quinta-feira, 5 de junho de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 11

Sabe aquela sensação de que você está debaixo d’água e tudo o que escuta são vozes distorcidas? Foi assim que eu me senti quando acordei com Vanessa e Joe tentando me acordar para não perder meu primeiro horário de aula. Enquanto Vanessa me sacudia, Joe gritava para me acordar.
— ACORDA, RAIO DE SOL — gritou Joe.
— Parem de gritar, já vou acordar, Deus do céu. — resmunguei enquanto esfregava os olhos.
— Em primeiro lugar, Demi, você já perdeu o primeiro o segundo horário. Tentei te acordar enquanto estava saindo hoje cedo, mas você simplesmente não se mexia. Parecia uma lagartixa morta — disse ela sentando se na minha cama.
— E em segundo e terceiro lugar?... — perguntei ainda de olhos fechados.
— Não tenho a menor ideia, não sei por que diabos comecei com essa contagem — Vanessa respondeu e eu soltei uma gargalhada. Acho que simplesmente fiquei feliz por ela não ter comentado o meu “Parem de gritar”, já que ela não estava gritando e que havia apenas eu e ela dentro do quarto.
— Como vão as coisas entre você e Aaron? — decidi que se ela falasse sobre a própria vida, ela esqueceria as perguntas que ela queria me fazer. Como, por exemplo, como eu sabia que Brian havia roubado o trabalho de Joe, que Joe e eu supostamente estávamos namorando e não sabia de nada.
— Estão ótimas, Demizinha, estamos transando feito loucos, mas o que eu quero saber é por que você não me contou que você e Joe mortinho da silva estavam namorando? — ah, eu sabia que esse assunto iria se arrastar rapidamente pelo campus inteiro eventualmente.
— Aconteceu, Vanessa, e quando eu me dei conta ele estava morto e ninguém mais sabia que estávamos juntos — respondi tão naturalmente que até parecia verdade. Minha cama estava tão confortável eu não queria sair dali nunca mais.
— Bom, pelo menos, agora, eu e Ster sabemos por que, você ficou naquele modo zumbi estranho por tanto tempo. Você estava com saudades dele, não é? — perguntou ela com um tom de tristeza. Pelo menos algo de bom veio de toda a falação, eu não podia simplesmente dizer que estava tão deprimida porque um fantasma não queria mais me ver. Acho que o luto me faria parecer uma pessoa mais sã.
— Você me descobriu — respondi com um sorriso sem graça como se ela tivesse me pego no flagra.
— Você poderia ter me dito, eu poderia ter te ajudado — ela disse de uma maneira que me fez sentir vergonha, como se eu não fosse uma boa amiga. Mas eu estava justamente ocultando Joe-fantasma dela por querer protege-Ia.
— Desculpe-me, Vanessa, eu deveria mesmo ter te contado, mas naquele momento achei que poderia resolver as coisas sozinha.
— Hum... eu te perdoo. Mas só se você levantar sua bunda magrela dessa cama, for tomar banho e almoçar comigo e com Ster. Vamos te esperar no refeitório — ela deu um tapa em minha bunda e saiu porta afora, sorrindo. Joe estava parado em frente à minha escrivaninha e seguiu-a com o olhar.
— Você teve sorte de dividir o quarto com Vanessa, ela é uma boa garota — ele disse.
— Também acho, ela é minha melhor amiga — murmurei sorrindo para ele. Eu estava prestes a entrar no banheiro quando perguntei — Você acha que eu devo contar a ela?
— Sobre mim? — ele perguntou e eu fiz que sim com a cabeça. — Eu não me importaria se você contasse — eu dei um meio sorriso para Joe e entrei no banheiro.
Eu poderia dizer que eu era uma das garotas populares da Universidade, porque as pessoas sempre cochichavam quando eu passava, apontavam ou olhavam feio para mim. Eu já estava acostumada com aquilo, por assim dizer, mas os amigos de Brian estavam mesmo irritados comigo. Mas eu estava feliz por saber que Brian não havia espalhado para todos sobre os meus supostos poderes.
— Não ligue para eles, Demi. Você fez a coisa certa ontem, em relação ao Brian — Vanessa concordou comigo quando me sentei à mesa do refeitório com ela e Ster. Os cochichos sobre mim poderiam ter acabado quando eu sentei, mas os olhares dos amigos de Brian eram penetrantes. Até Joe se incomodou com aquilo e começou encará-los de volta, como se eles pudessem vê-lo.
— Sinto muito pelo Joe, Demi. Eu não teria agido como um completo idiota se soubesse que vocês dois estavam juntos — se desculpou Ster. Aquele gesto me fez gostar ainda mais de sua companhia e amizade.
Eu sorri para ele e lhe dei uma palmada de leve nas costas para mostrar que eu compreendia e o desculpava.
— Vocês não vão acreditar... — começou Aaron depositando sua bandeja em nossa mesa e se sentando ao lado de Vanessa. - A pele sob as unhas de Joe. Adivinhem de quem era? — Nós o encaramos, todos, inclusive Joe. — Era do Brian. O resultado de DNA demorou pra sair, mas ontem quando o policial Lewis veio pra questioná-lo, ele encontrou Brian no meio do escândalo na sala dos professores feito por você, Demi — disse ele apontando para mim. — Brian está lá na delegacia desde ontem quando o pegaram alegando que é inocente.., que Joe e ele apenas tiveram uma briga antes de Joe morrer — houve silêncio, e Aaron começou a devorar seu almoço. Joe não tinha me dito nada sobre qualquer briga, e eu achei isso estranho. Quando olhei para ele, sabia que ele pensava a mesma coisa.
— Vocês acham que Brian poderia mesmo ser o assas sino? — perguntei, incrédula. Os fatos poderiam levar até ele, mas eu mesma tinha conversado com ele quando Joe estava desaparecido e ele parecia mesmo preocupado. Mas seria pelo fato de ele tê-lo matado ou pelo fato de que Brian se importava mesmo com o amigo?
— Eu sou amigo de Brian, o cara pode ser  hardcore , mas eu não acho que ele é um serial killer — respondeu-me Aaron enquanto comia.
— Como assim  hardcore? — perguntou Ster, agora interessado.
— Sabe, ele é daqueles caras da pesada. Que gostam de festas e brigas de vez em quando, fazem de tudo para se dar bem nas provas e trabalhos. Essas coisas... — respondeu Aaron com a boca cheia de batatas fritas. Ster, eu e Vanessa nos entreolhamos. Será que o serial killer estava mais próximo do que a gente jamais poderia imaginar?
Enquanto policiais rondavam pelos corredores, Joe e eu caminhávamos até minha próxima aula, que seria de Microbiologia. A sala, por alguma razão, estava mais vazia que o normal. Aparentemente eu não era a única a querer ficar na cama até tarde. Mas o problema não era esse, muitos calouros decidiram que ficariam seguros em suas próprias casas, e com isso começou a haver mais faltas, e as aulas virtuais, pela internet, começaram a ser mais frequentes. Ou seja, enquanto eu estava ali na sala de aula escutando o professor, meus colegas estavam em suas camas ou sofás escutando e vendo o professor em suas casas. Os trabalhos podiam ser enviados por correio e as provas foram adiada por tempo indeterminado.
— Você realmente acha que Brian pode ser meu assassino? — perguntou Joe no meio da sala de aula enquanto estava sentado ao meu lado parecendo ser qualquer outro aluno.
Eu não sei, poderia ser?
Poderia parecer estranho, mas enquanto o professor ministrava sua aula eu conversava com Joe. Ele me perguntava normalmente e eu escrevia a resposta em meu caderno, que estava aberto. Não havia muitas pessoas perto de mim para perceberem que eu não escrevia a matéria do quadro ou o que o professor dizia.
— Eu pensei que ele fosse meu amigo, mas aí ele roubou meu trabalho e me fez parecer o cara mais idiota do mundo. Então eu não sei o que pensar. Ainda mais quando ele diz que brigamos, e eu não me lembro nada disso.
Você vai se lembrar, não se preocupe!
— Espero que sim... Há tantas coisas de que eu não me lembro. Seria muito mais fácil se eu me lembrasse de meu assassinato, não é? — perguntou ele entre sorrisinhos nervosos.
Acho que você lembrará quando for o momento certo :)
— Você provavelmente tem razão.
É claro que tenho razão. Sempre tenho razão. Hahaha
— Sabichona — ele disse, e eu dei um sorriso de leve. Não poderia simplesmente cair na gargalhada no meio da sala aula quando o professor falava sobre determinados tipos de bactérias. Eu iria parecer uma louca que tinha acabado de sair de um manicômio.
Sabe quando você está botando e tirando coisas em seu  pen drive? E sem querer seus dedos bêbados excluem seu trabalho mais importante do semestre? É, foi isso o que aconteceu comigo. Consideramos o pen drive uma salvação para muitas pessoas, mas, quando excluímos algo dele, não tem volta. Gosto de pensar que estamos em uma época boa em tecnologia, mas por que eles não podiam introduzir, sei lá, uma lixeira onde pudéssemos rever os arquivos excluídos, como em qualquer computador normal?
