava os braços. Claro que foi depois que ela jogou a sua mala imensa sobre a própria cama.
— O culpado de tudo isso é o Joe. Pronto, falei. Eu me sinto melhor — disse, fanha por enfiar uma boa porção de papel higiênico em minha narina direita.
— Você só pode estar brincando. Isso é impossível, o carinha tá mortinho da silva Demi — retrucou Vanessa permanecendo no mesmo lugar e com os braços cruzados. Escolhi justo o dia em que ela estava séria de morrer. Seus cabelos ruivos encrespados e os óculos de grau enormes pareciam até ameaçadores.
— Dã! É óbvio que ele está morto. Estou dizendo que o fantasma dele ainda está aqui — disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Como meu pai havia aceitado a história numa boa, eu concluí então que poderia acontecer a mesma coisa com a Vanessa.
— Hum. Você disse fantasma? — perguntou ela descruzando seus braços. Naquele momento ela estava tensa.
— Sim. Fantasma, Vanessa — quando disse isso ela soltou uma longa gargalhada. Eu apenas fiquei olhando para ela com papel enfiado em meu nariz seriamente. Somente quando Joe apareceu e eu comecei a falar com ele na frente dela que Vanessa começou a prestar atenção em mim.
— Por onde você andou, seu frangote? — perguntei irritada. As risadas de Vanessa cessaram e Joe percebeu o que estava havendo.
— Eu não acho que essa seja uma boa ideia — disse ele assustado.
— Tarde demais pra isso, colega.
— Ei, não foi culpa minha, tá legal? Quando eu fico nervoso eu meio que desapareço — retrucou Joe irritado.
— Mas você podia ter avisado antes. Ë a segunda vez que eu me machuco por sua causa — eu disse, fanha, com o dedo indicador apontado para ele. Joe soltou uma risada por causa de minha voz.
— Não se atreva... — falei assustadoramente e ele parou.
— Então ele está aqui? — perguntou Vanessa se aproximando mais de mim.
— Infelizmente sim — murmurei ainda irritada... e fanha. Era para eu estar irritada com Vanessa, era ela afinal que havia pela segunda vez nos interrompido bem no momento que as coisas estavam esquentando...
— Demi, você sabe que eu te amo, mas isso é uma loucura total — sussurrou ela parecendo uma psicóloga nerd.
— Faça alguma coisa — ordenei para Joe. Ele apenas franziu as sobrancelhas e fez uma careta.
— Fazer o quê?
— Pisque as luzes, mova alguma coisa. Qualquer coisa. — Vanessa apenas me olhava com atenção.
— Somente faço essas coisas quando estou muito irritado.
Eu revirei os olhos e disse para a Vanessa:
— Ele só faz isso quando está muito irritado — ela apenas um sorrisinho falso. Eu bufei e me voltei para Joe novamente. — Joe faça qualquer coisa, ela não acredita em mim — pedi.
— Ótimo, eu vou tentar — disse ele por fim.
— Ele vai tentar — eu anunciei sorrindo para Vanessa. —Mas, se você não acreditar em mim, pode perguntar Brian, o assassino, e especialmente para Aaron. Eles viram o que Joe pode fazer. Eles pensam que eu tenho tipo de poder... o que na verdade é legal — sorri mais ainda.
— Bom, Aaron me disse o que aconteceu. Ele ficou apavorado — disse ela pensando no assunto.
— Não estou conseguindo — Joe proclamou entre- dentes.
— Que tipo de fantasma você é? Nossa, não consegue nem mexer um lápis. Deus do céu! — fiz de propósito só para ele ficar irritado. E funcionou. A minha cama e a de Vanessa começaram a tremer, a porta do banheiro se fechou e todos os meus livros voaram pelo quarto. Até eu fiquei impressionada. — Hum, nada mal — murmurei ainda fanha.
Joe apenas encarava o chão. E Vanessa, bom... ela estava com os olhos esbugalhados e olhava para mim. Foi arrepiante.
— Ele está mesmo aqui? — sussurrou ela ainda apavorada.
— Foi o que eu estava tentando te dizer desde o começo. Mas não se preocupe, ele não é do mal. Pelo menos não para você.
— Me desculpe, Demi. Não foi minha intenção te machucar, eu prometo que não vai acontecer outra vez — anunciou ele tristemente. Eu levei um tempo até dizer algo de volta.
