terça-feira, 27 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 9


— Ah, humm, no celular — respondi toda atrapalhada
— E cadê seu celular? — perguntou Aaron enquanto abotoava sua camisa xadrez. Aaron podia ser bonito e tudo mais com seu 1,80 metro, com seu cabelo preto perfeito caindo nos olhos e olhos escuros como se fossem pretos, mas eu NÃO queria vê-lo sem camisa.
— Está no meu bolso — respondi. Eu nem sabia se tinha bolsos naquela minha calça jeans, mas eu não iria ser pega no flagra naquela mentira, pelo menos não naquela vez. Eu tinha outra coisa em mente para tirar a atenção de mim.
— O que vocês estão fazendo aqui? Vocês não têm aula? — perguntei, levantando-me e cruzando os braços. Joe por alguma razão não havia desaparecido, ele estava ali comigo, encarando-os, como eu.
— Saímos mais cedo por causa daquele garoto morto. Daniel ou Guilherme, sei lá como era o nome dele — respondeu Aaron. A maneira como ele disse aquilo, sem o mínimo de respeito, deixou-me irritada.
— O nome dele era Gabriel, para sua informação — fiz uma pausa e continuei. — E vocês decidiram que seria melhor transar no banheiro por quêêê? — perguntei querendo uma resposta logo de cara, e foi a Vanessa quem respondeu.
— Na verdade, Demizinha, começamos no quarto, mas, quando você entrou falando sozinha, tivemos que continuar no banheiro — eu riria daquela situação, mas eu já estava irritada. Ainda mais quando Joe começou a rir.
— Eu não estava falando sozinha, eu estava no celular. E vocês continuaram transando no banheiro quando eu estava aqui? — os dois acenaram positivamente. — Argh, isso é nojento. Vocês não têm respeito, não? — Joe me lançou um olhar estranho, como se não entendesse do que eu estava falando.
— Como assim, nojento, Demi? Todo mundo faz... — perguntou Vanessa, e eu a interrompi.
— Não estou falando disso, dãã, estou dizendo que vocês poderiam ter parado quando eu entrei. Continuar em outro lugar que estivesse, sei lá, vazio — sei que isso podia parecer estranho, mas eu não gostava de estar em uma parte do quarto enquanto duas pessoas estavam mandando ver no cômodo ao lado, onde eu poderia entrar a qualquer momento. Já peguei duas pessoas no flagra uma vez e foi sinceramente um pesadelo. As pessoas poderiam pelo menos escolher um lugar que exista tranca, não é, para ter mais privacidade?!
— Vamos ter mais cuidado na próxima vez — disse Vanessa.
— E, por favor, procurem trancar o lugar em que vocês estão... Entendem? Não quero entrar de repente em meu quarto ou banheiro algum dia e ver vocês dois... sabem?! — acho que isso os fez entender o que eu estava tentando dizer todo aquele tempo, inclusive o Joe.
— Não sei por que viemos para o meu quarto, pra começo de conversa, Aaron. Você tem o quarto todo pra você desde que Joe morreu — disse Vanessa para Aaron, que assentiu. Foi estranho para Joe ouvir seu nome sair da boca de outra pessoa que não fosse eu, ainda mais com a palavra “morto” na mesma frase. Pude ver a tristeza era seus olhos claros.
Vanessa e Aaron decidiram que ainda não haviam terminado o que eles haviam começado na cama de Vanessa e no banheiro e saíram porta afora, mas antes eu consegui gritar:
— POR FAVOR, TRANQUEM AS PORTAS! — isso pelo menos fez uma pessoa rir: Joe.
—Esqueci totalmente de dizer para terem cuidado — revelei tristemente.
— Se eles trancaram a porta, como você pediu, eles estarão seguros — murmurou Joe, o que me confortou um pouco.
— Então me fale sobre o que você se lembrou ou vou ficar louca se não souber de uma vez. — Joe assentiu e eu me sentei, ele continuou em pé no mesmo lugar.