Minha entrevista com Lewis era dali a pouco tempo e já estava pirando. Fiquei encarando a tela do computador com o queixo caído por quase meia hora, não acreditando que algo assim algum dia pudesse acontecer comigo. Sou cuidadosa para essas coisas, ou pelo menos eu me considerava cuidadosa antes daquilo. Quando me dei conta do que tinha feito me deu uma intensa vontade de chorar e de quebrar tudo à minha volta, incluindo o computador e o drive. Bati os punhos na mesa com toda a força que eu tinha, de olhos fechados, mas isso não fez com que eu me sentisse melhor, apenas acrescentou mais uma dor no meu dia.
— O que houve? — perguntou Joe quando me sentada toda irritada em frente ao computador que se encontrava na escrivaninha.
— Perdi todo o meu trabalho de Anatomia. Desci murmurei quase à beira das lágrimas.
— E daí? Faz de novo — disse ele, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Isso me deixou com muita raiva.
— Você não entende. Eu fiquei dias escrevendo o trabalho, mais de duzentas páginas perfeitas no lixo. E como se isso não fosse suficiente, a entrega é para três dias. TRÊS DIAS, JOE! — gritei no final. Estava tão agitada que não consegui ficar mais naquela cadeira por muito mais tempo. Fiquei zanzando para lá e para enquanto Joe me observava sentado na cama. Seus olhos me acompanhando, ele nem se incomodou pela maneira que eu gritei com ele.
— Você se lembra das coisas que escreveu? — perguntou Joe depois de alguns minutos de silêncio. Acho que ele esperou um pouco para minha raiva sair do meu corpo.
— É claro que eu me lembro, fui eu quem escreveu. Mas não me lembro de tudo, não sou uma máquina, droga!
— Você acha que isso nunca aconteceu comigo? Na verdade isso acontece com todo mundo... Ficamos zangados, queremos quebrar tudo e gritar. Mas sabe o que fazemos depois? — perguntou ele com uma voz sensível amigável. Eu balancei a cabeça com um não. — Começamos a escrever novamente — disse Joe com um sorriso leve, e então ele levantou-se e foi até mim. — Escrevemos o que lembramos, acho que são as coisas mais importantes. Escrevemos coisas novas, melhoramos o que estava com nossa cabeça e no final tudo ficará bem. Afinal de contas, a professora Olivia adora você, tenho certeza de que se lhe disser o que aconteceu, ela vai entender e lhe dará mais alguns dias para finalizar o trabalho.
Joe entrou em minha cabeça. É claro que ele estava em meus pensamentos desde a primeira vez que o vi, mas não é isso o que eu estou dizendo. Quero dizer que suas palavras sobre o assunto me fizeram compreender. O que eu tinha feito estava feito, não posso voltar atrás, então tudo o que eu pedia fazer era respirar fundo, seguir em frente e deixar as coisas fluírem. Afinal, a vida nem sempre é lá uma maravilha.
— Você está certo — murmurei depois de respirar fundo, e olhei para os olhos claros em minha frente.
— Claro que estou certo. Sempre estou certo — ele disse, e eu caí na gargalhada. Eu havia dito algo parecido havia alguns minutos. Não acredito que ele lembrava das coisas que eu falava. Quero dizer, é muito raro os homens se lembrarem do que nó mulheres dizemos, não é? Pelo menos, é o que todo mundo fala, inclusive os homens.
— Temos que ir para delegacia — interrompeu Joe as nossas risadas.
— Você vai mesmo querer ir?
— É claro. Nunca iria perder um interrogatório de meu próprio assassinato — ele sorriu. A maneira que ele disse isso foi quase como se já tivesse aceitado a morte. Sem nenhuma tristeza. Acho que Joe era como meu trabalho excluído... sem volta.
Dava uns vinte minutos de ônibus até a delegacia e isso me deu tempo para pensar. Não tinha parado para imaginar antes como tudo aquilo que estava por vir poderia se tornar difícil. Quero dizer, Lewis estava na sala quando eu pedi para Brian dizer a verdade sobre o trabalho de Joe. Então isso provava que eu estava mentindo na primeira vez em que o vira, e que eu não sabia qual era o motivo da discussão entre Joe e o professor Bradley. E o fato de Joe ser meu namorado. Eu tinha dito a Lewis que ele era apenas meu amigo. O que ele iria pensar de mim agora? Que sou uma grande mentirosa que tem algo a ver com a morte do namorado? Tudo o que Lewis me perguntou naquele dia e eu respondi eram verdade, mas, com o passar do tempo, tornou-se mentira.
Eu quero falar a verdade, quero ajudar na investigação. Tudo que Lewis e o resto da equipe querem é pegar o serial killer com as nossas verdades. E eu não podia fazer isso. Claro que iria responder às perguntas com toda a minha sinceridade, mas teria que omitir várias partes para que eles não desconfiassem de mim. Policiais sabem quando alguém está escondendo algo, e se eles pensarem que esse algo tem a ver com a minha participação nos crimes? Isso eu não poderia suportar, Joe precisava de mim para encarar o mundo e o seu assassino. Eu teria que soar o mais convincente possível. Teria que fazer as minhas mentiras parecerem verdades.
Quando entrei na delegacia com Joe ao meu lado, tudo o que vi nos semblantes das pessoas sem uniforme oi medo. Encontrei alguns rostos conhecidos parados em lente a uma sala que dizia na porta — Interrogatório. A porta estava fechada, alguns de meus colegas estavam ali. Uns esperando pelos outros, ninguém falava. Os murmúrios de vozes saíam de todos os lugares, menos naquele espaço. Esperei a minha vez como todos os outros.
— Demi Lovato — chamou Lewis se dirigindo a mim, quando saiu da sala com um garoto pálido. Aparentemente eu não era a única a ficar com medo daquilo tudo.
— Lewis — eu disse seu nome com um aceno.
Meu coração queria fugir pela boca de tanto que batia. No momento que botei meus pés dentro daquela sala fechada eu quis dar meia-volta, sair correndo e nunca mais olhar para trás. A sala não era grande nem pequena. As paredes eram de um verde-escuro horrível, a mesa era retangular e de metal. O espelho duplo era tão grande quanto o quadro negro das salas de aula de Stanford. Lewis não era o único a estar na sala, um homem sem uniforme esperava sentado em frente à mesa.
Vários papéis se encontravam em frente a ele.
— Sente-se, Demi, e fique à vontade — disse o homem que não era novo nem velho. Usava óculos de grau com armação preta e pude ver seu nome quando sentei-me em sua frente. Terry Kind — Psiquiatra. — Sou Terry Kind e irei lhe fazer algumas perguntas. Espero que as responda com sinceridade — eu apenas esbocei um sim com a cabeça. Lewis havia fechado a porta e estava encostado à parede espelho. Seus olhos não se despregavam dos meus e isso deixou pouco à vontade.
— Você conheceu as três vítimas? — ele fez a primeira pergunta colocando em minha frente as fotos de Joe e dos outros garotos.
— Conhecia Joe e Gabriel — respondi apontando para os rostos bonitos e sorridentes.
— Qual era a sua relação com eles?
— Joe era meu namorado e apenas me encontrei com Gabriel uma vez.
Terry iria perguntar mais alguma coisa, mas Lewis foi mais rápido que ele.
— Essa não foi sua resposta na primeira vez em nos vimos — afirmou Lewis muito sério, trocando o peso do corpo de lado. Eu já esperava essa pergunta, não queria deixar que percebessem o quão nervosa eu estava, apesar do meu coração bater tão rápido e de minhas palmas suavam.
— Começamos a namorar provavelmente umas semanas antes de ele morrer. Ninguém sabia. Acho não queria que todo mundo ficasse com pena da namorada do cara morto — respondi, soando o mais sincera possível.
— E quanto à discussão com o professor Bradley? Você disse que não sabia nada do assunto — perguntou Lewis, novamente. Ele estava sério, como qualquer policial estaria, mas não estava com aquela voz ameaçadora. Apenas queria saber o porquê das minhas mentiras. Senti que ele não me considerava culpada e isso me deixou mais calma. Ainda mais quando Joe finalmente apareceu, atravessando a porta como qualquer fantasma faria e ficou perto de Lewis.
— Eu não tinha nada a ver com aquele assunto. Queria que Brian resolvesse tudo, mas vi o quanto covarde ele era quando não disse nada.
— E por que omitiu essas informações? Está omitindo alguma coisa agora?
Fiquei um pouco brava com a pergunta, mas até que eu havia merecido essas perguntas.
— Eu havia visto meu namorado morto na mesa do necrotério em meu primeiro dia de trabalho. Então me desculpe por ter ficado tão abalada com o assunto e não conseguir pensar direito nas respostas que você queria ouvir respondi com dureza. — E não, eu não estou ocultando nada. Estou respondendo às perguntas com sinceridade, como o Terry aqui me pediu — isso soou convincente. Eu vi nos olhos dos três homens que estavam presentes naquela sala.
