segunda-feira, 23 de junho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 14


Nos dias que se passaram, antes de minha mãe aparecer para me buscar para passar o feriado com ela, Joe não apareceu para mim. Eu o sentia me vigiando toda vez que eu saia de meu quarto, mas ele nunca se dirigia a palavra para mim, eu nunca conseguia vê-lo. Eu meio que sabia o motivo, porque eu sentia a mesma coisa.
Quando você ama alguém, tudo o que você quer é ficar com essa pessoa. Tocar sua mão, beijar seus lábios, entre- laçar seus dedos, sussurrar no ouvido um do outro e cair na gargalhada no meio do refeitório para todos verem que vocês dois estão felizes juntos. Eram esses os pensamentos que me vinham, me assombrando. E provavelmente estariam assombrando Joe também. Não sabíamos o que havia acontecido naqueles parcos segundos para eu conseguir tocá-lo, senti-lo sobre minha pele. Será que foi a lua? O alinhamento das estrelas? Ou foi somente algo que Joe sentiu ou deixou de sentir? Eu pensava nisso. O que Joe pensava? Eu podia ver em seus olhos qual era a última coisa que ele queria estar fazendo: ficar longe de mim, isso estava me matando. Por que não podemos simplesmente ter o que queremos? Por que tudo tem que ser tão difícil?
Eu estava me sentindo como Lois Lane sem Clark Kent.
Depois que vi o rosto feliz de minha mãe pareceu que tudo voltou para o lugar. Pelo menos naquele momento. Seus olhos castanhos, como os meus, me fizeram sentir segura. Quando olhava para ela eu me sentia em casa. E era para onde eu estava indo, o que me deixou de bom humor. Eu levava minha mochila nas costas com poucas roupas, presentes e os acessórios de que precisaria para passar o feriado. Não vi Joe em lugar nenhum quando eu e minha mãe íamos para o carro. Joguei minha mochila no banco de trás do Audi A4 prateado e me sentei no banco da frente.
Era uma viagem tranquila, de mais ou menos meia hora. Eu observava as árvores com neve, como a luz do sol refletia nelas, deixando tudo em um ótimo clima de Natal. Minha mãe pegou esse tempo de viagem para me fazer perguntas. Eu sinceramente não gostava quando ela fazia esses interrogatórios, me sentia como na sala de Lewis outra vez.
— A polícia tem mais alguma notícia sobre os assassinatos? — perguntou ela.
— Algumas coisinhas, mas eles estão fazendo de tudo pra descobrir, mãe. Lewis é gente boa.
— Hum. E o seu amigo, Aaron, como ele está?
— Bem. Ele ainda está rouco, por causa, você sabe, do estrangulamento.
— Dou graças a Deus por você e aquele garoto estarem bem. Não sei o que seu pai e eu faríamos se alguma coisa acontecesse a você, querida — disse minha mãe tristonha. Será que ela pensaria a mesma coisa se ela soubesse o que Aaron havia feito comigo? Ou quase feito? Mas isso não importava, eu o havia perdoado. Disse isso a ele quando o visitei no hospital, e ele quase chorou de alegria. Ele até me envolveu em seus braços e me abraçou forte, agradeceu por eu ter salvado a sua vida.
— Estou ótima mãe, está tudo bem — levou alguns minutos até ela começar com as perguntas novamente.
— E os estudos? Vão bem?
— Sim. Tiro nota máxima em quase tudo.
— Essa é a minha garota — disse ela sorridente. A minha mãe não era daquelas que dizia — Não fez mais do que sua obrigação. Não, ela ficava mesmo feliz por mim e ainda colocava pendurado na geladeira meus melhores trabalhos. Mas, como agora estou na faculdade e ela não pode ver meus trabalhos e provas, essa fase provavelmente acabou.
— Como está o papai? Quero muito vê-lo — perguntei ansiosa.
Seu pai não aguenta mais esperar. Abriu um sorriso dos grandes quando viu que eu vinha te pegar. Ele iria vir, mas você conhece seu pai. Ele está lá arrumando a arvore de Natal da maneira que você gosta — respondeu ela sorrindo. Eu fiquei mais ansiosa ainda para chegar em casa.
Meu pai, que você possa imaginar. Parece até mágico.
Quando minha mãe e eu chegamos, corri para a varanda. A casa era branca e de dois andares, grande para somente três pessoas, mas gostávamos do espaço. Olhei para trás antes de abrir a porta e notei que Joe estava parado em frente a minha casa. Ele olhava para cima, admirando. Eu sorri e virei a maçaneta, fui recebida pelos latidos de Shelby, o labrador da casa. Beijei seu focinho e em seguida ouvi alguém chamando por mim. De repente me senti a pessoa mais feliz da Terra. Eu estava em casa, com meus pais, e com Joe.
— Onde está minha princesa Ariel? — chamou uma voz doce. Fui até a sala onde meu pai se encontrava, perto da lareira onde estavam penduradas três meias de Natal com nossos nomes. Dianna, Eddie e Demi.
Corri para meu pai com um sorriso largo e o abracei forte. Ele me tirou do chão como se eu ainda fosse uma menininha.
— Senti sua falta — eu disse. Ele beijou minha testa quando o abraço acabou e disse o mesmo para mim. Meu pai era alto, o alto da família. Seu cabelo era castanho como o meu, e o achei diferente e mais jovem por seu cabelo estar comprido até as orelhas. Ele nunca havia deixado seu cabelo crescer antes, mas combinava com ele.
— Ah MEU DEUS! — gritei. — Papai, é a coisa mais linda que vi na vida — disse espantada. Acho que fiquei um longo tempo encarando aquela paisagem linda à minha frente. A árvore de Natal mais bonita que alguém poderia ter feito. A árvore era grande, com quase três metros de altura, e havia luzes coloridas brilhantes em volta dela, enfeites maravilhosos, bolas vermelhas e verdes. Havia um pouco de neve de isopor em alguns galhos e até pequenos Papais Noéis. Encontrei no topo da árvore uma das minhas bonecas de quando era ainda menina, uma Ariel para substituir o anjo tradicional. De repente meus olhos se encheram de lágrimas, esse era com certeza o melhor presente que alguém havia me dado. Quando me virei para elogiar meu pai novamente, Joe estava parado perto da porta da sala, provavelmente estivera ali por todo aquele tempo que eu admirava a árvore. — É simplesmente maravilhoso, papai, é mágico — disse por fim.
— Tudo pela minha princesinha.
Essa é a história. Quando eu era menina, eu me apaixonei pelo desenho da Disney, A pequena sereia. Eu queria ser uma sereia, desejava ser uma sereia. Queria ser ruiva e ser princesa. Tinha provavelmente uma dúzia de bonecas da Ariel e do Linguado, que eu guardo até hoje. Meu pai um dia chegou em casa com uma fantasia da Ariel, com as barbatanas, o bustiê de conchas e uma peruca ruiva. Fato completo. Quando eu as vesti, meu pai começou a me chamar de princesa Ariel. E nunca mais parou. Eu poderia ficar envergonhada por isso, mas a minha infância foi uma época linda e amorosa. Algo que eu gostaria sim de lembrar de vez em quando, e meu pai fazia isso por mim. EIe sabe que eu cresci, que virei mulher, mas isso não o impede de chamar a filha de princesa Ariel. Eu o amava por isso.
Fui para meu quarto e me atirei na cama. Olhei para teto e encarei as estrelas grudadas no teto. Senti um vento vindo de minha janela e olhei para esquerda, encontrando Joe. Não pude deixar de sorrir.
— Você estava certa — ele disse.
— Sobre o quê?
— Seus pais. Você tem sorte em tê-los — ele disse parecendo um pouco tristonho. Lembrei-me que os pais dele haviam morrido e isso me fez estremecer. Pobre Joe.
— Eu sei.
Ele começou a passar os olhos por todo o meu quarto. Minhas paredes eram de um rosa muito claro, minha cama era de casal, havia uma escrivaninha com o computador do lado esquerdo perto da janela, o armário do lado direito perto da porta, muitas prateleiras com livros e bonecas Ariel. Ele sorriu quando as encarou.
— Não acredito que você gostava da Ariel. Pra mim essa é a pior das princesas da Disney — confessou ele sorrindo
— Eí, não fale isso da Ariel.
— Estou brincando — ele levou as mãos para cima como se estivesse se rendendo, e sorriu.
— Ótimo. De quem você gostava quando era criança?
— Superman — ele disse, e eu sorri com a resposta.
— Adoro Superman — ambos sorrimos e ouvi uma batida na porta.
Minha mãe entrou com um pequeno prato com biscoitos de Natal feitos em casa.
— Seu pai os fez. Estão deliciosos. Daqui a pouco desça para contar as novidades para seu pai, ele quer saber de tudo — e ela saiu. Joe a observou com felicidade.
— Eu o apresentaria a ela se pudesse — eu lhe disse enquanto comia o biscoito de chocolate.