— Você me viu tendo uma discussão com Bradley uma vez. Eu não me lembro de muitas coisas, mas, às vezes, elas me voltam repentinamente. Estava discutindo com o professor Bradley por causa de um trabalho que eu havia feito. O professor Bradley acreditava em mim, me usava como exemplo nas aulas por ser um bom aluno. Mas quando ele me devolveu um trabalho com nota F, fiquei assustado, pois havia dado tudo de mim naquele trabalho. Sabia que algo estava errado, então descobri que alguém trocou o meu trabalho original por um comprado pela internet. O professor Bradley ficou muito de cara comigo, não acreditava que eu havia feito uma coisa daquelas. Disse a verdade a ele, mas ele não acreditou, disse que precisava de provas. O que eu podia fazer? Algum engraçadinho trocou o meu trabalho dedicado por uma cópia barata da internet. Descobri quem foi e decidi confrontá-lo. Não me lembro o que houve depois disso — Joe parecia arrasado depois de me dizer a verdade, O que ele disse depois fez meu coração se despedaçar em milhares de pedacinhos. — Vou ser lembrado por algo que eu jamais fiz. Bradley sempre pensará que eu não era a pessoa que ele pensou que eu era. Um fracassado que copiava os trabalhos da internet.
— Não vou deixar isso acontecer — eu disse sobressaltando-o.
Levantei-me da cama e fui até ele. Seus olhos mostravam uma tristeza inconfundível. — Qual é o nome dele? — perguntei aos sussurros. Ele demorou até me dar um nome.
— Foi o Brian — revelou-o quase que envergonhado.
— Seu melhor amigo, Brian? — perguntei surpresa e ele assentiu.
— Ele nunca foi um bom amigo, agora que parei para pensar. Ele somente queria a minha ajuda para se dar bem nas provas e nos trabalhos.
Nunca pensei que ele faria urna coisa assim para me prejudicar.
— Você acha que ele poderia te matar? — perguntei, direta. Joe não ficou surpreso com a pergunta, na verdade eu pensei que ele até mesmo a esperava.
— Eu pensei que ele era meu amigo, me pergunto o que mais ele estava disposto a fazer para me impedir de ser o que eu vim para cá para ser, ou o que ele faria para me impedir de dizer a verdade.
— Ele vai dizer a verdade — eu disse irritada. Joe franziu a testa, mas pareceu entender o que eu estava prestes a fazer. Eu fui até minha porta e a escancarei e depois fui à procura do ex-melhor amigo de Joe.
— Demi, por favor, não. Conte à policia, mas não vá sozinha até ele — pediu Joe preocupado enquanto eu caminhava até o quarto de Brian com passos apressados. Quando Joe reparou que eu não pararia de maneira alguma, ele tentou me impedir. Ele se pôs na minha frente, mas eu o atravessei.
— Por que fez isso? — sussurrei muito baixo quando o corredor se encontrava vazio.
— Ele pode ser o assassino e te matar, assim como ele me matou — murmurou ele muito perto de meu rosto. Ele estava bravo comigo, ele não queria mesmo que eu fosse até Brian. Mas eu já estava no corredor do quarto de Brian e decidi seguir em frente. — DEMI! — ele gritou e me seguiu.
A porta do quarto de Brian estava aberta, ou melhor, escancarada.
Havia uma meia dúzia de rapazes ali dentro conversando e bebendo cerveja. Quando eu entrei um deles assoviou, o que deixou Joe muito bravo e as luzes começaram a piscar. Eles notaram, um estava prestes a dizer alguma coisa quando eu disse em alto e bom tom:
— Brian, posso falar com você? — ele assentiu, mas quando vi seus coleguinhas não se mexerem, tive que acrescentar: — Em particular. — Pude ver na expressão de Brian que ele não tinha a mínima ideia sobre o que eu poderia querer falar com ele, mas pelo menos ele notou no meu tom de voz que coisa boa não era. Brian mandou os rapazes saírem em um tom educado, um deles mandou um “boa sorte” para Brian enquanto saiu porta afora e fechou a porta. Brian largou a cerveja e começou a me encarar, enquanto Joe avaliava a situação e a bagunça que era o quarto de Brian.
— O que você quer? — perguntou ele em um tom nada agradável.
— Eu quero que você fale a verdade sobre o trabalho que você roubou de Joe e disse que era seu — eu fui direta e pareci ameaçadora até para mim mesma, de tão séria que a minha voz saiu. Brian ficou petrificado e não soube o que dizer. Depois que eu dei um sorrisinho falso para aliviar a situação, ele relaxou.
— Como você sabe disso? Ninguém sabia a não ser eu e Joe — perguntou ele, interessado.
— Não interessa.