— Notou algo diferente no comportamento de Joe  antes de ele morrer? — perguntou Terry.
— Ele apenas estava muito irritado com Brian, por ter feito o que fez. Joe confiava nele. Ele passou semanas aperfeiçoando aquele trabalho sobre DNA, poderia ate virar um livro, de tão perfeito que Joe o fez. Então quando Joe descobriu o que Brian havia feito decidiu ir conversar com ele. Pedir para Brian falar a verdade para professor Bradley. Ele foi e nunca voltou.
— E quanto a Gabriel?
— Eu o vi apenas uma vez. Ele estava feliz porque iria visitar a família.
— Onde você estava no dia do assassinato de Joe? Em 22 de setembro, por volta das 3 ou 4 horas da madrugada? — agora era o momento dos álibis. Essa seria fácil. Joe finalmente saiu de perto de Lewis e foi para perto de Terry que folhava os papéis à procura dos horários da morte. Pude ver que Danny lia o que podia sobre os acontecimentos sobre tudo o mais que conseguia ler.
— Em minha cama.
— Alguém pode confirmar isso?
— Minha colega de quarto, Vanessa.
— Em 29 de outubro, por volta das 19 horas?
— É bem no horário de meu trabalho, eu nunca faltei. Troy, meu chefe, pode confirmar isso.
— Em 10 de novembro, por volta das 3 horas da madrugada?
— Dormindo. Eu não sou uma garota festeira.
— Tudo bem. Acho que terminamos por aqui — disse por fim Terry. Meu coração, que havia antes se acalmado, começou a bater mais rápido. Dei-me conta de que não queria que aquilo acabasse. Queria pelo menos saber de alguma informação a mais.
— Vocês sabem de algo concreto? Mais alguma informação? — perguntei quando levantei. Lewis foi até mim e me respondeu.
— Quando soubermos de alguma coisa, Srta. Lovato, entraremos em contato.
— Mas eu quero saber quem fez isso com meu Joe — disse eu, à beira das lágrimas. Isso saiu tão naturalmente que até eu fiquei impressionada. Mas, na verdade, crua verdade. Joe e os outros dois presentes na sala ficaram quietos olhando-me com um olhar de tristeza.
— Estamos fazendo o possível, Demi. Não descansaremos até esse cara estar atrás das grades — anunciou Lewis colocando a mão em meu ombro e o apertou. Eu assenti e ele me guiou até a porta, abrindo-a.
Vi mais rostos assustados quando saí da sala de investigação. Apesar de estar tristonha, quase à beira das lágrimas, eu estava calma e aliviada.
— Não é tão ruim — sussurrei para as três pessoas que esperavam sua vez. Dois sorriram para mim, tornando suas expressões mais agradáveis. O outro me olhou como se eu fosse maluca.
O sol ainda brilhava bastante quando coloquei meus pés no lado de fora da delegacia. Com o frio agravado, o sol estava fazendo milagres. Eu vestia um sobretudo preto, com calça jeans e uma bota até os joelhos e ainda estava com frio. Era estranho ver Joe ao meu lado usando em cima uma mera camiseta branca.
— Parabéns, você não é uma suspeita. Depois que você fez aquele drama todo com a minha morte, Terry escreveu “inocente — álibi confere” no lado de seu nome.
— Ótimo — disse em voz alta como se eu estivesse caminhando com uma pessoa real a meu lado. Um cara que passou por mim olhou-me de cima a baixo e ainda continuou olhando quando passou por mim. Ele exibia uma expressão não muito agradável, me olhava como se eu fosse uma doente mental. Talvez eu esteja mesmo louca, quem sabe.
Caminhei com Joe até a parada de ônibus e esperei. O ônibus chegou cinco minutos depois, e estava quase vazio quando entramos.
Joe me contava o que ele havia lido nos papéis de Terry enquanto ele me fazia perguntas.
— Os principais suspeitos são Brian e Aaron. Aaron não conseguiu responder o que andava fazendo na hora dos assassinatos. Provavelmente ele estava caindo de bêbado em algum lugar do campus — ele fez uma pausa. — Seu álibi foi confirmado com Vanessa e Troy. O policial Lewis deve ter perguntado a eles onde você andava, porque você mentiu na primeira vez — ele parou e soltou uma gargalhada. Que bom que ele estava se divertindo à minha custa. — Mas eu não posso acreditar que meus dois melhores amigos são os principais suspeitos de serem o serial killer. E, pior ainda, suspeitos pelo meu assassinato — murmurou ele depois de subitamente parar de sorrir. Ele encarava o chão do ônibus com um olhar triste. Eu nem poderia imaginar o que eu sentiria se Vanessa ou Ster fossem suspeitos pelo meu assassinato, por exemplo. Joe estava sofrendo, tudo que consegui fazer naquele momento foi dar um sorrisinho para ele de leve e ainda sim um carinha lã do fundo do ônibus pensou que fosse para ele.
Quando desci do ônibus com Joe flutuando ao meu lado fui diretamente para o necrotério de Stanford, onde Troy me esperava. Eu já estava dez minutos atrasada. Vanessa não se incomodou, ele sabia que eu havia estado na delegacia. Ele tinha deixado o trabalho da recepção para mim, principalmente organizar toda a papelada. Fiz tudo enquanto Joe ainda falava sem parar no meu ouvido. Eu ouvia certas palavras, mas estava tão perdidamente afundada em meu trabalho que não consegui prestar muita atenção a ele. Soltei um bocejo quando Troy veio me oferecer um sanduíche de salada, eu aceitei. Estava faminta, havia esquecido de comer quase o dia todo.
— Você deve ir embora — disse Troy enquanto mastigava eu próprio sanduíche.
— O quê?
— É melhor você ir para o seu alojamento. Você parece muito cansada, e, além do mais, você fez um ótimo trabalho com toda essa papelada — disse ele. Eu quis negar, dizer que não, que eu estava ótima, somente com muitos pensamentos em minha cabeça. Mas eu estava mesmo cansada e queria muito a minha cama.
— Tudo bem — murmurei com um leve sorriso.
Vesti meu sobretudo que estava pendurado atrás da porta e segui para a noite. Quando abri a porta pesada urna rajada fria de vento percorreu meu corpo. Eu tremi. Fechei o casaco e me abracei. Com o vento, era difícil respirar, meu nariz parecia congelado, comecei a respirar pela boca.
O silêncio na noite era profundo. Só ouvia meus próprios passos e os gemidos do vento. Não era muito tarde, talvez fosse lã pelas 22 horas e nem mesmo uma alma se encontrava pelas pequenas ruas do campus de Stanford.
— Que sinistro — murmurou Joe, percebendo, como eu, a noite silenciosa e deserta.
Meus passos não eram apressados, na verdade eu caminhava na velocidade de uma tartaruga. Eu poderia ter medo daquela noite parada e gélida, mas tudo o que senti foi paz. Joe apenas me acompanhava, olhando para todos os lados. Talvez procurando algo. Meus olhos se fixaram no chão, estava quase prestes a cantar quando Joe parou. Eu ia perguntar o que estava errado quando ele levou indicador à boca, me pedindo silêncio.
— Vire-se devagarzinho e saia correndo — sussurrou e com um tom assustado. Meu coração, que antes se encontrava pacífico e feliz, agora batia como uma metralhadora.
Queria ver o que havia assustado tanto Joe, então virei meu rosto para frente. Congelei. Eu poderia me virar, sair correndo, mas o quanto medrosa eu seria? O serial killer do campus estava bem à minha frente fazendo outra vítima.








XOXO Neia *-*
Será que o serial killer vai fazer da Demi a próxima vitima??? O Joe irá ajudar?? Ela vai descobrir quem  é o misterioso assassino?? Façam as vossas apostas :)
Continuem comentando pff...no cap. anterior foram fraquinhos :(
Kiss <3 



sábado, 31 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 10


—Você foi absolutamente incrível — Joe disse, enquanto estávamos sentados na cama em meu quarto. Mas antes, é claro, eu já havia verificado se Vanessa e Aaron não estavam aqui ou ali fazendo Deus sabe o que. — Desde o momento em que eu fiz aquelas coisas explodirem no quarto de Aaron você lidou muito bem a situação — confessou ele sorridente.
— Ah, qual é, Joe? Eu fui demais desde o momento em que eu pisei no quarto de Brian. Foi você que amarelou quando ele veio pra cima de mim com cara de mal — eu disse entre gargalhadas.
— Tudo bem, você venceu. Mas eu não acredito que você levou o crédito pelas coisas que eu fiz no apartamento de Brian.
— Pois é, me desculpe sobre isso — disse sentindo-me envergonhada.
— Por quê? Não se desculpe, eu achei aquilo o máximo. Na verdade, sou eu que tenho que me desculpar porque perdi o controle daquela maneira. Eu não suporto a ideia de alguém lhe fazendo mal, isso... acaba comigo — ele confessou no final, aos sussurros.