— Eu sei — murmurou ele com um tom doce. Depois de muito tempo em silêncio eu soltei algo que ele não esperaria que eu pudesse dize. Isso chocou até a mim:
— Vou descobrir como podemos nos tocar novamente — disse, confiante. Minhas mãos estavam entrelaçadas enquanto eu estava sentada em minha cama. Ele estava perto da janela, e me dirigiu um olhar que parecia ser de decepção. Ele passou sua mão entre seus cabelos e fechou os olhos, tenho certeza que se ele pudesse respirar fundo o teria feito.
— Não, você não vai — ele falou sério.
— Vou sim. Aconteceu uma vez, pode acontecer novamente — ele bufou e se aproximou de mim, sentou-se em minha frente.
— Pode nunca mais acontecer — ele sussurrou. Isso me deixou triste.
— Eu não acredito nisso — anunciei novamente, confiante.
— Eu quero te ver feliz. Você nunca vai ser feliz comigo — murmurou Joe quase como se estivesse envergonhado.
— Eu sou feliz com você — insisti. — Você acha que eu não ficaria trancada em meu quarto por toda eternidade somente para ficar com você? Eu ficaria.
— Eu sei. E é disso que eu tenho medo — ele disse com frustração e levantou-se de minha cama. — Eu não quero que você perca sua vida por minha causa. Quero que você seja uma ótima médica, encontre um marido e crie uma família. Eu quero que você seja feliz.
Meus olhos se encheram de lágrimas e sussurrei com dor.
— Sou feliz com você. Você é meu Clark Kent.
Ele iria me dizer alguma coisa, mas minha mãe gritou do andar de baixo.
— ESTAMOS ESPERANDO VOGÊ, QUERIDA!
— ESTOU INDO — gritei de volta. Passei as costas de minha mão em meus olhos e saí de meu quarto sem olhar para Joe.
Os dias seguintes foram agradáveis. O Natal foi ótimo e Joe estava presente, mas nada do assunto anterior foi mencionado. A maior parte dos presentes que cercavam  a linda árvore de Natal eram para mim. Todos meus parentes se lembravam de mim, ou melhor, meu pai os fazia lembrarem-se de mim. Ganhei um porta-retrato cor-de-rosa com plumas de minha tia Nancy, uma camiseta fashion de meu tio Marcos, o livro Escola de espias, da escritora Ally Carter, dos meus primos, um iPod de 60Gb de minha mãe (quase pirei quando o abri... ok, eu realmente pirei e dei pulinhos de felicidade quando o abri) e, por último, ganhei o box da série que eu amava,  Glee.
O jantar foi delicioso, assim como todo o tempo que passamos juntos. Meu pai e eu seguimos em direção a biblioteca, eu porque queria encontrar um livro para ler na faculdade, e meu pai porque queria encontrar um livro sobre direito.
Nossa biblioteca era razoável, nada muito grande, mas também nada muito pequeno. Eu e minha mãe tínhamos um gosto bem parecido, particularmente em romances. E era o que eu ia procurar, mas acabei encontrando algo muito mais interessante.
— Pai.
— Hum? — resmungou ele enquanto folhava um livro sentado no sofá marrom.
— Por que todos esses livros de fantasmas? — perguntei curiosa.
Havia mais de dez deles. Como conversar com um fantasma, Como ajudar um fantasma, Fantasmas são amigos? E muitos outros. Não sei se já os tinha visto antes, porque na realidade eu nunca havia ido naquela parte antes, parecia ser nova.
Meu pai franziu a testa e demorou um pouco até me responder. Eu apenas o encarava com atenção. Em que será que ele estava pensando tanto?
— Eles eram da sua avó querida, Marylin — respondeu ele seriamente. Eu continuei encarando-o, pedindo mais informações, então assim ele o fez. — Ela acreditava que podia vê-los. Minha mãe sempre queria ajudá-los. Quando ela morreu, eu herdei os livros, pensei que pudessem ser úteis algum dia — terminou. Meus olhos encaravam o chão, como uma criança envergonhada. Então eu não era a única da família que podia vê-los. Eu me sentia melhor, apesar de tudo.
— E você já os viu? — perguntei sem pensar, quase mura murando.
Meu pai largou seu livro que antes folhava em seu lado e começou a me avaliar. Eu por alguma razão não consegui olhar em seus olhos, e ele percebeu.
— O que está errado, princesa? — meu pai me perguntou com um tom triste.
— Nada — resmunguei e cruzei os braços.
— Eu sei quando algo está errado com você — afirmou ele. — Me conte.
Eu revirei os olhos, tentando pensar em uma alternativa para escapar dessa. Mas meu pai me conhecia demais para deixar aquilo passar. Bufei e fiquei encarando as prateleiras cheias de livros velhos e novos. Abri a boca para dizer algo, mas tornei a fechá-la rapidamente. Será que meu pai entenderia se eu dissesse a verdade? Será que ele pensaria em mim como uma aberração? Sua mãe podia vê-los, será que ele aceitava isso nela? Peguei uma cadeira e a postei em frente a ele, sentei-me.
—Eu...
—Você pode vê-los — afirmou. Meus olhos, que antes encaravam seus pés foram até olhos claros de meu pai. Seu tom não foi de reprovação em nenhum sentido. Ele fez uma afirmação sem nenhum tipo de rejeição, e isso me fez sentir mais segura e... aliviada. Meus olhos se encheram de água e balancei a cabeça em um sim.
— Oh, querida — sussurrou ele tristemente. Seu olhar em direção  mim não mudou. Eu era a sua princesinha, não importava o que eu visse. Seu tom foi de tristeza, como se ele não quisesse o fardo em meus ombros. Como se Fosse ele o culpado. Ele estendeu seus braços e eu o abracei com força. Algumas lágrimas caíram, mas não foi de tristeza e nem de infelicidade, muito pelo contrário.
— Não é tão ruim — disse depois do término do abraço. Limpei as lágrimas de meu rosto e sorri.
— Desde quando você consegue vê-los?
— Não muito tempo... quando começou a faculdade — ele pareceu aliviado com minha resposta. Acho que a pessoa que pode ver fantasmas desde nascimento seria uma aberração maior?
— Eles te incomodam? -. perguntou ele curioso.
— Santos é que eles não são — respondi, já gargalhando. Meu pai sorriu e eu gostei daquilo. Mas uma coisa me incomodou. — Eu não vejo todos eles. Apenas um — isso prendeu a atenção dele. — Eu o conhecia. Ele... — respirei fundo antes de continuar. — Ele foi a primeira vítima do serial killer do campus.
Meu pai me olhava com atenção e seriamente. Que será que ele estava pensando?
— Somente ele? Mais ninguém? — E eu disse que não com a cabeça. — Ele é perigoso?
— Não, apenas irritante — resmunguei.
— Qual é, eu não sou tão mal assim.
Digamos que eu dei um pulo da cadeira em que estava e até meu pai se sobressaltou. Isso não foi nada legal. A biblioteca estava tão silenciosa e uma conversa séria e importante estava em andamento e então Joe aparece e quase grita aquilo no meu ouvido.
—Jesus! — eu disse irritada. — Vá embora — mandei, mas ele ficou parado ali. Meu pai me observava com divertimento, ele até sorriu.
— Ele está aqui? — perguntou meu pai com uma excitação. Eu disse que sim e ele continuou. — Espero que você não perturbe muito a minha filha, rapaz. Caso contrário, terei que chutar você, seu fantasma — disse ele com autoridade.
— Ele sabe que eu salvei a sua vida uma vez, não sabe? — Joe perguntou. Eu tive que rir.
— O que ele está dizendo? — quis saber papai.
— Ele quer primeiro se apresentar, O nome dele é Joe. Joe este é meu pai, Eddie — eu os apresentei. Foi uma cena estranha. Joe apenas olhava para ele com as sobrancelhas franzidas e meu pai ficava procurando alguém pela sala.
— Muito bem. Joe então... espero que não faça mal à minha filha — disse meu pai.
— Pelo menos ele aceitou a ideia sobre mim. Já é algo positivo, mas não fale nada sobre as coisas que você está pretendendo fazer comigo. Isso, eu posso garantir, ele não vai aceitar numa boa. Principalmente toda a história de encontrar meu assassino e principalmente a história de nossos beijos. Ele não iria gostar de saber que sua princesinha está beijando um cara mortinho da...
— CALE A BOCA! - gritei para Joe e sorri para meu pai. É, algumas coisas meu pai com certeza não poderia saber. E virei-me para ele: — Me prometa uma coisa pai.
— Claro, querida.
— Não conte a mamãe sobre isso. Se não ela vai ficar louca. Principalmente com todos esses assassinatos acontecendo no campus... ela já está planejando em me manter aqui até o resto do semestre, posso ver em seus olhos.
Demorou um pouco, mas meu pai acabou concordando.
— Ótimo. E quando ela me pegar falando sozinha pode, por favor, falar pra ela que estou ensaiando para alguma apresentação da faculdade? — meu pai sorriu e assentiu. Eu, pela primeira vez em muito tempo, fiquei aliviada. Como se um peso enorme tivesse saído de minhas costas. — Posso pegar esses livros? — perguntei apontando para os livros de fantasmas.