— Eu sabia que ele te achava uma coisinha linda, mas não sabia que vocês dois estavam se encontrando às escondidas.
A historinha de que se odiavam era só para o grande público? — perguntou ele entre risadinhas nervosas.
— Diga a verdade ao professor Bradley ou eu direi à polícia — mais uma vez minha voz saiu sombria, mas eu não liguei naquele momento.
Queria que ele me levasse a sério, mas a única coisa que ele fazia era sorrir daquele jeito estúpido.
— Uau, você sabe de tudo mesmo, hein?? — de repente a maneira envergonhada que ele exibia em seu rosto se tornou algo sério e assustador. Ele veio até mim tão rápido que nem vi quando seu rosto estava a centímetros do meu. — Como você sabe que eu não sou o assassino? — perguntou ele rispidamente, muito próximo ao meu rosto, de modo que eu podia sentir seu hálito nojento de cerveja. Ele me olhava de uma maneira amedrontadora; eu não sei o que tinha dado em mim, mas eu sabia que ele não era o assassino. Estava fazendo aquilo somente para me intimidar, e a única coisa que eu consegui fazer foi rir na cara dele. Joe não gostou nadinha daquilo; as luzes do quarto piscavam rapidamente.
— Acho melhor você sair daqui agora, Demi — exigiu Joe do meu lado esquerdo. Eu não o olhava, mas eu tinha a certeza que ele estava irritado e com medo em relação à segurança que eu sentia.
— Você acha que eu sou burra só porque sou loira? Nem em um milhão de anos um frangote que nem você poderia ser um serial killer! — Isso o deixou ainda mais irritado, mas a pose de assassino não estava mais lá. — Agora, eu quero que você vá até o professor Bradley e diga a verdade.
— Nunca vou fazer isso — ele disse rispidamente na minha cara.
— Você vai dizer a verdade ou eu farei você dizer a verdade — eu não era assim tão assustadora, mas quando alguém mexia com as pessoas que eu amava eu ficava uma fera. Brian prendeu seu sorrisinho no rosto quando as lâmpadas de seu quarto explodiram, todas as latinhas de cerveja voaram batendo nas paredes, algumas explodiram e outras apenas se abriram, derramando cerveja por todo o chão, a porta do banheiro se fechou sozinha num estouro, enquanto a porta da frente se escancarava.
Eu fiquei parada, no mesmo lugar que eu estava, como se tudo aquilo fosse normal para mim. Enquanto isso, Brian protegia sua cabeça com ambas as mãos, como um menino assustado.
— Quando Aaron me disse o que aconteceu com ele eu não acreditei. Você é o quê? Tipo a Carrie com poderes mentais? — perguntou Brian, agora assustado, avaliando o estrago que as cervejas haviam feito.
Eu não respondi, apenas fui até onde ele estava e agarrei seu braço esquerdo, o que o deixou ainda mais assustado do que antes. Eu era muito menor do que Brian, tinha míseros um metro e cinquenta e poucos e Brian tinha lá seus quase 1,80 metro e ainda sim era eu quem estava segurando seu braço e o ameaçando. Nós estávamos quase ultrapassando a porta aberta quando Joe me chamou.
— Demi, leve isso.
Eu me virei na direção em que Joe estava apontando, ainda segurando o pulso de Brian. Minha mão era tão pequena que eu mal conseguia segurar seu imenso braço malhado. Peguei o trabalho que apresentava um belo A+ com caneta vermelha sobre a escrivaninha e levei comigo. Brian me olhou com mais pavor quando viu que eu o havia encontrado.
— Mas como foi que você...
— Cale a boca — eu disse e segui em frente.
Eu ia caminhando com passos largos pela faculdade segurando fortemente o braço de Brian, enquanto todos os olhos passavam de mim para ele, como se eu estivesse prestes a matá-lo. Joe sorria ao meu lado, sem nada dizer. Eu queria rir com ele, mas aquela não era a hora para isso. Brian já pensava que eu era a Carrie, a estranha, e eu não queria mais nenhuma maluquice vinculada a meu nome.
— Se contar uma palavra sobre o que aconteceu em seu quarto eu vou fazer você perder a memória, inclusive tudo que aprendeu sobre medicina. Terá que aprender tudo de novo. Você quer isso? — perguntei enquanto caminhávamos rapidamente.
— N-n-n-ão. Por favor, não faça isso.