— Tudo bem, desde que não aconteça novamente — eu disse, e ele assentiu com a cabeça. Eu finalmente tirei o papel do nariz.
— O que ele está dizendo? — perguntou Vanessa olhando para todos os lados para ver se ela podia ver ele também.
— Ele está pedindo desculpas por ter me machucado.
— Como, exatamente... — ela começou a perguntar, mas eu a interrompi, respondendo o que ela tinha em mente.
— Estávamos nos beijando, ele desapareceu e eu me desequilibrei — se Vanessa não estava tão assustada antes, isso mexeu com ela.
— Você beija um fantasma? Como isso é possível?
— Eu achei esse livro super maneiro da minha avó que também via fantasmas e decidimos tentar o que ele indicava pra ver se funcionava. Já havíamos nos beijado antes, então apenas estávamos tentando que acontecesse de novo.
— Hum. Estou sem palavras — disse ela por fim, totalmente amedrontada. Ela foi caminhando até mim ligeiramente, e sinceramente eu pensei que ela ia me esfaquear com alguma faca invisível, mas tudo o que ela fez foi atirar seus braços em minha volta. — MUITO OBRIGADO PELO PÔSTER! — gritou ela sorrindo e me abraçando apertado. — Foi o melhor presente do ano — continuou ela feliz da vida. Naquele momento era eu quem estava sem palavras.
Quando o abraço se desfez ela me deu um rápido beijo na bochecha (com um grande smack) e correu até sua mala. Tirou de dentro o pôster que eu havia lhe dado e começou a grudá-lo ao lado do pôster do filme O diário da nossa Virei-me para ver Joe e ele também estava sem palavras apenas nos encaramos por um tempo e viramos para Vanessa que guardava seu pôster toda faceira. Enquanto recolhia os livros que Joe havia espalhado por todo o quarto, eu perguntei a Vanessa.
— Então você não se...
— Se eu não me incomodo que você e Jonaszinho ficam se entrosando aqui e ali? Para a sua informação, Demizinha, eu já vi um fantasma uma vez. Eu tive certeza porque eu podia ver através dele, então eu sei com certeza que fantasmas são reais.
— Então porque ficou tão assustada quando falei?
— Porque eu sinceramente pensei que você tinha enlouquecido. Quais as chances de uma pessoa do campus realmente ver o espírito de Joe? Quase zero. Mas não se preocupe, depois do showzinho que ele deu, você para mim parece totalmente sã.
— Nossa, que alívio — não sei se isso saiu da maneira que deveria ter saído. — Por favor, não conte a Aaron, ele já está tão apavorado com tudo que está acontecendo, ele não precisa de outra coisa bizarra em sua vida. E não fale ao Ster também...
— Relaxe, Demizinha, seu segredo está guardado comigo.
— Ah, obrigada, Van — disse enquanto a abraçava. Não sei por que algum dia eu pensei que Vanessa não entenderia.
— Você é a minha melhor amiga. Amo você.
— Amo você — ela disse e eu sorri de felicidade.
— Agora me conte como foi seu Natal — pedi para Vanessa. Sentamos em sua cama e ela começou a me contar os melhores momentos. Pude sentir Joe nos observando, e, quando olhei para ele, seu rosto estava radiante. Ele parecia brilhar, e sorria. Sorri de volta, ele fez um sinal de que voltaria depois e ele foi desaparecendo aos poucos.
— Meus pais adoraram o Aaron. Acho que pela primeira vez eles sentiram orgulho de mim. Não os vi assim tão orgulhosos e felizes com minha escolha, nem quando fui aceita na faculdade. Que decepção, meus pais são um caso perdido. A única coisa que ganhei de Natal foi roupas, então imagine o meu surto quando abri o seu presente. Comecei a gritar e toda a minha família me olhava como se eu fosse uma louca varrida. Mas eu não liguei, fiquei feliz naquele momento por ter ganho algo que eu realmente queria. Graças a você, meu Natal foi salvo — disse ela sorrindo.
— E o seu?
— Foi legal — não quis dizer “maravilhoso” porque não queria que ela se sentisse desafortunada por ter uma família tão desapegada e eu sabia como ela não gostava de reuniões de família. — Meu pai montou a melhor árvore de Natal do planeta, ganhei o iPod de 60 gigas que eu queria de minha mãe, Joe conheceu meus pais e eu contei o segredo sobre o Joe ao meu pai. Foi aí que ele me disse que minha avô Marylin também podia vê-los, mas ela via a todos, eu apenas vejo Joe... por alguma razão.