— Claro, assim você pode entender melhor esse rapaz que te persegue.
Joe não gostou disso, apesar de ser verdade. Eu peguei os livros e subi para meu quarto.
— Você não vai encontrar nada aí. Tenho certeza de que é tudo pura bobagem — disse Joe quando espalhei os livros em minha cama.
Sentei e peguei um para começar uma tarde de leitura. Tenho que admitir que aqueles livros eram assustadores. Havia histórias reais de fantasmas que usavam seu “poder” para ferir e assustar outras pessoas. Fiquei feliz por ter somente o fantasma Joe em minha vida. E na realidade tem certas pessoas que até caçam fantasmas para sobreviver. Nossa, isso sim era bizarro.










 XOXO Neia *-*
SORRY SORRY GENTE!!! Desculpem ficar tanto tempo sem postar, não pensei que iria demorar tanto, mas a semana passada e hoje foram os meus exames e eu tive de estudar. Mais uma vez desculpem meus amores :/
Mais um capitulo está postado...e então que acharam?? Será que a Demi irá conseguir encontrar uma maneira de tocar no Joe novamente??? Veremos no proximo capitilo ;)

Respondendo ao coment: bem entrei oficialmente de férias hoje...maratona?? não sei, talvez quando a fic estiver na reta final, que dizem?? agora não irei demorar tanto assim para postar...tudo depende de voces e dos vossos comentários gente

Fiquem bem...comentem, divulguem e sigam pff, faço isto para voces e gostava de ter o vosso apoio 
Kiss <3 <3

domingo, 15 de junho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 13


O Natal estava chegando, portanto quase metade dos alunos estava na casa de seus entes queridos, inclusive a minha colega de quarto e melhor amiga Vanessa. Ela foi para casa de sua grande família havia uns três dias e eu já estava começando a sentir sua falta. Estava sozinha naquele quarto por dias que pareciam não passar, e estava quase enlouquecendo.
Se ao menos Joe aparecesse eu não ficaria nessa frustração. É claro que eu saía para o café da manhã, quando não estava com preguiça, e para o almoço e o jantar, mas não era a mesma coisa quando Vanessa e Ster não estavam ali para me contar as fofocas do dia ou todas as besteiras que eles diziam para deixar meu dia melhor.
Joe não passava mais todo o tempo comigo. Ele não conseguiu alcançar o assassino, afinal de contas. Se punia diariamente por ter fracassado. Passava então quase que dia e noite observando as pessoas, observando se alguma coisa estava fora do comum. Ele talvez esperasse que, assim com naquela noite, pudesse topar com o assassino no ato. Para mim o herói daquela noite havia sido Troy, porque se não fosse ele eu não estaria lá para salvar Aaron, em primeiro lugar. Eu ainda estaria catalogando papéis enquanto Aaron era sufocado até a morte.
A história de Aaron sobre o acontecimento foi breve. Um momento ele estava naquela ruazinha indo encontrar Vanessa e no segundo depois ele estava acordando no hospital. A chave de tudo foi o clorofórmio: isso explicava o porquê de os rapazes não reagirem ao assassino.
Eu ainda não estava com a minha família por uma questão muito, muito simples. Eles eram advogados muito famosos e bem pagos, os clientes requeriam mais tempo deles e eu acabava ficando sozinha até alguns dias antes do Natal. Naquele momento, então, eu me encontrava na cama jogando xadrez comigo mesma, o quão idiota isso era? Eu tinha lido Amanhecer, de Stephenie Meyer, quase que o todo, então logicamente eu precisava tratar de fazer alguma coisa, não importando o quão idiota pudesse parecer.
— Acho que você está totalmente perdida aí.
— AH MEU DEUS, QUAL O SEU PROBLEMA? — gritei para Joe, que apareceu ao meu lado sem eu sequer nota-lo e quase me matou de susto. — Já disse pra você parar de fazer isso. Qual é a sua? Tem prazer de me ver morrendo de susto toda vez que você aparece? Deus do céu!
— Nossa, já vi que você está nervosinha. Acho que vou embora — ele disse virando-se para a porta, como se estivesse vivo e pudesse atravessá-la.
— NÃO! — gritei com desespero quase que me levantando da cama para impedi-lo. Respirei fundo antes de dizer: — Desculpe-me, tá legal? Eu estou sozinha por tanto tempo que parece que eu surtei. Sinto muito mesmo — murmurei timidamente e vi que ele andava para mais perto de mim, o que me deixou feliz e menos deprimida pela minha solidão.
Por que ainda está aqui? Não deveria estar com seus pais, como todo mundo? — perguntou ele sentando-se na ponta de minha cama. Joe estava vestindo a mesmíssima roupa de sempre, uma calça jeans preta largada com uma camiseta branca e com tênis Adidas, mas quando ele se sentou em minha cama a luz refletiu nele de uma maneira angelical. Seu rosto gentil naquele momento parecia brilhar, seus olhos ficaram mais claros que o normal, pude ver os braços fortes pela musculação diária de quando estava vivo e bem. Ele parecia estar mais vivo do que nunca.
— Hum, eu deveria, mas meus pais são pessoas ocupadas demais — respondi bufando lenta e tristemente.
— Eles podiam fazer um esforço para ficarem mais com você, ainda mais com tudo o que você está passando. EIes deveriam trabalhar menos — murmurou ele delicadamente e mais sutil que nunca. Hoje devia ser um dia bom para ele, geralmente seu humor variava, o que me deixava à flor da pele. Nunca sabia quando ele iria começar a ser rude comigo.
— Você não entenderia. Eles me amam, é claro, faze de tudo para me verem feliz. Eu posso dizer que eles são os melhores país do mundo. Você os amaria.
— Adoraria conhecê-los — disse Joe. — Ou melhor, adoraria observá-los quando você for para lá. Posso ir? Você não ficaria envergonhada comigo na presença deles? — e pude perceber quando ele limpou sua garganta na hora dai perguntas, com medo de ser rejeitado.
Seus olhos não me olhavam e ele encarou o chão. Como se algum dia eu pudesse negar alguma coisa para ele. Por que ele não sabia disso?
— Hum, deixe-me pensar... É claro que você pode ir engraçadinho. Quero que você conheça a minha mãe, ela a pessoa mais divertida e amorosa da face da terra. E me pai é a pessoa mais doce — respondi animada e com um sorriso largo no rosto, isso o fez sorrir, ou melhor, soltou umas gargalhadas fofas. Depois de um momento de silêncio ele começou a encarar meu jogo de xadrez; eu não sou nisso, estava esperando que ele não notasse.
— Então você costuma jogar xadrez... sozinha? — ele perguntou franzindo a testa e com um divertimento em sua voz, como se estivesse prestes a cair na gargalhada novas mente. Eu assenti sem me importar com o que ele poderia pensar de mim. — Isso é estranho.
— Uau, como você é esperto. É óbvio que isso é estranho, mas isso não me impede de jogar... nunca — disse sorridente, e ele soltou o sorriso que estava guardando de dentro de si. Ele sentou com as pernas cruzadas como índio, como eu, na frente do tabuleiro. Eu podia sentir o que aconteceria depois.
— Vamos ver se você pode me vencer — ele desafiou levantando apenas uma sobrancelha e fazendo uma careta que me fez abrir um enorme sorriso. O que estava acontecendo? Será que estávamos mesmo trocando sorrisos idiotas feito um casal de apaixonados?
— Você vai ganhar todas, eu não sou muito boa nisso — confessei, mas ele nem ligou. Pediu que eu colocasse as peças nos lugares iniciais e eu o fiz. Eu era a cor branca e ele, o preto. Eu comecei movimentando meu peão, ele pediu que eu movimentasse um dele também. E assim fomos jogando xadrez, pelo menos eu não estava jogando sozinha e nem estava quase entrando em depressão por estar tão solitária.
Eu estava com uma das pessoas que mais amava nesse mundo. Pela primeira vez fiquei feliz por Vanessa não estar ali comigo.
Jogamos xadrez por horas a fio até chegar à noite e eu não estava nem um pouco cansada, na verdade estava me divertindo à beca.
— Assim não vale, você não disse xeque-mate antes de me vencer — o ameacei com o indicador de uma maneira brincalhona.
— Você disse que era ruim e já ganhou quase todas as partidas. Estamos quites — disse Joe.
— Na verdade você é tão ruim quanto eu. Posso ser ruim, mas você é pior — ele sorriu e eu dei um soquinho de leve em seu ombro como um bom amigo camarada provavelmente o faria. O rosto sorridente de Joe se transformou em algo aterrorizante, como se acabasse de saber que alguém conhecido dele tivesse morrido. Eu não entendi aquela expressão, e o olhei confusa por um certo tempo. Somente quando ele olhou para seu próprio ombro e para mim que eu me dei conta da situação que havia se passado.