— Isso só depende de você — eu decidi usar contra Brian o que ele mais temia. Joe disse que Brian queria ser um ótimo médico e que queria ser o melhor da classe, por isso quis tirar Joe daquela competição. Joe estava prestes a dizer algo muito inteligente e engraçado para mim quando chegamos aonde eu queria: a sala dos professores.
Eu dei uma batidinha leve na porta e segui até o professor Bradley, que se encontrava sentado a urna mesa redonda, corrigindo trabalhos Olivia, Ben e outros dois professores que eu desconhecia estavam na sala.
O cômodo não era muito grande, no total havia seis mesas redondas verdes e uma mesa retangular com guloseimas e o cafezinho. O clima da sala não era completamente triste, mas havia, sim, um clima pesado.
Quando entrei apressadamente, quase todas as cabeças se viraram para mim e para Brian. Joguei o trabalho verdadeiro de Joe na frente de Bradley e com isso eu chamei a atenção de todos os presentes na sala.
— Mas que diabos...? — anunciou Bradley tirando os óculos de leitura e encarando a mim e a Brian com olhos irritados, exigindo uma explicação. Eu finalmente larguei  o pulso de Brian, que começou a massageá-lo. Olivia me fitava com um olhar confuso.
— Diga a verdade — eu disse, apontando para o trabalho na frente de Bradley, soando muito irritada. Brian fez cara feia para mim, eu cruzei os braços o encarei até que ele começou a falar. Enquanto tudo isso acontecia, Joe estava sempre ao meu lado. O que me deixou feliz.
— Tudo bem, Deus do céu — começou Brian, e todos os presentes na sala dos professores olhavam para ele confusos e ansiosos. — Joe Jonas não tirou aquela cópia da internet, eu fiz aquilo porque roubei o trabalho dele e coloquei o meu nome. Eu estava precisando de uma nota boa na sua matéria, professor Bradley, e ele estava tão bem nas notas.., então eu fiz isso. — Brian bufou depois que revelou a verdade, como se um grande peso tivesse sido tirado de suas costas. O senhor Bradley, assim como todos os outros professores, encaravam Brian com deceção. Depois que Bradley olhou de Brian para mim, ele pôs seus óculos para ler e começou a folhar o trabalho que devia ter no mínimo umas duzentas páginas.
— Eu sabia que você não era inteligente o bastante para Fazer isso. Este trabalho aqui é uma obra prima — disse Bradley levantando o trabalho sobre DNA de Joe para todos os presentes verem. Joe sorriu, eu sabia que ele estava Feliz da vida por Bradley estar elogiando o seu trabalho para todos, ainda mais por ter tirado a nota mais alta. Brian tentou se virar para sair da sala, mas eu o impedi.
— Não tão rápido — eu disse, pegando em seu pulso novamente. — Você teve alguma coisa a ver com a morte de Joe e dos outros garotos? — perguntei, e ele esbugalhou os olhos.
— É claro que não, mas por que eu... — não o deixei terminar, dei- lhe um tapa na nuca que fez seus cabelos loiros escuros se emaranharem.
Brian apenas soltou um “Eí!” e começou a passar a mão na nuca.
— Demi — pediu Olivia depois de meu tapa com um olhar de “Pare”.
— Ele é um idiota — eu disse como se fosse a coisa mais lógica na face da terra.
— Mesmo assim, deixe-o falar — ela me lançou um meio sorriso, ela concordava comigo. Isso fez com que eu me sentisse menos mal em relação ao tapa.
— É claro que não matei nem o Joe nem os outros — Brian disse. E é claro que eu pensei que ele criaria uma longa defesa em sua pessoa, mas isso somente foi tudo o que saiu de sua boca.
— Ele me ameaçou no quarto dele! Quando Joe descobriu a verdade sobre o que ele havia feito, Joe foi falar com ele, mas nunca mais voltou — eu contei aos professores, mais diretamente para Bradley e Olivia. Houve um grande silêncio na sala até que Brian decidiu abrir a boca.
— Ele veio conversar comigo sim, mas, quando ele saiu, estava vivinho da silva tá legal?!
Eu revirei os olhos e cruzei meus braços.
— Como você sabe disso, Demi? — perguntou Olivia surpresa, e eu já estava esperando que essa pergunta pudesse surgir. Então não fiquei surpresa nem apavorada por mentir.