— Ele aceitou numa boa?
— Com certeza ele aceitou mais facilmente que você — respondi sorrindo. — Ele acha que Joe me assombra.
— Não acredito — ambas soltamos uma gargalhada alta — Eu quis te contar tantas outras vezes, mas...
— Pare. Eu sei que isso deve ser difícil pra você. Eu entendo, então não precisa se desculpar por nada — murmurou ela muito compreensiva.
— Obrigada — agradeci por fim.
— Por quê?
— Por me aguentar por todos esses meses, me aceitar da maneira que eu sou. Não existem muitas pessoas boas como você — confessei com seriedade.
— Fico feliz de ter você como amiga. Você arrasa, Cachinhos.
— Nossa, não ouço essa desde os tempos de escola, ugh — ela sorriu.









XOXO Neia *-*
Chegou um novo capitulo :) disse que não ia demorar gente.
ESTOU EM ÊXTASE!! ELES TOCARAM-SE  OUTRA VEZ!! E A VANESSA INTERROMPEU DE NOVO!!! Kkkk desculpem, fiquei entusiasmada :p 
Então a Vanessa interrompeu (de novo) e a Demi magoou-se (de novo), tadinha né gente....mas eu gosto muito da amizade delas duas, vocês não?? Afinal o "poder" da Demi já vem de familia, quem diria??
Previsões para o próximo cap. gente?? Deixem nos comentários :)

Respondendo ao coment: respondi no poste anterior mas volto a responder (até é melhor) sei sim que vai haver encontro de lovatics em Lisboa mas não vou porque é muito longe para mim e não conheço lá nada e não me iria aventurar sozinha a ir pra lá....tenho mesmo muita pena de não poder ir :(

Prontos gente, fiquem bem e comentem muito para mais 
Kiss <3

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 14


Nos dias que se passaram, antes de minha mãe aparecer para me buscar para passar o feriado com ela, Joe não apareceu para mim. Eu o sentia me vigiando toda vez que eu saia de meu quarto, mas ele nunca se dirigia a palavra para mim, eu nunca conseguia vê-lo. Eu meio que sabia o motivo, porque eu sentia a mesma coisa.
Quando você ama alguém, tudo o que você quer é ficar com essa pessoa. Tocar sua mão, beijar seus lábios, entre- laçar seus dedos, sussurrar no ouvido um do outro e cair na gargalhada no meio do refeitório para todos verem que vocês dois estão felizes juntos. Eram esses os pensamentos que me vinham, me assombrando. E provavelmente estariam assombrando Joe também. Não sabíamos o que havia acontecido naqueles parcos segundos para eu conseguir tocá-lo, senti-lo sobre minha pele. Será que foi a lua? O alinhamento das estrelas? Ou foi somente algo que Joe sentiu ou deixou de sentir? Eu pensava nisso. O que Joe pensava? Eu podia ver em seus olhos qual era a última coisa que ele queria estar fazendo: ficar longe de mim, isso estava me matando. Por que não podemos simplesmente ter o que queremos? Por que tudo tem que ser tão difícil?
Eu estava me sentindo como Lois Lane sem Clark Kent.
Depois que vi o rosto feliz de minha mãe pareceu que tudo voltou para o lugar. Pelo menos naquele momento. Seus olhos castanhos, como os meus, me fizeram sentir segura. Quando olhava para ela eu me sentia em casa. E era para onde eu estava indo, o que me deixou de bom humor. Eu levava minha mochila nas costas com poucas roupas, presentes e os acessórios de que precisaria para passar o feriado. Não vi Joe em lugar nenhum quando eu e minha mãe íamos para o carro. Joguei minha mochila no banco de trás do Audi A4 prateado e me sentei no banco da frente.
Era uma viagem tranquila, de mais ou menos meia hora. Eu observava as árvores com neve, como a luz do sol refletia nelas, deixando tudo em um ótimo clima de Natal. Minha mãe pegou esse tempo de viagem para me fazer perguntas. Eu sinceramente não gostava quando ela fazia esses interrogatórios, me sentia como na sala de Lewis outra vez.
— A polícia tem mais alguma notícia sobre os assassinatos? — perguntou ela.