Minha respiração começou a se elevar rapidamente, meu peito até doía de tão forte que o coração batia. Eu estava tão distraída que nem havia me dado conta de que eu realmente havia tocado em Joe. Eu tinha dado um soquinho nele e nem tinha me passado pela cabeça que ele estava morto e que nada daquilo poderia sequer acontecer.
— Isso aconteceu não é? Eu realmente toquei em você — sussurrei lentamente e estremeci. Ele assentiu com a cabeça e eu praticamente perdi o controle. Joguei todo meu jogo de xadrez no chão em um ato de desespero me sentei a meros centímetros dele. Eu queria me certificar de que eu podia tocar nele novamente antes de pular em seu pescoço.
Minha mão tremia quando a levantei para tocá-lo, Joe dessa vez não me impediu. Ele sempre me impedia quando tentava tocá-lo, sempre.
A questão de ele não estar me impedindo deixou-me mais nervosa. Ele não se mexia, não mexia um único músculo, como se o efeito pudesse passar se ele se mexesse. Minha mão esquerda foi lentamente até seu peito, eu tremia mais ainda quando estava quase, quase o tocando. Quando senti o tecido de sua roupa em minha mão trêmula uma lágrima caiu em meu rosto e respirei fundo, como se o pior já tivesse passado. Joe fechou seus olhos agora aliviados e felizes e sentiu minha não passando de seu peito e indo até seu ombro. Ele abriu os olhos com desejo quando descansei minha mão em seu braço musculoso debaixo de sua camiseta.
Joe finalmente se mexeu e levou sua mão direita até meu rosto, e tirou a lágrima que eu não havia secado.
— Isso realmente está acontecendo? — perguntei aos sussurros, ele assentiu rapidamente e chegou mais perto de mim. Pôs uma mão em minha cintura e a outra mão passava em meu rosto sem parar. Seus olhos pareciam satisfeitos, até mesmo realizados.
— Sua pele é tão... macia. Você é perfeita — ele disse sinceramente quase que hipnotizado. — Eu nunca pensei que poderia tocá-la, eu... — eu percebi que ele estava prestes a atropelar as palavras, que não sabia o que dizer. Ele estava sem palavras, ele me olhava como se eu fosse um diamante raro que nunca poderia perder. Aquele olhar, aquela sensação me fez sentir a pessoa mais feliz e sortuda de todo o planeta. E como eu poderia pensar assim se ele estava morto? Eu não sabia o que estava acontecendo, eu com certeza não havia pedido nada assim de Natal e nem havia feito pedido algum para qualquer realizadora de desejos.
Eu queria senti-lo em mim, levantei-me me posicionei em cima dele. Ele separou as pernas para que eu me encaixasse perfeitamente no centro dele. Ele me envolveu com seus braços, apertando-me mais contra ele, como se nunca pudéssemos estar perto o suficiente. Eu toquei em seu rosto pela primeira vez, no seu belo rosto que muitas garotas matariam para sentir. Nossas testas e narizes se tocavam e meus olhos se fecharam.
— Beije-me, Joe, por favor — sussurrei em desespero. Senti sua mão passar para minha nuca e então aconteceu. Nossos lábios se moviam devagarzinho para conhecer o território, mas isso não durou muito tempo. Queríamos nos beijar havia tanto tempo que movimentos gentis e doces não seriam suficiente para nós. Ele colocou primeiro a língua dentro de minha boca e eu gemi quando nossas línguas se tocaram. Levei minha mão para passar entre seus cabelos macios e trouxe mais para perto de mim. Como se já não estivéssemos perto o bastante. Mas eu o queria, eu nunca pensei que isso poderia acontecer. Será que estava acontecendo? Será que eu estava sonhando? Diante do que aconteceu depois, eu soube realmente que não era sonho algum.
— Eu te amo. Tanto... tanto — confessou Joe quando parou ofegante depois de nossos beijos. Meu coração derreteu, mas ainda assim batia desesperadamente como se quisesse fugir. Eu peguei a mão de Joe que descansava em minha coxa e a levei até meu coração acelerado. Eu queria que ele soubesse como ele estava fazendo me sentir.
— Eu te amo... mais que tudo nesse mundo — sussurrei em seu ouvido e depois encarei seus olhos brilhantes e felizes. Eu queria que aquele momento durasse para sempre. Eu vou me lembrar daquele momento para sempre. Ele entrelaçou seus dedos nos meus e voltamos a nos beijar ferozmente. Eu não queria parar de beijar nunca aqueles lábios carnudos e perfeitos. Joe sabia o que fazia, e o mais estranho ainda era que ele sabia o que me deixava mais excitada. Ele colocou sua mão por debaixo de minha camiseta e tocou em minhas costas. Eu tive que deixar sua boca e soltar um alto gemido, segundos depois seus lábios estavam em meu pescoço. Eu estava à beira da loucura, mas isso não durou muito tempo. Ouvi alguém abrindo minha porta com um tilintar de uma chave.
Eu e Joe nos olhamos rapidamente e ele desapareceu. Quando a porta se abriu eu perdi o equilíbrio por não estar mais em cima de Joe e me estatelei toda no chão gelado.
— O que você está fazendo no chão desse jeito como uma louca doida? — perguntou Vanessa espantada quando me viu com uma perna ainda na cama, mas o resto todo no chão. Aquilo doeu, realmente doeu muito. Joe podia ter me avisado que ele cairia fora, mas que covarde.
— VANESSA, VOCÊ VOLTOU — gritei como se eu estivesse surda de um ouvido, ou talvez dos dois. Ela se espantou ainda mais com a minha gritaria.
— Você está drogada, Demi? Bebeu alguma coisa? Ou isso é natural? Meu Deus, realmente não entendo essas suas viradas de humor e loucura — perguntou ela indo até seu armário e o abrindo. Enquanto isso, eu me movimentava devagarzinho para não doer tanto minhas costas. Eu não respondi ao comentário de Vanessa, ela riu depois de perguntar, então ela devia estar brincando, foi o que pensei.
— Por que voltou tão cedo? — perguntei sentando me novamente em minha cama devagarzinho como se eu fosse uma velhinha.
— Como sou a pessoa mais inteligente da face desse lindo planeta, me esqueci completamente dos presentes de Natal. Dá pra acreditar? — e com isso ela tirou várias caixas de presente bem do fundo do armário e colocou mochila, que parecia ser maior que ela. — Eu jurava que eles já estavam na mala, mas quando fui pegá-los para deixa-los sob a árvore de Natal, não os encontrei e pirei. Vim correndo pra cá.
— Ah, ainda bem que isso não aconteceu na véspera Natal, você nunca iria vir pra cá e voltar a tempo — conclui, e ela concordou. Depois de um tempo parada na porta olhando para mim e em seguida para o canto do meu lado  do quarto, ela disse:
— O que você estava fazendo quando entrei, afinal? Perguntou desconfiada. Eu sorri um pouco para ter tempo de inventar algum tipo de desculpa, e o que eu consegui encontrar em alguma parte de meu cérebro foi:
— Ah, você sabe que eu adoro Natal, Vanessa. Eu estava pulando na cama e quando vi alguém entrando me assustei — isso não me pareceu muito convincente, mas aparentemente Vanessa acreditou. A minha habilidade de mentir estava ficando cada vez melhor, e isso graças a Joe Jonas.
— Hum, tome cuidado na próxima vez. Você pode, sei lá, bater a cabeça em algum lugar. E se isso acontecer, ninguém vai estar aqui pra te ajudar — disse ela muito séria.
— Vou tomar cuidado... eu prometo.
Vanessa largou a mochila de presentes no chão e veio até mim, abraçou-me fortemente e me desejou um Feliz Natal, e me entregou um pacote bem embrulhado com árvores de Natal como estampa.
— Obrigado por pensar em mim — agradeci sorridente.
— Sempre — Vanessa respondeu, como se nunca pudesse me esquecer, e isso me fez parar de querer mata-la por ter interrompido o amasso com Joe.
— Comprei algo para você também — eu corri para meu armário e tirei um tubo embalado, que continha um pôster de Titanic. Eu sabia que Lucy amava romances e que tinha uma grande coleção de pôsteres dos seus filmes preferidos. Ela me disse há algumas semanas atrás que nunca conseguia achar o pôster de Titanic, que era impossível. Desde e então, eu revirei praticamente todos os lugares de pôsteres que eu podia pensar e encontrei um bem conservado em uma lojinha quase que caindo aos pedaços. Eu sabia que Vanessa iria pirar quando o abrisse. — Espero que goste — ela sorriu feliz e depois de outro abraço ela saiu do quarto. Eu fiquei parada onde estava e me vi sozinha novamente. Havia apenas alguns minutos tudo estava tão perfeito... como um sonho.