— Joe e eu estávamos namorando. Ele me disse que Brian havia pego o trabalho dele, que iria confrontá-lo, mas depois dessa conversa ele não apareceu mais — eu disse como uma namorada atordoada pela morte de seu namorado. Tinha até lágrimas nos meus olhos, e Joe me olhava impressionado.
— Por que não contou e nos trouxe a verdade antes? — continuou Olivia com as perguntas.
— Porque achei que esse idiota aí iria criar coragem ser homem o suficiente para contar a verdade — e foi aí que eu comecei a chorar. Olivia se levantou da mesa redonda, foi até mim e me abraçou. Sussurrou coisas gentis em meu ouvido e me levou até o sofá azul escuro que eu nem havia reparado que havia no canto esquerdo da sala. Foi aí que eu percebi que Lewis estava parado na porta atrás de nós, observando toda aquela cena.
— Venha comigo, meu filho — pediu Lewis para Brian.
— Mas eu não fiz nada — insistiu Brian levando as mãos para cima, como se alguém tivesse dito para ele erguer as mãos em vista e se ajoelhar.
— É só uma conversa, filho, vamos — Brian cedeu e foi com o policial Lewis. Os professores encaravam a situação como se nunca houvessem deparado com isso antes, mas eu acho que a maioria ali nunca tinha sequer conversado com um policial.

Eu fiquei no sofá com Olivia, ela me passou um café bem quente e me envolveu com seus braços gentis. Eu não sabia dizer naquela hora a expressão maravilhosa que Joe revelava, lá no meio da sala, com os braços cruzados, seus olhos brilhando e um sorriso imenso estampado no rosto, me olhando. Pensei que ele desapareceria como todas às vezes, mas não, ele continuou ali, me esperando até que eu decidisse ir para meu quarto.





XOXO Neia ;)
Mais um cap. gente linda...Que acham que irá acontecer?? Será que é o Brian o misterioso assassino?? Façam as vossas apostas ;)
Já sabem, comentem, divulguem, sigam...enfim, o que quiserem!!!
P.S: Apesar de não responder aos comentários, eu leio eles todos...por isso mt obrigada pelo vosso apoio <3 <3

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 8

— Olha só quem voltou para a terra dos vivos? — perguntou Vanessa empolgada como se tivesse acabado de ganhar na loteria.
— Eu estou vendo coisas? É mesmo a Demi, vivinha da silva? — perguntou Ster levantando-se de seu lugar no refeitório e abriu os braços para mim com um sorriso estampado no rosto. Por que essa agora de ficarem me comparando a zumbis? Eu não estava mordendo ninguém a procura de carne e sangue, eu estava apenas vivendo na minha. Eu até gostava dos filmes de zumbis como  Resident Evil e  ZombieLand,  mas eu não tinha nada a ver com eles, e isso já estava me dando nos nervos.
— Ok, sem mais palavra envolvendo zumbis ou eu bato em vocês — disse, decidida.
— E ela está de volta — Ster disse me apertando em mais um abraço, e eu deixei a irritação de lado e abri o melhor sorriso que tinha para meus amigos. Isso os deixou felizes, e a nossa refeição ficou mais agradável.
Lá estava eu novamente em meu canto no refeitório ao lado de Ster e Vanessa. Eu pensava que as coisas haviam mudado, como se os garotos tivessem de repente ficado mais maduros, ou as patricinhas tivessem adquirido mais bondade em seus corações, mas não... tudo continuava como quando os deixei. A não ser, é claro, o caso amoroso secreto entre Vanessa e Aaron.
Eu pensava que as desculpas de Aaron iriam vir em, sei lá, uma semana, ou no mês que vem, ou talvez até nunca, mas Aaron havia aparecido em nossa mesa no refeitório e sentado ao lado de Vanessa. Então ele me encarou. Foi engraçado ver Ster naquela situação, ele franzia a testa de Vanessa para Aaron e depois de Aaron para mim. Ster não estava entendendo absolutamente nada daquela situação. E nem as pessoas que estavam sentadas perto de nossa mesa; eu apenas ouvia uns cochichos e olhares em nossa direção.
— Tá legal, o que está havendo? — perguntou Ster decidido.