— Quer saber a verdade? — eu perguntei e ele assentiu, indo sentar-se mais próximo de mim. — Eu sei que vai soar totalmente retardado o que vou dizer, mas ahh, eu nem importo mais. Quando... você faz aquelas coisas para me proteger... eu me sinto amada... por você — sussurrei. Não me importava mais se ele não sentia o mesmo em relação mim, eu apenas queria que ele soubesse.
Joe não disse nada, apenas se ajeitou na cama e ficou de frente para mim. Ele encarou a maneira que o meu cabelo caía sobre meu rosto, olhou profundamente nos meus olho e por fim para a minha boca.
Desviou o olhar de tudo o que era meu e limpou a garganta.
— Eu beijaria você, se pudesse — isso soou como um facada em meu coração. Ele finalmente estava admitindo que sentia algo por mim?! E aquilo não importava, de qualquer maneira, porque, no final das contas, não podíamos ficar juntos.
Eu me ajoelhei diante dele e cheguei pertinho de sua boca. Ele recuou.
— Você tocou no Aaron quando estava com muita raiva então talvez isso possa acontecer de novo — e eu tentei beijá-lo mais uma vez.
— NÃO, DEMI! - gritou Joe, e saiu de minha cama e de perto de mim. Eu só o tinha visto assim uma vez. E foi quando ele estava bravo com Aaron. Enquanto ele falava, ou melhor, gritava comigo, eu levantei- me de minha cama e fui caminhando até ele, e ele sempre ia recuando. — VOCÊ ACHA QUE EU GOSTO DE ME AFASTAR DE VOCÊ? EU QUERO TOCAR EM VOCÊ, EU QUERO TE BEIJAR. MAS NÓS NÃO PODEMOS, DEMI, POR FAVOR, ENTENDA ISSO. EU TE AMO, MAS SINCERAMENTE EU NÃO POSSO FICAR COM VOCÊ TODOS OS DIAS SE VOCÊ FICAR ME ATACANDO DE MINUTO A MINUTO! - Uma pessoa normal teria parado para recuperar o fôlego, mas Joe disse tudo isso sem precisar pegar mais um pouco e ar. Ele está morto Demi, ele não respira.
— O que você disse? — parei de segui-lo e perguntei com olhos arregalados. Ele me encarou e parou para pensar em o que eu queria saber, ou melhor, em eu querer que ele repetisse. Por um momento, eu pensei que havia imaginado aquelas três palavras e sete letras, mas de repente:
— Eu te amo — saiu de sua boca, de uma maneira tão doce que eu podia até chorar.
— Você está falando sério? — perguntei aos sussurros. Dessa vez foi ele que veio até mim e disse:
— Eu te amo tanto que morreria novamente por você — eu queria dizer aquelas palavras para ele também, mas ele me interrompeu antes que eu pudesse me mexer. — Eu te prometi que sempre ficaria ao seu lado, mas você tem que me prometer que não vai tentar me tocar novamente. — Eu tentei falar, mas hesitei. Ele continuou: — Por favor, Demi. Eu não suporto quando você se aproxima e eu tenho que recuar. Eu NÃO quero recuar, eu quero que você saiba disso. Eu quero você. — As palavras sinceras e nada rudes que saíam de sua boca faziam meus joelhos tremerem e meu coração pular de alegria. Para mim, ouvir aquelas palavras eram melhor que poder tocá-lo. Então foi por isso que eu sussurrei:
— Eu prometo — ele sorriu, e eu não pude deixar de fazer a mesma coisa.
— E você está atrasada — ele anunciou. Eu estava tão perdida naquele rosto divinamente perfeito que nem juntei as pecinhas de minha vida.
— O quê?
— Você está atrasada, Demi. Para seu estágio no necrotério.
— Oh — por mais que eu sabia o que aquelas palavras poderiam significar, eu ainda estava esperando palavras profundas de amor. Mas que bobagem, a minha.
— Eu te espero aqui — Joe disse e eu não entendi, ele reparou na minha testa franzida, então esclareceu mais as coisas. — Há um serial killer por aí, e você espera que eu deixe você caminhar por este campus sozinha?
— Mas ele só mata garotos! — eu disse sorrindo, enquanto abria meu guarda-roupa e procurava algo para vestir.
— Isso não vai me impedir — então ele me deu uma piscadela e eu sorri ainda mais. Que garota não ficaria feliz em ter aquele garoto que ela ama a seguir em todos os lugares somente para deixá-la mais segura?
Quanto mais tempo com Joe eu tivesse, mais feliz eu estaria.
Eu me troquei rapidamente porque obviamente eu estava atrasada, nem havia me lembrado que tinha estágio hoje à noite. O que era difícil, porque eu tinha TODOS os dias a noite estágio no necrotério da Universidade, exceto sábados e domingos. Mas a gente pode se esquecer das coisas ligeiramente quando a pessoa que você está apaixonada diz que te ama... Eu disse pessoa? Eu quis dizei Fantasma, você está me entendendo, não é? É algo muito rápido e simples de se entender. Garota está apaixonada por um fantasma, o fantasma está apaixonado pela garota. O resultado disso tudo? Eu não sei, ainda estou tentando descobrir como tudo vai se resolver. Ou eu sou burra o suficiente em pensar que um dia tudo vai se resolver. Mas eu sou uma das pessoas que gostam de pensar que tudo acontece por uma razão, Joe apareceu a mim, portanto, EU SEI que algo bom tem que sair disso.
Joe me acompanhou até o necrotério, até ficou me esperando no lado de fora da porta transparente da sala de autópsias. Ele olhava para dentro de hora em hora para se certificar de que eu ainda estava viva e bem. O que para mim pareceu a coisa mais doce que um rapaz jamais havia feito por mim, se bem que, por outro lado, dentro daquela sala havia apenas Troy, eu e os defuntos. Então eu sabia que nada ali dentro poderia acontecer, eu conhecia demais o Sr. T para descartá-lo como o serial killer que os policiais estavam procurando. A sala de autopsia apenas possuía uma entrada e uma saída, e isso Joe estava cuidando para mim e para o Sr. T, embora ele não soubesse.
— Sr.T? — disse seu nome quando ele descobria a causa da morte de um homem de aproximadamente 30 anos.
— Hum? — ele resmungou sem olhar para mim, e decidi seguir em frente.
— O tal Gabriel que foi assassinado pelo serial killer do campus... era o Gabriel que trabalhava aqui antes de mim? — perguntei e Troy parecia que não havia me escutado, ou que não queria me responder.
Pensei que seria a segunda alternativa, ele não era surdo, afinal de contas.
— Infelizmente sim, querida — murmurou ele docemente e com um olhar triste. — Não sei quem poderia estar matando esses garotos saudáveis e inteligentes. Um desperdício para a medicina moderna — ele continuou com aquele tom de dar dó. Troy, no decorrer dos dias e meses, tinha se tornado quase uma espécie de segundo pai para mim, ou, se não fosse isso, um bom amigo no ambiente de trabalho. Eu apreciava a companhia dele tanto quanto a de Vanessa. Ele era viúvo e seu filho já era um homem feito, que vivia com esposa e filhos, então Troy passava a maior parte do tempo cuidando do necrotério e falando com os mortos, literalmente.
— Ele estava tão feliz quando saiu daqui... Lembro-me de ter pensado que este lugar não era tão agradável, vendo a reação dele...
Mais uma vez Troy ficou em silêncio, e minutos depois retomou a conversa:
— Gabriel estava feliz quando saiu porque iria passar um tempo com seus pais. Ele não os via há uns bons três anos... eles moravam longe daqui, sabe, e os pais não podiam vir nem ele podia ir.
E novamente pensei no rosto feliz de Gabriel ao atravessar as portas para ir embora. No momento em que ele estava livre para rever seus pais.
Relembrar aquela cena me doeu o coração, e, assim como Troy, eu comecei a pensar em poderia matar esses garotos tão inteligentes e felizes.
Foi nesse momento que senti uma raiva tremenda do tal seriaI killer, eu mesma queria procurá-lo e levá-lo para a delegacia. Minha ansiedade de saber a verdade era tanta que sentia que poderia fazer de tudo para desvendar esse mistério. Enquanto eu observava o Sr.T mexendo nos órgãos do homem na mesa de autópsias, disse a mim mesma e faria de tudo para descobrir o assassino daqueles garotos, o assassino do meu Joe. Como ele ousou tirar essa pessoa de mim? E eu disse “ele” porque as chances de uma mulher ser uma serial killer são mínimas, ou pelo menos é o e dizem as pesquisas. Além disso, você tem que encarar os fatos.
Eu sou uma defensora das mulheres, mas será que alguma mulher seria capaz de assassinar três garotos superfortes que malhavam quase todos os dias e enforca-los com as próprias mãos? Não são todas as mulheres que conseguiriam tal feito.