XOXO Neia :)
AHHHHH ELES TOCARAM-SE FINALMENTE!!!!! VANESSA PQ TINHAS DE TER ENTRADO LOGO NESSA ALTURA!!! Kkkkk desculpem....prontos mais um capitulo :)
Desculpem não ter postado mais cedo mas voces não estavam comentando :( e (respondendo ao comentário) ainda não entrei de ferias infelizmente, ainda tenho exames. Mas não há de ser nada. Continuem a comentar a sigam  pff
Kiss <3

terça-feira, 10 de junho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 12


Eu estava em uma rua bem parecida com um beco, estreita e escura. A luz da lua iluminava mal aquela escuridão. Uma única luz pendia naquela ruazinha. Havia uma caçamba de lixo azul muito grande atrás do assassino e de sua vítima. Havia uma pessoa sobre o corpo imóvel de um garoto. Sabia disso que a vítima era um garoto pelas calças e tênis masculinos. Não conseguia ver nenhum dos rostos.
Minha respiração aumentou, uma rajada de vento frio veio em minhas costas, o que me fez gemer. Se eu pensava que aquela cena era assustadora, eu não poderia achar uma palavra tão horripilante para descrever o aconteceu em seguida.
Com meu gemido por causa do frio, o assassino reparou em minha presença. Sua cabeça virou para trás com uma rapidez impressionante, o que me fez querer correr e gritar, Ele levantou-se devagarzinho e simplesmente ficou parado ao lado do corpo, me encarando. Por algum motivo eu ainda estava ali, parada diante do assassino. Joe me pediu novamente para que corresse, mas eu não podia fazer isso eu: conhecia o garoto que estava ao chão, não poderia deixá-lo para morrer nas mãos de um lunático.
Você deve estar se perguntando se eu conhecia o assassino. Eu não poderia responder a essa pergunta. Por quê? Bom, ele vestia um sobretudo preto, tênis comuns pretos, luvas pretas e, além de tudo, uma máscara preta, sabe o que os ladrões usam quando vão assaltar um banco ou qualquer outra coisa? Como uma touca preta que vai até o pescoço, deixando somente buracos para os olhos e talvez a boca. Mas nenhum buraco mostrava sua boca, somente dois furinhos mínimos para os olhos, tornando-os impossíveis de reconhecer.
Ele deu dois passos em minha direção e parou. Talvez me avaliando, ou pensando se iria até mim ou não. Ele se decidiu. Deu outro passo para minha direção, e outro.
— Não chegue perto de mim ou vou gritar — anunciei confiante.
Peguei minhas chaves em meu bolso e deslizei suas partes afiadas entre meus dedos. Ele escutou o tintilar de chaves e viu o que estava fazendo. Foi quando ele parou.
Com isso olhei rapidamente para Joe. Sua expressão me fez ter medo, seus punhos estavam fechados. Fiquei feliz em estar ao lado dele, porque eu temia o que ele poderia lazer para a pessoa que havia tirado sua vida.
Quando o assassino deu outro passo cm minha direção, duas lâmpadas da rua de trás explodiram, e eu ele soltei um rito rouco, sobressaltada. A única luz que havia naquela ruazinha piscava feito louca, dois jornais que descansavam no chão levantaram voo. A caçamba imensa começou a tremer violentamente, a tampa se abriu com um forte estalo. O assassino, assim como eu, observava todos aqueles acontecimentos. Depois que a caçamba saiu do chão ele virou o rosto mascarado para mim, seu peito arfando. Ele virou as costas e correu para o fundo da ruazinha.
— Peça ajuda — disse Joe e começou a correr atrás do seu próprio assassino.
E quanto a mim? Eu corri até o garoto apagado no chão e me atirei a seu lado. Seu pescoço estava muito vermelho, com as marcas das luvas pretas do assassino que acabara de correr. Encostei a cabeça em seu peito e senti uma respirada, soltei um sorriso de alívio. Coloquei a mão direita no bolso mas não encontrei o que estava procurando. Ótimo, justo hoje meu celular estava em cima de minha cama carregando e eu ali precisando dele! O que poderia fazer agora?
— Preciso de ajuda — soltei não muito alto. — ALGUEM ME AJUDE! POR FAVOR! EU PRECISO DE AJUDA - gritei dessa vez com todas as minhas forças. Deve ter sido um milagre que Aaron não houvesse acordado. Sim, Aaron. Vanessa iria surtar quando soubesse que seu  Boy Toy quase tinha se tornado a próxima vítima do serial killer do  campus.
— ALGUÉM! POR FAVOR! — gritei e nada, ALGUÉM ME AJUDE! — apenas silêncio. Comecei a choram. Peguei a mão de Aaron e a apertei na minha. — Vai ficar tudo bem — sussurrei para ele. Olhei para ambos os lados com alguma esperança e nada. Sabe aqueles filmes de terror quando a mulher gostosa grita por ajuda e ninguém aparece? , conheço a sensação. E não, eu não me acho gostosa. Decidi tentar novamente e o que saiu foi assustador até para mim. Eu poderia ser contratada para qualquer filme de terror sendo a garota que grita por ajuda.
Ouvi passos quase que silenciosos vindos em minha direita. Olhei assustada e um rosto amável apareceu para meu resgate das sombras.
— Liv — disse seu nome com uma voz chorosa e fui correndo até ela. Abracei-a com muita força, mas ela não reclamou. Ela me abraçou de volta e disse que tudo ficaria bem. Sua voz estava muito assustada e seu coração batia a mil por hora. Tirei minha cabeça de seu peito quando duas viaturas de policia chegaram quase que se batendo. Senti uma pontada de felicidade quando vi o rosto de autoridade do policial Lewis, e fiquei sabendo naquele momento que ele iria, sim, de fato, pegar o assassino. E eu podia sentir que estava próximo, muito próximo, de isso acontecer.
Uma ambulância chegou momentos depois, antes mesmo de Lewis conseguir chegar até mim e Olivia, a professora de Anatomia Descritiva. Dois paramédicos correram até Aaron e o colocaram em uma maca. Quando um deles veio até mim, que ainda permanecia nos braços amorosos de Olivia, eu disse que estava bem. Isso feito, a sirene começou a tocar e levaram Aaron para o hospital em segurança. Um peso saiu de meus ombros.
— Você está bem, menina? — perguntou Lewis seriamente enquanto tocava em meu rosto delicadamente.
— Estou bem — murmurei e escondi meu rosto no peito de Olivia.
Eu parecia uma criança assustada, e, na verdade, me sentia como uma.
Olivia passou as mãos entre meus cabelos e disse para Lewis:
— Ela está apenas muito assustada.
Lewis entendeu e eu o ouvi caminhando para onde Aaron estava desmaiado. Enquanto ele caminhava para lã e para cá tive tempo de me recompor. Respirei fundo e me desapeguei de Olivia. Ela olhou-me nos olhos tristonha e passou uma mão muito quente em meu rosto.
— Melhor? — perguntou. Eu apenas assenti com um movimento de cabeça.
Observei Lewis até ele querer falar comigo novamente. Olivia passou o braço sobre meu ombro e aguardou comigo. Senti uma imensa afeição por ela. Olivia poderia me deixar sozinha com aquele frio intenso.
Ela não tinha visto nada de fato, então ela não precisaria contar muita coisa para polícia, mas mesmo assim ela estava ali comigo.
As perguntas de Lewis foram diretas. Como ele era? Assustador. Alto ou baixo? Nem alto nem baixo, médio. Gordo ou magro? Magro. Homem ou mulher? Pensei muito e fiquei indecisa. Tudo estava muito coberto, poderia ser uma mulher ou um homem. Que roupa usava? Absolutamente tudo preto, não vi pele alguma para saber se era branco ou negro. Ele tocou em alguma coisa? Somente em Aaron, mas isso não importaria, ele usava luvas, senhor policial. Porque ele fugiu? Essa eu tive que pensar por alguns segundos, disse que eu iria gritar muito se ele se aproximasse e o ameacei com minha chave. Eu não fui muito convincente nesta parte, mas, ei, eu não podia simplesmente dizer que meu amigo camarada chamado Joe o assustou. Mas de uma coisa eu tinha certeza absoluta: a pessoa que eu vi não era Brian, de maneira alguma poderia ser ele. Brian era muito musculoso, grande como uma parede. Os dois maiores suspeitos de Lewis foram descartados na mesma noite.
Depois disso Olivia me levou para meu quarto. Eu disse que não era necessário, mas ela me levou mesmo assim. Ela foi útil, porque quando me atirei em minha cama branca como papel Vanessa ficou fazendo perguntas.
Eu hesitei e contar sobre Aaron, então Olivia contou tudo a ela. Apesar de eu estar supercansada, fui até Vanessa e a abracei fortemente quando ela começou a soluçar. Ela me beijou na boca quando Olivia disse que eu havia salvado o homem dela. Foi meio constrangedor, mas com esse ato eu percebi o quanto ela amava Aaron. E com isso eu havia decidido que iria perdoá-lo totalmente pelo dia que ele me atacou.
No fim eu não consegui dormir. Depois que Olivia saiu de nosso quarto, Vanessa me pediu para ligar para Lewis e perguntar para qual hospital Aaron havia sido levado. Fomos de táxi até o hospital Mercy e esperamos até que alguém nos trouxesse notícias sobre Aaron. Vanessa estava muito inquieta e não parava de roer as recém-pintadas de preto. Dei um leve tapa em sua mão para ela parar, e ela estava prestes a gritar comigo quando um médico nos chamou.