— Algumas coisinhas, mas eles estão fazendo de tudo pra descobrir, mãe. Lewis é gente boa.
— Hum. E o seu amigo, Aaron, como ele está?
— Bem. Ele ainda está rouco, por causa, você sabe, do estrangulamento.
— Dou graças a Deus por você e aquele garoto estarem bem. Não sei o que seu pai e eu faríamos se alguma coisa acontecesse a você, querida — disse minha mãe tristonha. Será que ela pensaria a mesma coisa se ela soubesse o que Aaron havia feito comigo? Ou quase feito? Mas isso não importava, eu o havia perdoado. Disse isso a ele quando o visitei no hospital, e ele quase chorou de alegria. Ele até me envolveu em seus braços e me abraçou forte, agradeceu por eu ter salvado a sua vida.
— Estou ótima mãe, está tudo bem — levou alguns minutos até ela começar com as perguntas novamente.
— E os estudos? Vão bem?
— Sim. Tiro nota máxima em quase tudo.
— Essa é a minha garota — disse ela sorridente. A minha mãe não era daquelas que dizia — Não fez mais do que sua obrigação. Não, ela ficava mesmo feliz por mim e ainda colocava pendurado na geladeira meus melhores trabalhos. Mas, como agora estou na faculdade e ela não pode ver meus trabalhos e provas, essa fase provavelmente acabou.
— Como está o papai? Quero muito vê-lo — perguntei ansiosa.
Seu pai não aguenta mais esperar. Abriu um sorriso dos grandes quando viu que eu vinha te pegar. Ele iria vir, mas você conhece seu pai. Ele está lá arrumando a arvore de Natal da maneira que você gosta — respondeu ela sorrindo. Eu fiquei mais ansiosa ainda para chegar em casa.
Meu pai, que você possa imaginar. Parece até mágico.
Quando minha mãe e eu chegamos, corri para a varanda. A casa era branca e de dois andares, grande para somente três pessoas, mas gostávamos do espaço. Olhei para trás antes de abrir a porta e notei que Joe estava parado em frente a minha casa. Ele olhava para cima, admirando. Eu sorri e virei a maçaneta, fui recebida pelos latidos de Shelby, o labrador da casa. Beijei seu focinho e em seguida ouvi alguém chamando por mim. De repente me senti a pessoa mais feliz da Terra. Eu estava em casa, com meus pais, e com Joe.
— Onde está minha princesa Ariel? — chamou uma voz doce. Fui até a sala onde meu pai se encontrava, perto da lareira onde estavam penduradas três meias de Natal com nossos nomes. Dianna, Eddie e Demi.
Corri para meu pai com um sorriso largo e o abracei forte. Ele me tirou do chão como se eu ainda fosse uma menininha.
— Senti sua falta — eu disse. Ele beijou minha testa quando o abraço acabou e disse o mesmo para mim. Meu pai era alto, o alto da família. Seu cabelo era castanho como o meu, e o achei diferente e mais jovem por seu cabelo estar comprido até as orelhas. Ele nunca havia deixado seu cabelo crescer antes, mas combinava com ele.
— Ah MEU DEUS! — gritei. — Papai, é a coisa mais linda que vi na vida — disse espantada. Acho que fiquei um longo tempo encarando aquela paisagem linda à minha frente. A árvore de Natal mais bonita que alguém poderia ter feito. A árvore era grande, com quase três metros de altura, e havia luzes coloridas brilhantes em volta dela, enfeites maravilhosos, bolas vermelhas e verdes. Havia um pouco de neve de isopor em alguns galhos e até pequenos Papais Noéis. Encontrei no topo da árvore uma das minhas bonecas de quando era ainda menina, uma Ariel para substituir o anjo tradicional. De repente meus olhos se encheram de lágrimas, esse era com certeza o melhor presente que alguém havia me dado. Quando me virei para elogiar meu pai novamente, Joe estava parado perto da porta da sala, provavelmente estivera ali por todo aquele tempo que eu admirava a árvore. — É simplesmente maravilhoso, papai, é mágico — disse por fim.
— Tudo pela minha princesinha.