Joe me acompanhou do necrotério até meu quarto, depois de meu turno. Ele ficou atento a todas as pessoas que passavam por nós e todos os barulhos que nos cercavam. Por mais medo que eu sentisse de encontrar o assassino, única coisa em que eu pensava enquanto caminhava ao lado de Joe era encontrá-lo em flagrante e descobrir quem ele era.
A noite passava rapidamente e eu estava morta de cansaço. Amanhã seria a minha entrevista com Lewis na delegacia, e eu pretendia responder as perguntas com toda sinceridade, mas também pretendia levar alguma informação de volta para meu quarto. Nem que isso significasse que ter que roubar o dossiê do assassinato de Joe e dos outros garotos.
— Boa noite — disse Joe, quando eu já me encontrava quentinha na cama e prestes a desmaiar de tanto sono.
— Boa noite — resmunguei.
— Boa noite, Demi — disse Vanessa. A minha intenção era dar aquele boa-noite para Joe, já que eu havia dado boa-noite para Vanessa momentos antes. O que pareceu algo estúpido de dizer para um fantasma, mas eu estava tão perdida de sono que nem me dei conta disso.









XOXO Neia *-*
Mais um cap. lindos...
Como irá ser a entrevista na delegacia?? 
Comentem, sigam e divulguem
Kiss <3

terça-feira, 27 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 9


— Ah, humm, no celular — respondi toda atrapalhada
— E cadê seu celular? — perguntou Aaron enquanto abotoava sua camisa xadrez. Aaron podia ser bonito e tudo mais com seu 1,80 metro, com seu cabelo preto perfeito caindo nos olhos e olhos escuros como se fossem pretos, mas eu NÃO queria vê-lo sem camisa.
— Está no meu bolso — respondi. Eu nem sabia se tinha bolsos naquela minha calça jeans, mas eu não iria ser pega no flagra naquela mentira, pelo menos não naquela vez. Eu tinha outra coisa em mente para tirar a atenção de mim.
— O que vocês estão fazendo aqui? Vocês não têm aula? — perguntei, levantando-me e cruzando os braços. Joe por alguma razão não havia desaparecido, ele estava ali comigo, encarando-os, como eu.
— Saímos mais cedo por causa daquele garoto morto. Daniel ou Guilherme, sei lá como era o nome dele — respondeu Aaron. A maneira como ele disse aquilo, sem o mínimo de respeito, deixou-me irritada.
— O nome dele era Gabriel, para sua informação — fiz uma pausa e continuei. — E vocês decidiram que seria melhor transar no banheiro por quêêê? — perguntei querendo uma resposta logo de cara, e foi a Vanessa quem respondeu.
— Na verdade, Demizinha, começamos no quarto, mas, quando você entrou falando sozinha, tivemos que continuar no banheiro — eu riria daquela situação, mas eu já estava irritada. Ainda mais quando Joe começou a rir.
— Eu não estava falando sozinha, eu estava no celular. E vocês continuaram transando no banheiro quando eu estava aqui? — os dois acenaram positivamente. — Argh, isso é nojento. Vocês não têm respeito, não? — Joe me lançou um olhar estranho, como se não entendesse do que eu estava falando.
— Como assim, nojento, Demi? Todo mundo faz... — perguntou Vanessa, e eu a interrompi.
— Não estou falando disso, dãã, estou dizendo que vocês poderiam ter parado quando eu entrei. Continuar em outro lugar que estivesse, sei lá, vazio — sei que isso podia parecer estranho, mas eu não gostava de estar em uma parte do quarto enquanto duas pessoas estavam mandando ver no cômodo ao lado, onde eu poderia entrar a qualquer momento. Já peguei duas pessoas no flagra uma vez e foi sinceramente um pesadelo. As pessoas poderiam pelo menos escolher um lugar que exista tranca, não é, para ter mais privacidade?!
— Vamos ter mais cuidado na próxima vez — disse Vanessa.
— E, por favor, procurem trancar o lugar em que vocês estão... Entendem? Não quero entrar de repente em meu quarto ou banheiro algum dia e ver vocês dois... sabem?! — acho que isso os fez entender o que eu estava tentando dizer todo aquele tempo, inclusive o Joe.
— Não sei por que viemos para o meu quarto, pra começo de conversa, Aaron. Você tem o quarto todo pra você desde que Joe morreu — disse Vanessa para Aaron, que assentiu. Foi estranho para Joe ouvir seu nome sair da boca de outra pessoa que não fosse eu, ainda mais com a palavra “morto” na mesma frase. Pude ver a tristeza era seus olhos claros.
Vanessa e Aaron decidiram que ainda não haviam terminado o que eles haviam começado na cama de Vanessa e no banheiro e saíram porta afora, mas antes eu consegui gritar:
— POR FAVOR, TRANQUEM AS PORTAS! — isso pelo menos fez uma pessoa rir: Joe.
—Esqueci totalmente de dizer para terem cuidado — revelei tristemente.
— Se eles trancaram a porta, como você pediu, eles estarão seguros — murmurou Joe, o que me confortou um pouco.
— Então me fale sobre o que você se lembrou ou vou ficar louca se não souber de uma vez. — Joe assentiu e eu me sentei, ele continuou em pé no mesmo lugar.
— Você me viu tendo uma discussão com Bradley uma vez. Eu não me lembro de muitas coisas, mas, às vezes, elas me voltam repentinamente. Estava discutindo com o professor Bradley por causa de um trabalho que eu havia feito. O professor Bradley acreditava em mim, me usava como exemplo nas aulas por ser um bom aluno. Mas quando ele me devolveu um trabalho com nota F, fiquei assustado, pois havia dado tudo de mim naquele trabalho. Sabia que algo estava errado, então descobri que alguém trocou o meu trabalho original por um comprado pela internet. O professor Bradley ficou muito de cara comigo, não acreditava que eu havia feito uma coisa daquelas. Disse a verdade a ele, mas ele não acreditou, disse que precisava de provas. O que eu podia fazer? Algum engraçadinho trocou o meu trabalho dedicado por uma cópia barata da internet. Descobri quem foi e decidi confrontá-lo. Não me lembro o que houve depois disso — Joe parecia arrasado depois de me dizer a verdade, O que ele disse depois fez meu coração se despedaçar em milhares de pedacinhos. — Vou ser lembrado por algo que eu jamais fiz. Bradley sempre pensará que eu não era a pessoa que ele pensou que eu era. Um fracassado que copiava os trabalhos da internet.
— Não vou deixar isso acontecer — eu disse sobressaltando-o.
Levantei-me da cama e fui até ele. Seus olhos mostravam uma tristeza inconfundível. — Qual é o nome dele? — perguntei aos sussurros. Ele demorou até me dar um nome.
— Foi o Brian — revelou-o quase que envergonhado.
— Seu melhor amigo, Brian? — perguntei surpresa e ele assentiu.
— Ele nunca foi um bom amigo, agora que parei para pensar. Ele somente queria a minha ajuda para se dar bem nas provas e nos trabalhos.
Nunca pensei que ele faria urna coisa assim para me prejudicar.
— Você acha que ele poderia te matar? — perguntei, direta. Joe não ficou surpreso com a pergunta, na verdade eu pensei que ele até mesmo a esperava.
— Eu pensei que ele era meu amigo, me pergunto o que mais ele estava disposto a fazer para me impedir de ser o que eu vim para cá para ser, ou o que ele faria para me impedir de dizer a verdade.
— Ele vai dizer a verdade — eu disse irritada. Joe franziu a testa, mas pareceu entender o que eu estava prestes a fazer. Eu fui até minha porta e a escancarei e depois fui à procura do ex-melhor amigo de Joe.
— Demi, por favor, não. Conte à policia, mas não vá sozinha até ele — pediu Joe preocupado enquanto eu caminhava até o quarto de Brian com passos apressados. Quando Joe reparou que eu não pararia de maneira alguma, ele tentou me impedir. Ele se pôs na minha frente, mas eu o atravessei.
— Por que fez isso? — sussurrei muito baixo quando o corredor se encontrava vazio.
— Ele pode ser o assassino e te matar, assim como ele me matou — murmurou ele muito perto de meu rosto. Ele estava bravo comigo, ele não queria mesmo que eu fosse até Brian. Mas eu já estava no corredor do quarto de Brian e decidi seguir em frente. — DEMI! — ele gritou e me seguiu.
A porta do quarto de Brian estava aberta, ou melhor, escancarada.
Havia uma meia dúzia de rapazes ali dentro conversando e bebendo cerveja. Quando eu entrei um deles assoviou, o que deixou Joe muito bravo e as luzes começaram a piscar. Eles notaram, um estava prestes a dizer alguma coisa quando eu disse em alto e bom tom:
— Brian, posso falar com você? — ele assentiu, mas quando vi seus coleguinhas não se mexerem, tive que acrescentar: — Em particular. — Pude ver na expressão de Brian que ele não tinha a mínima ideia sobre o que eu poderia querer falar com ele, mas pelo menos ele notou no meu tom de voz que coisa boa não era. Brian mandou os rapazes saírem em um tom educado, um deles mandou um “boa sorte” para Brian enquanto saiu porta afora e fechou a porta. Brian largou a cerveja e começou a me encarar, enquanto Joe avaliava a situação e a bagunça que era o quarto de Brian.