As notícias eram boas. Aaron iria se recuperar totalmente  sem nenhum dano permanente. Vanessa e eu sorrimos e nos abraçamos, ficamos no hospital até o horário de visita. Aaron iria ficar no hospital pelo menos por mais um dia.

Somente uma coisa me incomodava. Onde Joe estava, e se ele tinha sido capaz de saber quem era a pessoa por trás da máscara preta.








XOXO Neia *-*
Uffa...ainda bem que o Aaron se safou!! Quem diria que ele iria ser o próximo escolhido pelo assassino?? Com isto já sabemos que Brian não pode ser o serial killer, mas quem será?? Porque só escolhe rapazes?? São escolhidos ao acaso ou tem alguma coisa por de trás disso??  O Joe terá visto a cara por de trás da máscara?? Muitas perguntas no ar não é gente kkkkk
Comentem e divulguem pra mim pff :)
Kiss love u babes <3

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 11

Sabe aquela sensação de que você está debaixo d’água e tudo o que escuta são vozes distorcidas? Foi assim que eu me senti quando acordei com Vanessa e Joe tentando me acordar para não perder meu primeiro horário de aula. Enquanto Vanessa me sacudia, Joe gritava para me acordar.
— ACORDA, RAIO DE SOL — gritou Joe.
— Parem de gritar, já vou acordar, Deus do céu. — resmunguei enquanto esfregava os olhos.
— Em primeiro lugar, Demi, você já perdeu o primeiro o segundo horário. Tentei te acordar enquanto estava saindo hoje cedo, mas você simplesmente não se mexia. Parecia uma lagartixa morta — disse ela sentando se na minha cama.
— E em segundo e terceiro lugar?... — perguntei ainda de olhos fechados.
— Não tenho a menor ideia, não sei por que diabos comecei com essa contagem — Vanessa respondeu e eu soltei uma gargalhada. Acho que simplesmente fiquei feliz por ela não ter comentado o meu “Parem de gritar”, já que ela não estava gritando e que havia apenas eu e ela dentro do quarto.
— Como vão as coisas entre você e Aaron? — decidi que se ela falasse sobre a própria vida, ela esqueceria as perguntas que ela queria me fazer. Como, por exemplo, como eu sabia que Brian havia roubado o trabalho de Joe, que Joe e eu supostamente estávamos namorando e não sabia de nada.
— Estão ótimas, Demizinha, estamos transando feito loucos, mas o que eu quero saber é por que você não me contou que você e Joe mortinho da silva estavam namorando? — ah, eu sabia que esse assunto iria se arrastar rapidamente pelo campus inteiro eventualmente.
— Aconteceu, Vanessa, e quando eu me dei conta ele estava morto e ninguém mais sabia que estávamos juntos — respondi tão naturalmente que até parecia verdade. Minha cama estava tão confortável eu não queria sair dali nunca mais.
— Bom, pelo menos, agora, eu e Ster sabemos por que, você ficou naquele modo zumbi estranho por tanto tempo. Você estava com saudades dele, não é? — perguntou ela com um tom de tristeza. Pelo menos algo de bom veio de toda a falação, eu não podia simplesmente dizer que estava tão deprimida porque um fantasma não queria mais me ver. Acho que o luto me faria parecer uma pessoa mais sã.
— Você me descobriu — respondi com um sorriso sem graça como se ela tivesse me pego no flagra.
— Você poderia ter me dito, eu poderia ter te ajudado — ela disse de uma maneira que me fez sentir vergonha, como se eu não fosse uma boa amiga. Mas eu estava justamente ocultando Joe-fantasma dela por querer protege-Ia.
— Desculpe-me, Vanessa, eu deveria mesmo ter te contado, mas naquele momento achei que poderia resolver as coisas sozinha.
— Hum... eu te perdoo. Mas só se você levantar sua bunda magrela dessa cama, for tomar banho e almoçar comigo e com Ster. Vamos te esperar no refeitório — ela deu um tapa em minha bunda e saiu porta afora, sorrindo. Joe estava parado em frente à minha escrivaninha e seguiu-a com o olhar.
— Você teve sorte de dividir o quarto com Vanessa, ela é uma boa garota — ele disse.
— Também acho, ela é minha melhor amiga — murmurei sorrindo para ele. Eu estava prestes a entrar no banheiro quando perguntei — Você acha que eu devo contar a ela?
— Sobre mim? — ele perguntou e eu fiz que sim com a cabeça. — Eu não me importaria se você contasse — eu dei um meio sorriso para Joe e entrei no banheiro.
Eu poderia dizer que eu era uma das garotas populares da Universidade, porque as pessoas sempre cochichavam quando eu passava, apontavam ou olhavam feio para mim. Eu já estava acostumada com aquilo, por assim dizer, mas os amigos de Brian estavam mesmo irritados comigo. Mas eu estava feliz por saber que Brian não havia espalhado para todos sobre os meus supostos poderes.
— Não ligue para eles, Demi. Você fez a coisa certa ontem, em relação ao Brian — Vanessa concordou comigo quando me sentei à mesa do refeitório com ela e Ster. Os cochichos sobre mim poderiam ter acabado quando eu sentei, mas os olhares dos amigos de Brian eram penetrantes. Até Joe se incomodou com aquilo e começou encará-los de volta, como se eles pudessem vê-lo.
— Sinto muito pelo Joe, Demi. Eu não teria agido como um completo idiota se soubesse que vocês dois estavam juntos — se desculpou Ster. Aquele gesto me fez gostar ainda mais de sua companhia e amizade.
Eu sorri para ele e lhe dei uma palmada de leve nas costas para mostrar que eu compreendia e o desculpava.
— Vocês não vão acreditar... — começou Aaron depositando sua bandeja em nossa mesa e se sentando ao lado de Vanessa. - A pele sob as unhas de Joe. Adivinhem de quem era? — Nós o encaramos, todos, inclusive Joe. — Era do Brian. O resultado de DNA demorou pra sair, mas ontem quando o policial Lewis veio pra questioná-lo, ele encontrou Brian no meio do escândalo na sala dos professores feito por você, Demi — disse ele apontando para mim. — Brian está lá na delegacia desde ontem quando o pegaram alegando que é inocente.., que Joe e ele apenas tiveram uma briga antes de Joe morrer — houve silêncio, e Aaron começou a devorar seu almoço. Joe não tinha me dito nada sobre qualquer briga, e eu achei isso estranho. Quando olhei para ele, sabia que ele pensava a mesma coisa.
— Vocês acham que Brian poderia mesmo ser o assas sino? — perguntei, incrédula. Os fatos poderiam levar até ele, mas eu mesma tinha conversado com ele quando Joe estava desaparecido e ele parecia mesmo preocupado. Mas seria pelo fato de ele tê-lo matado ou pelo fato de que Brian se importava mesmo com o amigo?
— Eu sou amigo de Brian, o cara pode ser  hardcore , mas eu não acho que ele é um serial killer — respondeu-me Aaron enquanto comia.
— Como assim  hardcore? — perguntou Ster, agora interessado.
— Sabe, ele é daqueles caras da pesada. Que gostam de festas e brigas de vez em quando, fazem de tudo para se dar bem nas provas e trabalhos. Essas coisas... — respondeu Aaron com a boca cheia de batatas fritas. Ster, eu e Vanessa nos entreolhamos. Será que o serial killer estava mais próximo do que a gente jamais poderia imaginar?
Enquanto policiais rondavam pelos corredores, Joe e eu caminhávamos até minha próxima aula, que seria de Microbiologia. A sala, por alguma razão, estava mais vazia que o normal. Aparentemente eu não era a única a querer ficar na cama até tarde. Mas o problema não era esse, muitos calouros decidiram que ficariam seguros em suas próprias casas, e com isso começou a haver mais faltas, e as aulas virtuais, pela internet, começaram a ser mais frequentes. Ou seja, enquanto eu estava ali na sala de aula escutando o professor, meus colegas estavam em suas camas ou sofás escutando e vendo o professor em suas casas. Os trabalhos podiam ser enviados por correio e as provas foram adiada por tempo indeterminado.
— Você realmente acha que Brian pode ser meu assassino? — perguntou Joe no meio da sala de aula enquanto estava sentado ao meu lado parecendo ser qualquer outro aluno.
Eu não sei, poderia ser?
Poderia parecer estranho, mas enquanto o professor ministrava sua aula eu conversava com Joe. Ele me perguntava normalmente e eu escrevia a resposta em meu caderno, que estava aberto. Não havia muitas pessoas perto de mim para perceberem que eu não escrevia a matéria do quadro ou o que o professor dizia.
— Eu pensei que ele fosse meu amigo, mas aí ele roubou meu trabalho e me fez parecer o cara mais idiota do mundo. Então eu não sei o que pensar. Ainda mais quando ele diz que brigamos, e eu não me lembro nada disso.