Essa é a história. Quando eu era menina, eu me apaixonei pelo desenho da Disney, A pequena sereia. Eu queria ser uma sereia, desejava ser uma sereia. Queria ser ruiva e ser princesa. Tinha provavelmente uma dúzia de bonecas da Ariel e do Linguado, que eu guardo até hoje. Meu pai um dia chegou em casa com uma fantasia da Ariel, com as barbatanas, o bustiê de conchas e uma peruca ruiva. Fato completo. Quando eu as vesti, meu pai começou a me chamar de princesa Ariel. E nunca mais parou. Eu poderia ficar envergonhada por isso, mas a minha infância foi uma época linda e amorosa. Algo que eu gostaria sim de lembrar de vez em quando, e meu pai fazia isso por mim. EIe sabe que eu cresci, que virei mulher, mas isso não o impede de chamar a filha de princesa Ariel. Eu o amava por isso.
Fui para meu quarto e me atirei na cama. Olhei para teto e encarei as estrelas grudadas no teto. Senti um vento vindo de minha janela e olhei para esquerda, encontrando Joe. Não pude deixar de sorrir.
— Você estava certa — ele disse.
— Sobre o quê?
— Seus pais. Você tem sorte em tê-los — ele disse parecendo um pouco tristonho. Lembrei-me que os pais dele haviam morrido e isso me fez estremecer. Pobre Joe.
— Eu sei.
Ele começou a passar os olhos por todo o meu quarto. Minhas paredes eram de um rosa muito claro, minha cama era de casal, havia uma escrivaninha com o computador do lado esquerdo perto da janela, o armário do lado direito perto da porta, muitas prateleiras com livros e bonecas Ariel. Ele sorriu quando as encarou.
— Não acredito que você gostava da Ariel. Pra mim essa é a pior das princesas da Disney — confessou ele sorrindo
— Eí, não fale isso da Ariel.
— Estou brincando — ele levou as mãos para cima como se estivesse se rendendo, e sorriu.
— Ótimo. De quem você gostava quando era criança?
— Superman — ele disse, e eu sorri com a resposta.
— Adoro Superman — ambos sorrimos e ouvi uma batida na porta.
Minha mãe entrou com um pequeno prato com biscoitos de Natal feitos em casa.
— Seu pai os fez. Estão deliciosos. Daqui a pouco desça para contar as novidades para seu pai, ele quer saber de tudo — e ela saiu. Joe a observou com felicidade.
— Eu o apresentaria a ela se pudesse — eu lhe disse enquanto comia o biscoito de chocolate.
— Eu sei — murmurou ele com um tom doce. Depois de muito tempo em silêncio eu soltei algo que ele não esperaria que eu pudesse dize. Isso chocou até a mim:
— Vou descobrir como podemos nos tocar novamente — disse, confiante. Minhas mãos estavam entrelaçadas enquanto eu estava sentada em minha cama. Ele estava perto da janela, e me dirigiu um olhar que parecia ser de decepção. Ele passou sua mão entre seus cabelos e fechou os olhos, tenho certeza que se ele pudesse respirar fundo o teria feito.
— Não, você não vai — ele falou sério.
— Vou sim. Aconteceu uma vez, pode acontecer novamente — ele bufou e se aproximou de mim, sentou-se em minha frente.
— Pode nunca mais acontecer — ele sussurrou. Isso me deixou triste.
— Eu não acredito nisso — anunciei novamente, confiante.
— Eu quero te ver feliz. Você nunca vai ser feliz comigo — murmurou Joe quase como se estivesse envergonhado.
— Eu sou feliz com você — insisti. — Você acha que eu não ficaria trancada em meu quarto por toda eternidade somente para ficar com você? Eu ficaria.
— Eu sei. E é disso que eu tenho medo — ele disse com frustração e levantou-se de minha cama. — Eu não quero que você perca sua vida por minha causa. Quero que você seja uma ótima médica, encontre um marido e crie uma família. Eu quero que você seja feliz.
Meus olhos se encheram de lágrimas e sussurrei com dor.
— Sou feliz com você. Você é meu Clark Kent.
Ele iria me dizer alguma coisa, mas minha mãe gritou do andar de baixo.
— ESTAMOS ESPERANDO VOGÊ, QUERIDA!
— ESTOU INDO — gritei de volta. Passei as costas de minha mão em meus olhos e saí de meu quarto sem olhar para Joe.