— O que você quer? — perguntou ele em um tom nada agradável.
— Eu quero que você fale a verdade sobre o trabalho que você roubou de Joe e disse que era seu — eu fui direta e pareci ameaçadora até para mim mesma, de tão séria que a minha voz saiu. Brian ficou petrificado e não soube o que dizer. Depois que eu dei um sorrisinho falso para aliviar a situação, ele relaxou.
— Como você sabe disso? Ninguém sabia a não ser eu e Joe — perguntou ele, interessado.
— Não interessa.
— Eu sabia que ele te achava uma coisinha linda, mas não sabia que vocês dois estavam se encontrando às escondidas.
A historinha de que se odiavam era só para o grande público? — perguntou ele entre risadinhas nervosas.
— Diga a verdade ao professor Bradley ou eu direi à polícia — mais uma vez minha voz saiu sombria, mas eu não liguei naquele momento.
Queria que ele me levasse a sério, mas a única coisa que ele fazia era sorrir daquele jeito estúpido.
— Uau, você sabe de tudo mesmo, hein?? — de repente a maneira envergonhada que ele exibia em seu rosto se tornou algo sério e assustador. Ele veio até mim tão rápido que nem vi quando seu rosto estava a centímetros do meu. — Como você sabe que eu não sou o assassino? — perguntou ele rispidamente, muito próximo ao meu rosto, de modo que eu podia sentir seu hálito nojento de cerveja. Ele me olhava de uma maneira amedrontadora; eu não sei o que tinha dado em mim, mas eu sabia que ele não era o assassino. Estava fazendo aquilo somente para me intimidar, e a única coisa que eu consegui fazer foi rir na cara dele. Joe não gostou nadinha daquilo; as luzes do quarto piscavam rapidamente.
— Acho melhor você sair daqui agora, Demi — exigiu Joe do meu lado esquerdo. Eu não o olhava, mas eu tinha a certeza que ele estava irritado e com medo em relação à segurança que eu sentia.
— Você acha que eu sou burra só porque sou loira? Nem em um milhão de anos um frangote que nem você poderia ser um serial killer! — Isso o deixou ainda mais irritado, mas a pose de assassino não estava mais lá. — Agora, eu quero que você vá até o professor Bradley e diga a verdade.
— Nunca vou fazer isso — ele disse rispidamente na minha cara.
— Você vai dizer a verdade ou eu farei você dizer a verdade — eu não era assim tão assustadora, mas quando alguém mexia com as pessoas que eu amava eu ficava uma fera. Brian prendeu seu sorrisinho no rosto quando as lâmpadas de seu quarto explodiram, todas as latinhas de cerveja voaram batendo nas paredes, algumas explodiram e outras apenas se abriram, derramando cerveja por todo o chão, a porta do banheiro se fechou sozinha num estouro, enquanto a porta da frente se escancarava.
Eu fiquei parada, no mesmo lugar que eu estava, como se tudo aquilo fosse normal para mim. Enquanto isso, Brian protegia sua cabeça com ambas as mãos, como um menino assustado.
— Quando Aaron me disse o que aconteceu com ele eu não acreditei. Você é o quê? Tipo a Carrie com poderes mentais? — perguntou Brian, agora assustado, avaliando o estrago que as cervejas haviam feito.
Eu não respondi, apenas fui até onde ele estava e agarrei seu braço esquerdo, o que o deixou ainda mais assustado do que antes. Eu era muito menor do que Brian, tinha míseros um metro e cinquenta e poucos e Brian tinha lá seus quase 1,80 metro e ainda sim era eu quem estava segurando seu braço e o ameaçando. Nós estávamos quase ultrapassando a porta aberta quando Joe me chamou.
— Demi, leve isso.
Eu me virei na direção em que Joe estava apontando, ainda segurando o pulso de Brian. Minha mão era tão pequena que eu mal conseguia segurar seu imenso braço malhado. Peguei o trabalho que apresentava um belo A+ com caneta vermelha sobre a escrivaninha e levei comigo. Brian me olhou com mais pavor quando viu que eu o havia encontrado.
— Mas como foi que você...
— Cale a boca — eu disse e segui em frente.
Eu ia caminhando com passos largos pela faculdade segurando fortemente o braço de Brian, enquanto todos os olhos passavam de mim para ele, como se eu estivesse prestes a matá-lo. Joe sorria ao meu lado, sem nada dizer. Eu queria rir com ele, mas aquela não era a hora para isso. Brian já pensava que eu era a Carrie, a estranha, e eu não queria mais nenhuma maluquice vinculada a meu nome.
— Se contar uma palavra sobre o que aconteceu em seu quarto eu vou fazer você perder a memória, inclusive tudo que aprendeu sobre medicina. Terá que aprender tudo de novo. Você quer isso? — perguntei enquanto caminhávamos rapidamente.
— N-n-n-ão. Por favor, não faça isso.
— Isso só depende de você — eu decidi usar contra Brian o que ele mais temia. Joe disse que Brian queria ser um ótimo médico e que queria ser o melhor da classe, por isso quis tirar Joe daquela competição. Joe estava prestes a dizer algo muito inteligente e engraçado para mim quando chegamos aonde eu queria: a sala dos professores.
Eu dei uma batidinha leve na porta e segui até o professor Bradley, que se encontrava sentado a urna mesa redonda, corrigindo trabalhos Olivia, Ben e outros dois professores que eu desconhecia estavam na sala.
O cômodo não era muito grande, no total havia seis mesas redondas verdes e uma mesa retangular com guloseimas e o cafezinho. O clima da sala não era completamente triste, mas havia, sim, um clima pesado.
Quando entrei apressadamente, quase todas as cabeças se viraram para mim e para Brian. Joguei o trabalho verdadeiro de Joe na frente de Bradley e com isso eu chamei a atenção de todos os presentes na sala.
— Mas que diabos...? — anunciou Bradley tirando os óculos de leitura e encarando a mim e a Brian com olhos irritados, exigindo uma explicação. Eu finalmente larguei  o pulso de Brian, que começou a massageá-lo. Olivia me fitava com um olhar confuso.
— Diga a verdade — eu disse, apontando para o trabalho na frente de Bradley, soando muito irritada. Brian fez cara feia para mim, eu cruzei os braços o encarei até que ele começou a falar. Enquanto tudo isso acontecia, Joe estava sempre ao meu lado. O que me deixou feliz.
— Tudo bem, Deus do céu — começou Brian, e todos os presentes na sala dos professores olhavam para ele confusos e ansiosos. — Joe Jonas não tirou aquela cópia da internet, eu fiz aquilo porque roubei o trabalho dele e coloquei o meu nome. Eu estava precisando de uma nota boa na sua matéria, professor Bradley, e ele estava tão bem nas notas.., então eu fiz isso. — Brian bufou depois que revelou a verdade, como se um grande peso tivesse sido tirado de suas costas. O senhor Bradley, assim como todos os outros professores, encaravam Brian com deceção. Depois que Bradley olhou de Brian para mim, ele pôs seus óculos para ler e começou a folhar o trabalho que devia ter no mínimo umas duzentas páginas.
— Eu sabia que você não era inteligente o bastante para Fazer isso. Este trabalho aqui é uma obra prima — disse Bradley levantando o trabalho sobre DNA de Joe para todos os presentes verem. Joe sorriu, eu sabia que ele estava Feliz da vida por Bradley estar elogiando o seu trabalho para todos, ainda mais por ter tirado a nota mais alta. Brian tentou se virar para sair da sala, mas eu o impedi.
— Não tão rápido — eu disse, pegando em seu pulso novamente. — Você teve alguma coisa a ver com a morte de Joe e dos outros garotos? — perguntei, e ele esbugalhou os olhos.
— É claro que não, mas por que eu... — não o deixei terminar, dei- lhe um tapa na nuca que fez seus cabelos loiros escuros se emaranharem.
Brian apenas soltou um “Eí!” e começou a passar a mão na nuca.
— Demi — pediu Olivia depois de meu tapa com um olhar de “Pare”.
— Ele é um idiota — eu disse como se fosse a coisa mais lógica na face da terra.
— Mesmo assim, deixe-o falar — ela me lançou um meio sorriso, ela concordava comigo. Isso fez com que eu me sentisse menos mal em relação ao tapa.
— É claro que não matei nem o Joe nem os outros — Brian disse. E é claro que eu pensei que ele criaria uma longa defesa em sua pessoa, mas isso somente foi tudo o que saiu de sua boca.
— Ele me ameaçou no quarto dele! Quando Joe descobriu a verdade sobre o que ele havia feito, Joe foi falar com ele, mas nunca mais voltou — eu contei aos professores, mais diretamente para Bradley e Olivia. Houve um grande silêncio na sala até que Brian decidiu abrir a boca.