Você vai se lembrar, não se preocupe!
— Espero que sim... Há tantas coisas de que eu não me lembro. Seria muito mais fácil se eu me lembrasse de meu assassinato, não é? — perguntou ele entre sorrisinhos nervosos.
Acho que você lembrará quando for o momento certo :)
— Você provavelmente tem razão.
É claro que tenho razão. Sempre tenho razão. Hahaha
— Sabichona — ele disse, e eu dei um sorriso de leve. Não poderia simplesmente cair na gargalhada no meio da sala aula quando o professor falava sobre determinados tipos de bactérias. Eu iria parecer uma louca que tinha acabado de sair de um manicômio.
Sabe quando você está botando e tirando coisas em seu  pen drive? E sem querer seus dedos bêbados excluem seu trabalho mais importante do semestre? É, foi isso o que aconteceu comigo. Consideramos o pen drive uma salvação para muitas pessoas, mas, quando excluímos algo dele, não tem volta. Gosto de pensar que estamos em uma época boa em tecnologia, mas por que eles não podiam introduzir, sei lá, uma lixeira onde pudéssemos rever os arquivos excluídos, como em qualquer computador normal?
Minha entrevista com Lewis era dali a pouco tempo e já estava pirando. Fiquei encarando a tela do computador com o queixo caído por quase meia hora, não acreditando que algo assim algum dia pudesse acontecer comigo. Sou cuidadosa para essas coisas, ou pelo menos eu me considerava cuidadosa antes daquilo. Quando me dei conta do que tinha feito me deu uma intensa vontade de chorar e de quebrar tudo à minha volta, incluindo o computador e o drive. Bati os punhos na mesa com toda a força que eu tinha, de olhos fechados, mas isso não fez com que eu me sentisse melhor, apenas acrescentou mais uma dor no meu dia.
— O que houve? — perguntou Joe quando me sentada toda irritada em frente ao computador que se encontrava na escrivaninha.
— Perdi todo o meu trabalho de Anatomia. Desci murmurei quase à beira das lágrimas.
— E daí? Faz de novo — disse ele, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Isso me deixou com muita raiva.
— Você não entende. Eu fiquei dias escrevendo o trabalho, mais de duzentas páginas perfeitas no lixo. E como se isso não fosse suficiente, a entrega é para três dias. TRÊS DIAS, JOE! — gritei no final. Estava tão agitada que não consegui ficar mais naquela cadeira por muito mais tempo. Fiquei zanzando para lá e para enquanto Joe me observava sentado na cama. Seus olhos me acompanhando, ele nem se incomodou pela maneira que eu gritei com ele.
— Você se lembra das coisas que escreveu? — perguntou Joe depois de alguns minutos de silêncio. Acho que ele esperou um pouco para minha raiva sair do meu corpo.
— É claro que eu me lembro, fui eu quem escreveu. Mas não me lembro de tudo, não sou uma máquina, droga!
— Você acha que isso nunca aconteceu comigo? Na verdade isso acontece com todo mundo... Ficamos zangados, queremos quebrar tudo e gritar. Mas sabe o que fazemos depois? — perguntou ele com uma voz sensível amigável. Eu balancei a cabeça com um não. — Começamos a escrever novamente — disse Joe com um sorriso leve, e então ele levantou-se e foi até mim. — Escrevemos o que lembramos, acho que são as coisas mais importantes. Escrevemos coisas novas, melhoramos o que estava com nossa cabeça e no final tudo ficará bem. Afinal de contas, a professora Olivia adora você, tenho certeza de que se lhe disser o que aconteceu, ela vai entender e lhe dará mais alguns dias para finalizar o trabalho.
Joe entrou em minha cabeça. É claro que ele estava em meus pensamentos desde a primeira vez que o vi, mas não é isso o que eu estou dizendo. Quero dizer que suas palavras sobre o assunto me fizeram compreender. O que eu tinha feito estava feito, não posso voltar atrás, então tudo o que eu pedia fazer era respirar fundo, seguir em frente e deixar as coisas fluírem. Afinal, a vida nem sempre é lá uma maravilha.
— Você está certo — murmurei depois de respirar fundo, e olhei para os olhos claros em minha frente.
— Claro que estou certo. Sempre estou certo — ele disse, e eu caí na gargalhada. Eu havia dito algo parecido havia alguns minutos. Não acredito que ele lembrava das coisas que eu falava. Quero dizer, é muito raro os homens se lembrarem do que nó mulheres dizemos, não é? Pelo menos, é o que todo mundo fala, inclusive os homens.
— Temos que ir para delegacia — interrompeu Joe as nossas risadas.
— Você vai mesmo querer ir?
— É claro. Nunca iria perder um interrogatório de meu próprio assassinato — ele sorriu. A maneira que ele disse isso foi quase como se já tivesse aceitado a morte. Sem nenhuma tristeza. Acho que Joe era como meu trabalho excluído... sem volta.
Dava uns vinte minutos de ônibus até a delegacia e isso me deu tempo para pensar. Não tinha parado para imaginar antes como tudo aquilo que estava por vir poderia se tornar difícil. Quero dizer, Lewis estava na sala quando eu pedi para Brian dizer a verdade sobre o trabalho de Joe. Então isso provava que eu estava mentindo na primeira vez em que o vira, e que eu não sabia qual era o motivo da discussão entre Joe e o professor Bradley. E o fato de Joe ser meu namorado. Eu tinha dito a Lewis que ele era apenas meu amigo. O que ele iria pensar de mim agora? Que sou uma grande mentirosa que tem algo a ver com a morte do namorado? Tudo o que Lewis me perguntou naquele dia e eu respondi eram verdade, mas, com o passar do tempo, tornou-se mentira.
Eu quero falar a verdade, quero ajudar na investigação. Tudo que Lewis e o resto da equipe querem é pegar o serial killer com as nossas verdades. E eu não podia fazer isso. Claro que iria responder às perguntas com toda a minha sinceridade, mas teria que omitir várias partes para que eles não desconfiassem de mim. Policiais sabem quando alguém está escondendo algo, e se eles pensarem que esse algo tem a ver com a minha participação nos crimes? Isso eu não poderia suportar, Joe precisava de mim para encarar o mundo e o seu assassino. Eu teria que soar o mais convincente possível. Teria que fazer as minhas mentiras parecerem verdades.
Quando entrei na delegacia com Joe ao meu lado, tudo o que vi nos semblantes das pessoas sem uniforme oi medo. Encontrei alguns rostos conhecidos parados em lente a uma sala que dizia na porta — Interrogatório. A porta estava fechada, alguns de meus colegas estavam ali. Uns esperando pelos outros, ninguém falava. Os murmúrios de vozes saíam de todos os lugares, menos naquele espaço. Esperei a minha vez como todos os outros.
— Demi Lovato — chamou Lewis se dirigindo a mim, quando saiu da sala com um garoto pálido. Aparentemente eu não era a única a ficar com medo daquilo tudo.
— Lewis — eu disse seu nome com um aceno.
Meu coração queria fugir pela boca de tanto que batia. No momento que botei meus pés dentro daquela sala fechada eu quis dar meia-volta, sair correndo e nunca mais olhar para trás. A sala não era grande nem pequena. As paredes eram de um verde-escuro horrível, a mesa era retangular e de metal. O espelho duplo era tão grande quanto o quadro negro das salas de aula de Stanford. Lewis não era o único a estar na sala, um homem sem uniforme esperava sentado em frente à mesa.
Vários papéis se encontravam em frente a ele.
— Sente-se, Demi, e fique à vontade — disse o homem que não era novo nem velho. Usava óculos de grau com armação preta e pude ver seu nome quando sentei-me em sua frente. Terry Kind — Psiquiatra. — Sou Terry Kind e irei lhe fazer algumas perguntas. Espero que as responda com sinceridade — eu apenas esbocei um sim com a cabeça. Lewis havia fechado a porta e estava encostado à parede espelho. Seus olhos não se despregavam dos meus e isso deixou pouco à vontade.
— Você conheceu as três vítimas? — ele fez a primeira pergunta colocando em minha frente as fotos de Joe e dos outros garotos.
— Conhecia Joe e Gabriel — respondi apontando para os rostos bonitos e sorridentes.
— Qual era a sua relação com eles?
— Joe era meu namorado e apenas me encontrei com Gabriel uma vez.
Terry iria perguntar mais alguma coisa, mas Lewis foi mais rápido que ele.
— Essa não foi sua resposta na primeira vez em nos vimos — afirmou Lewis muito sério, trocando o peso do corpo de lado. Eu já esperava essa pergunta, não queria deixar que percebessem o quão nervosa eu estava, apesar do meu coração bater tão rápido e de minhas palmas suavam.
— Começamos a namorar provavelmente umas semanas antes de ele morrer. Ninguém sabia. Acho não queria que todo mundo ficasse com pena da namorada do cara morto — respondi, soando o mais sincera possível.