Os dias seguintes foram agradáveis. O Natal foi ótimo e Joe estava presente, mas nada do assunto anterior foi mencionado. A maior parte dos presentes que cercavam  a linda árvore de Natal eram para mim. Todos meus parentes se lembravam de mim, ou melhor, meu pai os fazia lembrarem-se de mim. Ganhei um porta-retrato cor-de-rosa com plumas de minha tia Nancy, uma camiseta fashion de meu tio Marcos, o livro Escola de espias, da escritora Ally Carter, dos meus primos, um iPod de 60Gb de minha mãe (quase pirei quando o abri... ok, eu realmente pirei e dei pulinhos de felicidade quando o abri) e, por último, ganhei o box da série que eu amava,  Glee.
O jantar foi delicioso, assim como todo o tempo que passamos juntos. Meu pai e eu seguimos em direção a biblioteca, eu porque queria encontrar um livro para ler na faculdade, e meu pai porque queria encontrar um livro sobre direito.
Nossa biblioteca era razoável, nada muito grande, mas também nada muito pequeno. Eu e minha mãe tínhamos um gosto bem parecido, particularmente em romances. E era o que eu ia procurar, mas acabei encontrando algo muito mais interessante.
— Pai.
— Hum? — resmungou ele enquanto folhava um livro sentado no sofá marrom.
— Por que todos esses livros de fantasmas? — perguntei curiosa.
Havia mais de dez deles. Como conversar com um fantasma, Como ajudar um fantasma, Fantasmas são amigos? E muitos outros. Não sei se já os tinha visto antes, porque na realidade eu nunca havia ido naquela parte antes, parecia ser nova.
Meu pai franziu a testa e demorou um pouco até me responder. Eu apenas o encarava com atenção. Em que será que ele estava pensando tanto?
— Eles eram da sua avó querida, Marylin — respondeu ele seriamente. Eu continuei encarando-o, pedindo mais informações, então assim ele o fez. — Ela acreditava que podia vê-los. Minha mãe sempre queria ajudá-los. Quando ela morreu, eu herdei os livros, pensei que pudessem ser úteis algum dia — terminou. Meus olhos encaravam o chão, como uma criança envergonhada. Então eu não era a única da família que podia vê-los. Eu me sentia melhor, apesar de tudo.
— E você já os viu? — perguntei sem pensar, quase mura murando.
Meu pai largou seu livro que antes folhava em seu lado e começou a me avaliar. Eu por alguma razão não consegui olhar em seus olhos, e ele percebeu.
— O que está errado, princesa? — meu pai me perguntou com um tom triste.
— Nada — resmunguei e cruzei os braços.
— Eu sei quando algo está errado com você — afirmou ele. — Me conte.
Eu revirei os olhos, tentando pensar em uma alternativa para escapar dessa. Mas meu pai me conhecia demais para deixar aquilo passar. Bufei e fiquei encarando as prateleiras cheias de livros velhos e novos. Abri a boca para dizer algo, mas tornei a fechá-la rapidamente. Será que meu pai entenderia se eu dissesse a verdade? Será que ele pensaria em mim como uma aberração? Sua mãe podia vê-los, será que ele aceitava isso nela? Peguei uma cadeira e a postei em frente a ele, sentei-me.
—Eu...
—Você pode vê-los — afirmou. Meus olhos, que antes encaravam seus pés foram até olhos claros de meu pai. Seu tom não foi de reprovação em nenhum sentido. Ele fez uma afirmação sem nenhum tipo de rejeição, e isso me fez sentir mais segura e... aliviada. Meus olhos se encheram de água e balancei a cabeça em um sim.
— Oh, querida — sussurrou ele tristemente. Seu olhar em direção  mim não mudou. Eu era a sua princesinha, não importava o que eu visse. Seu tom foi de tristeza, como se ele não quisesse o fardo em meus ombros. Como se Fosse ele o culpado. Ele estendeu seus braços e eu o abracei com força. Algumas lágrimas caíram, mas não foi de tristeza e nem de infelicidade, muito pelo contrário.
— Não é tão ruim — disse depois do término do abraço. Limpei as lágrimas de meu rosto e sorri.
— Desde quando você consegue vê-los?
— Não muito tempo... quando começou a faculdade — ele pareceu aliviado com minha resposta. Acho que a pessoa que pode ver fantasmas desde nascimento seria uma aberração maior?
— Eles te incomodam? -. perguntou ele curioso.
— Santos é que eles não são — respondi, já gargalhando. Meu pai sorriu e eu gostei daquilo. Mas uma coisa me incomodou. — Eu não vejo todos eles. Apenas um — isso prendeu a atenção dele. — Eu o conhecia. Ele... — respirei fundo antes de continuar. — Ele foi a primeira vítima do serial killer do campus.