— Ele veio conversar comigo sim, mas, quando ele saiu, estava vivinho da silva tá legal?!
Eu revirei os olhos e cruzei meus braços.
— Como você sabe disso, Demi? — perguntou Olivia surpresa, e eu já estava esperando que essa pergunta pudesse surgir. Então não fiquei surpresa nem apavorada por mentir.
— Joe e eu estávamos namorando. Ele me disse que Brian havia pego o trabalho dele, que iria confrontá-lo, mas depois dessa conversa ele não apareceu mais — eu disse como uma namorada atordoada pela morte de seu namorado. Tinha até lágrimas nos meus olhos, e Joe me olhava impressionado.
— Por que não contou e nos trouxe a verdade antes? — continuou Olivia com as perguntas.
— Porque achei que esse idiota aí iria criar coragem ser homem o suficiente para contar a verdade — e foi aí que eu comecei a chorar. Olivia se levantou da mesa redonda, foi até mim e me abraçou. Sussurrou coisas gentis em meu ouvido e me levou até o sofá azul escuro que eu nem havia reparado que havia no canto esquerdo da sala. Foi aí que eu percebi que Lewis estava parado na porta atrás de nós, observando toda aquela cena.
— Venha comigo, meu filho — pediu Lewis para Brian.
— Mas eu não fiz nada — insistiu Brian levando as mãos para cima, como se alguém tivesse dito para ele erguer as mãos em vista e se ajoelhar.
— É só uma conversa, filho, vamos — Brian cedeu e foi com o policial Lewis. Os professores encaravam a situação como se nunca houvessem deparado com isso antes, mas eu acho que a maioria ali nunca tinha sequer conversado com um policial.

Eu fiquei no sofá com Olivia, ela me passou um café bem quente e me envolveu com seus braços gentis. Eu não sabia dizer naquela hora a expressão maravilhosa que Joe revelava, lá no meio da sala, com os braços cruzados, seus olhos brilhando e um sorriso imenso estampado no rosto, me olhando. Pensei que ele desapareceria como todas às vezes, mas não, ele continuou ali, me esperando até que eu decidisse ir para meu quarto.





XOXO Neia ;)
Mais um cap. gente linda...Que acham que irá acontecer?? Será que é o Brian o misterioso assassino?? Façam as vossas apostas ;)
Já sabem, comentem, divulguem, sigam...enfim, o que quiserem!!!
P.S: Apesar de não responder aos comentários, eu leio eles todos...por isso mt obrigada pelo vosso apoio <3 <3

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 8

— Olha só quem voltou para a terra dos vivos? — perguntou Vanessa empolgada como se tivesse acabado de ganhar na loteria.
— Eu estou vendo coisas? É mesmo a Demi, vivinha da silva? — perguntou Ster levantando-se de seu lugar no refeitório e abriu os braços para mim com um sorriso estampado no rosto. Por que essa agora de ficarem me comparando a zumbis? Eu não estava mordendo ninguém a procura de carne e sangue, eu estava apenas vivendo na minha. Eu até gostava dos filmes de zumbis como  Resident Evil e  ZombieLand,  mas eu não tinha nada a ver com eles, e isso já estava me dando nos nervos.
— Ok, sem mais palavra envolvendo zumbis ou eu bato em vocês — disse, decidida.
— E ela está de volta — Ster disse me apertando em mais um abraço, e eu deixei a irritação de lado e abri o melhor sorriso que tinha para meus amigos. Isso os deixou felizes, e a nossa refeição ficou mais agradável.
Lá estava eu novamente em meu canto no refeitório ao lado de Ster e Vanessa. Eu pensava que as coisas haviam mudado, como se os garotos tivessem de repente ficado mais maduros, ou as patricinhas tivessem adquirido mais bondade em seus corações, mas não... tudo continuava como quando os deixei. A não ser, é claro, o caso amoroso secreto entre Vanessa e Aaron.
Eu pensava que as desculpas de Aaron iriam vir em, sei lá, uma semana, ou no mês que vem, ou talvez até nunca, mas Aaron havia aparecido em nossa mesa no refeitório e sentado ao lado de Vanessa. Então ele me encarou. Foi engraçado ver Ster naquela situação, ele franzia a testa de Vanessa para Aaron e depois de Aaron para mim. Ster não estava entendendo absolutamente nada daquela situação. E nem as pessoas que estavam sentadas perto de nossa mesa; eu apenas ouvia uns cochichos e olhares em nossa direção.
— Tá legal, o que está havendo? — perguntou Ster decidido.
— Aaron me prometeu que pediria desculpas a Demi — respondeu Vanessa como se estivesse orgulhosa e tivesse feito algo que nenhum outro ser humano poderia algum dia fazer. Eu pensei sinceramente que Aaron estivesse ali na nossa mesa apenas porque havia transado com Vanessa, mas... como eu estava errada. Estava? Ster, no entanto, notou algo mais.
— Vocês dois... — ele começou, mas não conseguiu terminar, então achei melhor eu terminar por ele.
— E eles tiveram uma noite especial ontem, que não envolvia roupas.
— DEMI! — gritou Vanessa, mas ela não estava magoada, apenas um pouco envergonhada, somente um pouco.
— Ah, qual é? O Ster é da turma, ele não se importa em saber das nossas experiências sexuais. Não é, Ster? — me virei para ele, que fez um não com a cabeça. — Viu, Ster é um dos únicos caras maduros desta faculdade — e com isso eu parei meu olhar em Aaron, que me olhava desconfiado, e que finalmente decidiu dizer o que havia ido fazer em nossa mesa.
— Eu sinto muito, Demi, sério mesmo. O Joe que me tirava das roubadas em que eu entrava, mas agora que se foi eu fiquei perdido. E eu não bebo desde aquela noite, pode confiar em mim. Nunca mais vou levantar a não para uma mulher; portanto, desculpe-me — disse ele envergonhado e passou a encarar a mesa depois de terminar. Vanessa passava a mão em suas costas e sussurrava algumas coisas em seu ouvido que nem eu nem Ster podíamos ouvir. Eu podia dizer que fiquei impressionada, Aaron não parecia ser tão ruim, afinal de contas.
— Tudo bem... está quase perdoado. Mas... se fizer uma coisa sequer que faça a minha Vanessa chorar, você vai se ver comigo. Vou te fazer coisas das quais você nunca ouviu falar na sua vida. Vou fazê-lo chorar como uma criança e implorar por ajuda. — Acha que eu fui muito dura? Eu não, homens precisam de uma gelada de vez em quando. Todos na mesa olharam para mim como se eu tivesse dito que iria matar o cara, um silêncio mortal reinou até que ouvi:
— Muito bem, Demi, estou orgulhosa de você — isso não veio de ninguém da minha mesa, mas de Joe, se encontrava sentado ao meu lado. Eu nem olhei para e apenas disse:
— Está entendido, Aaron? Se tudo der certo, eu perdoo completamente.
— C-c-claro — respondeu ele de mãos dadas com Vanessa.
— Meu Deus, por onde você andou por todo esse tempo? — perguntou Ster, olhando-me com olhos esbugalhados.
— O quê? Estava apenas sendo sincera. Eu trabalho e um necrotério, pelo amor de Deus. Sei de várias ferramentas que vocês nunca ouviram falar — essa foi a minha resposta e eu não deveria ter dito tudo aquilo. Pareceu ainda mais que eu era uma louca assassina, Aaron ainda me encarava com medo, Vanessa o reconfortava e Ster... bom, os olhos que ainda estavam esbugalhados. Virei-me para o lado esquerdo e encontrei um Joe sorridente que de repente levantou polegar para mim, claramente mostrando aprovação e que eu tinha todo o controle da situação. Eu revirei os olhos e voltei para minha comida, que ainda estava intocada.
O assunto foi esquecido no ar depois de poucos minuto graças aos deuses, e as nossas conversas foram ficando um pouquinho mais agradáveis.
Eu disse um pouquinho.
— Então vocês estão oficialmente namorando? — perguntou Ster.
Não sei se o tom dele significava aprovação ou não. Vanessa não se importava com o que ele pensava, era a vida dela, afinal de contas. Mas levar uma pessoa para a nossa mesa e para o nosso grupo que alguém não aprovava era algo... ruim? Desrespeitoso? Ainda mais alguém que já havia me agredido. É, ele pediu desculpas e tal, e eu quase aceitei, mas isso não significava que eu ou o Ster iríamos esquecer do assunto assim de uma hora para outra. Eu sabia que o Ster pensava o mesmo que eu quanto ao assunto de ele machucar a Vanessa, mas acho que não tão macabramente como eu.
— Estamos — respondeu um deles superanimado, e você não vai acreditar qual dos dois. Sim, foi o Aaron que disse isso, feliz da vida, Vanessa deve ter feito um ótimo trabalho na cama ontem à noite, porque o cara não tirava os olhos dela, ele estava “amarradão” nela, como diriam certos garotos festeiros. E como eu sei disso? Eu não digo nem que a vaca tussa.