— E quanto à discussão com o professor Bradley? Você disse que não sabia nada do assunto — perguntou Lewis, novamente. Ele estava sério, como qualquer policial estaria, mas não estava com aquela voz ameaçadora. Apenas queria saber o porquê das minhas mentiras. Senti que ele não me considerava culpada e isso me deixou mais calma. Ainda mais quando Joe finalmente apareceu, atravessando a porta como qualquer fantasma faria e ficou perto de Lewis.
— Eu não tinha nada a ver com aquele assunto. Queria que Brian resolvesse tudo, mas vi o quanto covarde ele era quando não disse nada.
— E por que omitiu essas informações? Está omitindo alguma coisa agora?
Fiquei um pouco brava com a pergunta, mas até que eu havia merecido essas perguntas.
— Eu havia visto meu namorado morto na mesa do necrotério em meu primeiro dia de trabalho. Então me desculpe por ter ficado tão abalada com o assunto e não conseguir pensar direito nas respostas que você queria ouvir respondi com dureza. — E não, eu não estou ocultando nada. Estou respondendo às perguntas com sinceridade, como o Terry aqui me pediu — isso soou convincente. Eu vi nos olhos dos três homens que estavam presentes naquela sala.
— Notou algo diferente no comportamento de Joe  antes de ele morrer? — perguntou Terry.
— Ele apenas estava muito irritado com Brian, por ter feito o que fez. Joe confiava nele. Ele passou semanas aperfeiçoando aquele trabalho sobre DNA, poderia ate virar um livro, de tão perfeito que Joe o fez. Então quando Joe descobriu o que Brian havia feito decidiu ir conversar com ele. Pedir para Brian falar a verdade para professor Bradley. Ele foi e nunca voltou.
— E quanto a Gabriel?
— Eu o vi apenas uma vez. Ele estava feliz porque iria visitar a família.
— Onde você estava no dia do assassinato de Joe? Em 22 de setembro, por volta das 3 ou 4 horas da madrugada? — agora era o momento dos álibis. Essa seria fácil. Joe finalmente saiu de perto de Lewis e foi para perto de Terry que folhava os papéis à procura dos horários da morte. Pude ver que Danny lia o que podia sobre os acontecimentos sobre tudo o mais que conseguia ler.
— Em minha cama.
— Alguém pode confirmar isso?
— Minha colega de quarto, Vanessa.
— Em 29 de outubro, por volta das 19 horas?
— É bem no horário de meu trabalho, eu nunca faltei. Troy, meu chefe, pode confirmar isso.
— Em 10 de novembro, por volta das 3 horas da madrugada?
— Dormindo. Eu não sou uma garota festeira.
— Tudo bem. Acho que terminamos por aqui — disse por fim Terry. Meu coração, que havia antes se acalmado, começou a bater mais rápido. Dei-me conta de que não queria que aquilo acabasse. Queria pelo menos saber de alguma informação a mais.
— Vocês sabem de algo concreto? Mais alguma informação? — perguntei quando levantei. Lewis foi até mim e me respondeu.
— Quando soubermos de alguma coisa, Srta. Lovato, entraremos em contato.
— Mas eu quero saber quem fez isso com meu Joe — disse eu, à beira das lágrimas. Isso saiu tão naturalmente que até eu fiquei impressionada. Mas, na verdade, crua verdade. Joe e os outros dois presentes na sala ficaram quietos olhando-me com um olhar de tristeza.
— Estamos fazendo o possível, Demi. Não descansaremos até esse cara estar atrás das grades — anunciou Lewis colocando a mão em meu ombro e o apertou. Eu assenti e ele me guiou até a porta, abrindo-a.
Vi mais rostos assustados quando saí da sala de investigação. Apesar de estar tristonha, quase à beira das lágrimas, eu estava calma e aliviada.
— Não é tão ruim — sussurrei para as três pessoas que esperavam sua vez. Dois sorriram para mim, tornando suas expressões mais agradáveis. O outro me olhou como se eu fosse maluca.
O sol ainda brilhava bastante quando coloquei meus pés no lado de fora da delegacia. Com o frio agravado, o sol estava fazendo milagres. Eu vestia um sobretudo preto, com calça jeans e uma bota até os joelhos e ainda estava com frio. Era estranho ver Joe ao meu lado usando em cima uma mera camiseta branca.
— Parabéns, você não é uma suspeita. Depois que você fez aquele drama todo com a minha morte, Terry escreveu “inocente — álibi confere” no lado de seu nome.
— Ótimo — disse em voz alta como se eu estivesse caminhando com uma pessoa real a meu lado. Um cara que passou por mim olhou-me de cima a baixo e ainda continuou olhando quando passou por mim. Ele exibia uma expressão não muito agradável, me olhava como se eu fosse uma doente mental. Talvez eu esteja mesmo louca, quem sabe.
Caminhei com Joe até a parada de ônibus e esperei. O ônibus chegou cinco minutos depois, e estava quase vazio quando entramos.
Joe me contava o que ele havia lido nos papéis de Terry enquanto ele me fazia perguntas.
— Os principais suspeitos são Brian e Aaron. Aaron não conseguiu responder o que andava fazendo na hora dos assassinatos. Provavelmente ele estava caindo de bêbado em algum lugar do campus — ele fez uma pausa. — Seu álibi foi confirmado com Vanessa e Troy. O policial Lewis deve ter perguntado a eles onde você andava, porque você mentiu na primeira vez — ele parou e soltou uma gargalhada. Que bom que ele estava se divertindo à minha custa. — Mas eu não posso acreditar que meus dois melhores amigos são os principais suspeitos de serem o serial killer. E, pior ainda, suspeitos pelo meu assassinato — murmurou ele depois de subitamente parar de sorrir. Ele encarava o chão do ônibus com um olhar triste. Eu nem poderia imaginar o que eu sentiria se Vanessa ou Ster fossem suspeitos pelo meu assassinato, por exemplo. Joe estava sofrendo, tudo que consegui fazer naquele momento foi dar um sorrisinho para ele de leve e ainda sim um carinha lã do fundo do ônibus pensou que fosse para ele.
Quando desci do ônibus com Joe flutuando ao meu lado fui diretamente para o necrotério de Stanford, onde Troy me esperava. Eu já estava dez minutos atrasada. Vanessa não se incomodou, ele sabia que eu havia estado na delegacia. Ele tinha deixado o trabalho da recepção para mim, principalmente organizar toda a papelada. Fiz tudo enquanto Joe ainda falava sem parar no meu ouvido. Eu ouvia certas palavras, mas estava tão perdidamente afundada em meu trabalho que não consegui prestar muita atenção a ele. Soltei um bocejo quando Troy veio me oferecer um sanduíche de salada, eu aceitei. Estava faminta, havia esquecido de comer quase o dia todo.
— Você deve ir embora — disse Troy enquanto mastigava eu próprio sanduíche.
— O quê?
— É melhor você ir para o seu alojamento. Você parece muito cansada, e, além do mais, você fez um ótimo trabalho com toda essa papelada — disse ele. Eu quis negar, dizer que não, que eu estava ótima, somente com muitos pensamentos em minha cabeça. Mas eu estava mesmo cansada e queria muito a minha cama.
— Tudo bem — murmurei com um leve sorriso.
Vesti meu sobretudo que estava pendurado atrás da porta e segui para a noite. Quando abri a porta pesada urna rajada fria de vento percorreu meu corpo. Eu tremi. Fechei o casaco e me abracei. Com o vento, era difícil respirar, meu nariz parecia congelado, comecei a respirar pela boca.
O silêncio na noite era profundo. Só ouvia meus próprios passos e os gemidos do vento. Não era muito tarde, talvez fosse lã pelas 22 horas e nem mesmo uma alma se encontrava pelas pequenas ruas do campus de Stanford.
— Que sinistro — murmurou Joe, percebendo, como eu, a noite silenciosa e deserta.
Meus passos não eram apressados, na verdade eu caminhava na velocidade de uma tartaruga. Eu poderia ter medo daquela noite parada e gélida, mas tudo o que senti foi paz. Joe apenas me acompanhava, olhando para todos os lados. Talvez procurando algo. Meus olhos se fixaram no chão, estava quase prestes a cantar quando Joe parou. Eu ia perguntar o que estava errado quando ele levou indicador à boca, me pedindo silêncio.
— Vire-se devagarzinho e saia correndo — sussurrou e com um tom assustado. Meu coração, que antes se encontrava pacífico e feliz, agora batia como uma metralhadora.
Queria ver o que havia assustado tanto Joe, então virei meu rosto para frente. Congelei. Eu poderia me virar, sair correndo, mas o quanto medrosa eu seria? O serial killer do campus estava bem à minha frente fazendo outra vítima.








XOXO Neia *-*
Será que o serial killer vai fazer da Demi a próxima vitima??? O Joe irá ajudar?? Ela vai descobrir quem  é o misterioso assassino?? Façam as vossas apostas :)
Continuem comentando pff...no cap. anterior foram fraquinhos :(
Kiss <3