Meu pai me olhava com atenção e seriamente. Que será que ele estava pensando?
— Somente ele? Mais ninguém? — E eu disse que não com a cabeça. — Ele é perigoso?
— Não, apenas irritante — resmunguei.
— Qual é, eu não sou tão mal assim.
Digamos que eu dei um pulo da cadeira em que estava e até meu pai se sobressaltou. Isso não foi nada legal. A biblioteca estava tão silenciosa e uma conversa séria e importante estava em andamento e então Joe aparece e quase grita aquilo no meu ouvido.
—Jesus! — eu disse irritada. — Vá embora — mandei, mas ele ficou parado ali. Meu pai me observava com divertimento, ele até sorriu.
— Ele está aqui? — perguntou meu pai com uma excitação. Eu disse que sim e ele continuou. — Espero que você não perturbe muito a minha filha, rapaz. Caso contrário, terei que chutar você, seu fantasma — disse ele com autoridade.
— Ele sabe que eu salvei a sua vida uma vez, não sabe? — Joe perguntou. Eu tive que rir.
— O que ele está dizendo? — quis saber papai.
— Ele quer primeiro se apresentar, O nome dele é Joe. Joe este é meu pai, Eddie — eu os apresentei. Foi uma cena estranha. Joe apenas olhava para ele com as sobrancelhas franzidas e meu pai ficava procurando alguém pela sala.
— Muito bem. Joe então... espero que não faça mal à minha filha — disse meu pai.
— Pelo menos ele aceitou a ideia sobre mim. Já é algo positivo, mas não fale nada sobre as coisas que você está pretendendo fazer comigo. Isso, eu posso garantir, ele não vai aceitar numa boa. Principalmente toda a história de encontrar meu assassino e principalmente a história de nossos beijos. Ele não iria gostar de saber que sua princesinha está beijando um cara mortinho da...
— CALE A BOCA! - gritei para Joe e sorri para meu pai. É, algumas coisas meu pai com certeza não poderia saber. E virei-me para ele: — Me prometa uma coisa pai.
— Claro, querida.
— Não conte a mamãe sobre isso. Se não ela vai ficar louca. Principalmente com todos esses assassinatos acontecendo no campus... ela já está planejando em me manter aqui até o resto do semestre, posso ver em seus olhos.
Demorou um pouco, mas meu pai acabou concordando.
— Ótimo. E quando ela me pegar falando sozinha pode, por favor, falar pra ela que estou ensaiando para alguma apresentação da faculdade? — meu pai sorriu e assentiu. Eu, pela primeira vez em muito tempo, fiquei aliviada. Como se um peso enorme tivesse saído de minhas costas. — Posso pegar esses livros? — perguntei apontando para os livros de fantasmas.
— Claro, assim você pode entender melhor esse rapaz que te persegue.
Joe não gostou disso, apesar de ser verdade. Eu peguei os livros e subi para meu quarto.
— Você não vai encontrar nada aí. Tenho certeza de que é tudo pura bobagem — disse Joe quando espalhei os livros em minha cama.
Sentei e peguei um para começar uma tarde de leitura. Tenho que admitir que aqueles livros eram assustadores. Havia histórias reais de fantasmas que usavam seu “poder” para ferir e assustar outras pessoas. Fiquei feliz por ter somente o fantasma Joe em minha vida. E na realidade tem certas pessoas que até caçam fantasmas para sobreviver. Nossa, isso sim era bizarro.










 XOXO Neia *-*
SORRY SORRY GENTE!!! Desculpem ficar tanto tempo sem postar, não pensei que iria demorar tanto, mas a semana passada e hoje foram os meus exames e eu tive de estudar. Mais uma vez desculpem meus amores :/
Mais um capitulo está postado...e então que acharam?? Será que a Demi irá conseguir encontrar uma maneira de tocar no Joe novamente??? Veremos no proximo capitilo ;)

Respondendo ao coment: bem entrei oficialmente de férias hoje...maratona?? não sei, talvez quando a fic estiver na reta final, que dizem?? agora não irei demorar tanto assim para postar...tudo depende de voces e dos vossos comentários gente

Fiquem bem...comentem, divulguem e sigam pff, faço isto para voces e gostava de ter o vosso apoio 
Kiss <3 <3