— Que ótimo — murmurou Ster nem um pouco animado, perdeu totalmente o apetite em relação à comida que e encontrava em sua frente.
— Ihhh, Ster não gostou nada disso, mas pode limpar para ele, Demi, que Aaron não é tão ruim assim. Quero dizer, quando ele está sóbrio, é um cara legal. Fui colega de quarto do cara, então eu sei que ele vai tratar bem a Vanessa... desde que não beba — esse foi o discurso do Joe em relação ao namoro dos dois. Fiquei surpresa que alguém daquela mesa os aprovasse, e esse alguém nem vivo estava.
O sinal tocou antes mesmo de eu dizer o que eu pensava sobre aquilo, mas; eu e Vanessa teríamos tempo suficiente para conversar sobre o assunto em nosso quarto compartilhado. Fui andando até minha sala de aula com Joe ao meu lado. Pela primeira vez, ele não falava nada, aquilo foi muito esquisito. Ele SEMPRE tinha algo para falar ou fofocar.
Deixei passar, eu não podia simplesmente perguntar a ele o que estava errado na frente de todo mundo sem que me chamassem de louca.
Fiquei surpresa por encontrar policiais em minha sala de aula, eram cinco ao todo. Perguntei a mim mesma o porquê de tantos deles. Eu não era a única, todos os alunos de anatomia descritiva estavam em alerta e sussurravam entre si para saber o porquê de tudo aquilo. Minha professora favorita, Olivia, conversava com um deles, e eu tinha certeza de que aquele que conversava com ela era o mesmo que havia me feito perguntas sobre o Joe no necrotério. O nome dele era Lewis, tinha muito gel no cabelo e sua barba havia crescido muito desde a última vez em que eu o vira. Além disso, ele parecia exausto, como alguém que não dormisse há dias, ou até mesmo semanas.
Caminhei com Joe, também surpreso, e sentei em meu lugar habitual. Dali eu pude reparar mais nos policiais que acompanhavam Lewis, que parecia ser o mais velho e mais exausto de todos, parecia o chefe da operação. Os outros policiais não impunham o mesmo respeito que Lewis, uma autoridade de fato. Quando ele começou a falar, todos os presentes fizeram silêncio, todas as centenas de pares de olhos olhavam para o policial Lewis. Eu o olhei, mas por alguns segundos meus olhos se voltaram para Olivia. Ela estava sentada em sua cadeira, encarando a mesa azul clara, o cabelo loiro liso e comprido caía sobre os ombros, e sua expressão era de pura tristeza. Aquilo mexeu comigo, eu sabia que naquele momento a notícia não seria boa. Joe notou meu olhar sobre Olivia, a expressão dela e a minha, e ele entendeu o que eu sentia. Ele pôs sua mão perto da minha, que descansava na mesa, como se me desse um sinal de que estava ali comigo, de que eu não estaria sozinha depois daquele aviso. Isso me acalmou.
— Como vocês bem sabem, assassinatos vêm ocorrendo. Joe Jonas há mais de dois meses, Vincent Gomez há três semanas e agora Gabriel Santiago... — Lewis tentou continuar, mas o murmúrio estava alto demais e, além disso, uma garota no fundo da sala começou a chorar. — Ele foi encontrado ontem à noite no campus da universidade assassinado do mesmo modo que Joe e Vincent. Todas as vítimas foram estranguladas e deixadas em algum lugar da universidade. Já é o terceiro caso em menos de três meses, o que nos leva a crer que temos um serial killer perto de nós, pessoal. A única coisa que peço é que tenham cuidado de agora em diante, os garotos principalmente. Tentem sempre estar acompanhados de seus amigos e não fiquem zanzando pela universidade até tarde da noite. A questão é simples: querem permanecer vivos? Nada de festas e de correr riscos, isso é sério. Algumas vidas já foram perdidas, e eu odiaria voltar aqui e encontrar outro colega de vocês morto. — Lewis falava sério, e suas palavras eram assustadoras, o que causou pânico e muita falação, mas ele ainda não havia terminado. — É claro que estamos tomando providências, esses policiais se revezarão e ficarão disponíveis 24 horas por dia. Todos vocês serão interrogados por mim, que sou o encarregado do caso. Não importa quantos mil alunos há nessa faculdade, eu farei de tudo para descobrir onde esses garotos estavam, quem eram seus amigos, que festas frequentavam, em que brigas se envolveram e tudo o que conseguir descobrir com toda a ajuda de vocês. O horário de cada aluno já foi marcado e quem não comparecer receberá uma visita especial minha. Nada de gracinhas crianças... Os horários vão ser postos no mural da sala depois da aula. Tenham um ótimo dia e se cuidem.
E foi assim. Lewis nos meteu um medo tremendo de sair até mesmo da sala de aula sem companhia. Todos nós estávamos lá, parados, petrificados com o aviso de Lewis, até mesmo Olivia que não conseguiu dar mais aula e nos dispensou mais cedo. Mas antes de sairmos, o aviso dos horários foi posto no mural. Todos silenciosos iam até o mural, procuravam seu nome, viam o horário e seguiam porta afora. O meu horário estava marcado para o dia seguinte à tarde.
Demi Lovato — 16h35m
Teria que avisar ao Sr. T que talvez chegasse tarde no necrotério.
— Bom, pelo menos eles estão fazendo algo para desvendar meu assassinato — disse Joe quando estávamos em meu quarto. Eu estava estendida em minha cama, pensando sobre tudo aquilo, enquanto Joe caminhava de um lado para o outro, impaciente.
— Não apenas o seu assassinato, mas também o de Vincent e Gabriel.
— Você acha que esse tal de Gabriel é aquele que trabalhava no necrotério antes de você? — perguntou Joe. Eu apenas franzi a testa e fiquei imaginando como ele sabia que antes de mim existia um tal de Gabriel. E eu comecei a pensar que talvez fosse ele mesmo, mas que esperava que não fosse. Ele foi tão gentil comigo naquele dia, e aparentava estar tão feliz, como se tivesse entrado em férias ou algo do tipo.
— Espero que não. Falarei com Troy sobre isso hoje à noite. Se o corpo de Gabriel tiver chegado até ele, Troy saberá e me dirá a verdade — sussurrei.
Depois de um longo tempo em silêncio, em que pensei que até Joe havia desaparecido, lembrei de uma pergunta que estava me incomodando já havia algum tempo. Levantei minha cabeça e vi que Joe estava sentado em minha cadeira da escrivaninha e me olhava com o olhar perdido.
— Quero que te perguntar uma coisa — eu disse.
— Manda.
— Promete que não vai ficar bravo?
— Sim — respondeu ele sorrindo. Sentei-me na cama e o encarei.
— Você acha que seria possível... sabe... o Aaron... t-t-ter te... ele não me deixou terminar.
— me matado? — terminou ele, que caiu na gargalhada. Eu não mexi nem um músculo, não achava aquilo nada engraçado. — Qual é, Demi? Aaron era meu colega de quarto, eu conhecia o cara como a palma da minha mão. Ele não machucaria uma mosca.
— Eu não penso assim, eu acho o que ele fez comigo algo bem sério — e de repente ele notou o quanto eu havia ficado magoada. Aaron podia ser um amigo camarada e tudo mais, com ele, mas Aaron era diferente quando ficava bêbado Joe mesmo disse isso. Então, por que não?
— Desculpe, D...
— Ele teve oportunidade, e, se ele estivesse bêbado poderia ter feito isso sim — interrompi o seu pedido desculpas e continuei com a minha teoria.
— Nisso você pode até ter razão, mas a polícia está procurando um serial killer, Demi. Você mesma ouviu Aaron dizer que ele não bebe esde o seu ataque.
— Ele pode estar mentindo — continuei decidida.
— Tudo bem. Mas, se eu não estou enganado, Vanessa estava com Aaron ontem à noite. Então ele não poderia ter matado Gabriel — disse
Joe ao seu tom normal. Ele não se vangloriou nem mostrou-se rude. E ele tinha razão, queria tanto achar alguém em quem pôr a culpa que eu não estava dando atenção aos fatos. E o fato era que Vanessa estava com Aaron no dia anterior à noite. A festa tinha começado lá pelas 22 horas e eles ficaram no quarto de Aaron a mais ou menos umas 4 horas. Vanessa notaria se ele tivesse desaparecido.
— Tudo bem — revelei depois de ter pensado na verdade. — E o que você se lembrou quando veio me pedir ajuda? Você ainda não me disse nada sobre isso.
Ele ia responder, mas nós dois ouvimos barulhos e ficamos em alerta. O som não estava vindo do corredor, mas do meu banheiro. Joe e eu nos entreolhamos desconfiados e miramos na porta do banheiro. E de repente duas pessoas saíram de lá.
— Com quem você está falando? — perguntou Vanessa aos tropeços enquanto saía do banheiro, com Aaron atrás de si.





XOXO Neia :)
Novo cap. postado, espero que gostem :D
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Kiss <3