— Aaron me prometeu que pediria desculpas a Demi — respondeu Vanessa como se estivesse orgulhosa e tivesse feito algo que nenhum outro ser humano poderia algum dia fazer. Eu pensei sinceramente que Aaron estivesse ali na nossa mesa apenas porque havia transado com Vanessa, mas... como eu estava errada. Estava? Ster, no entanto, notou algo mais.
— Vocês dois... — ele começou, mas não conseguiu terminar, então achei melhor eu terminar por ele.
— E eles tiveram uma noite especial ontem, que não envolvia roupas.
— DEMI! — gritou Vanessa, mas ela não estava magoada, apenas um pouco envergonhada, somente um pouco.
— Ah, qual é? O Ster é da turma, ele não se importa em saber das nossas experiências sexuais. Não é, Ster? — me virei para ele, que fez um não com a cabeça. — Viu, Ster é um dos únicos caras maduros desta faculdade — e com isso eu parei meu olhar em Aaron, que me olhava desconfiado, e que finalmente decidiu dizer o que havia ido fazer em nossa mesa.
— Eu sinto muito, Demi, sério mesmo. O Joe que me tirava das roubadas em que eu entrava, mas agora que se foi eu fiquei perdido. E eu não bebo desde aquela noite, pode confiar em mim. Nunca mais vou levantar a não para uma mulher; portanto, desculpe-me — disse ele envergonhado e passou a encarar a mesa depois de terminar. Vanessa passava a mão em suas costas e sussurrava algumas coisas em seu ouvido que nem eu nem Ster podíamos ouvir. Eu podia dizer que fiquei impressionada, Aaron não parecia ser tão ruim, afinal de contas.
— Tudo bem... está quase perdoado. Mas... se fizer uma coisa sequer que faça a minha Vanessa chorar, você vai se ver comigo. Vou te fazer coisas das quais você nunca ouviu falar na sua vida. Vou fazê-lo chorar como uma criança e implorar por ajuda. — Acha que eu fui muito dura? Eu não, homens precisam de uma gelada de vez em quando. Todos na mesa olharam para mim como se eu tivesse dito que iria matar o cara, um silêncio mortal reinou até que ouvi:
— Muito bem, Demi, estou orgulhosa de você — isso não veio de ninguém da minha mesa, mas de Joe, se encontrava sentado ao meu lado. Eu nem olhei para e apenas disse:
— Está entendido, Aaron? Se tudo der certo, eu perdoo completamente.
— C-c-claro — respondeu ele de mãos dadas com Vanessa.
— Meu Deus, por onde você andou por todo esse tempo? — perguntou Ster, olhando-me com olhos esbugalhados.
— O quê? Estava apenas sendo sincera. Eu trabalho e um necrotério, pelo amor de Deus. Sei de várias ferramentas que vocês nunca ouviram falar — essa foi a minha resposta e eu não deveria ter dito tudo aquilo. Pareceu ainda mais que eu era uma louca assassina, Aaron ainda me encarava com medo, Vanessa o reconfortava e Ster... bom, os olhos que ainda estavam esbugalhados. Virei-me para o lado esquerdo e encontrei um Joe sorridente que de repente levantou polegar para mim, claramente mostrando aprovação e que eu tinha todo o controle da situação. Eu revirei os olhos e voltei para minha comida, que ainda estava intocada.
O assunto foi esquecido no ar depois de poucos minuto graças aos deuses, e as nossas conversas foram ficando um pouquinho mais agradáveis.
Eu disse um pouquinho.
— Então vocês estão oficialmente namorando? — perguntou Ster.
Não sei se o tom dele significava aprovação ou não. Vanessa não se importava com o que ele pensava, era a vida dela, afinal de contas. Mas levar uma pessoa para a nossa mesa e para o nosso grupo que alguém não aprovava era algo... ruim? Desrespeitoso? Ainda mais alguém que já havia me agredido. É, ele pediu desculpas e tal, e eu quase aceitei, mas isso não significava que eu ou o Ster iríamos esquecer do assunto assim de uma hora para outra. Eu sabia que o Ster pensava o mesmo que eu quanto ao assunto de ele machucar a Vanessa, mas acho que não tão macabramente como eu.
— Estamos — respondeu um deles superanimado, e você não vai acreditar qual dos dois. Sim, foi o Aaron que disse isso, feliz da vida, Vanessa deve ter feito um ótimo trabalho na cama ontem à noite, porque o cara não tirava os olhos dela, ele estava “amarradão” nela, como diriam certos garotos festeiros. E como eu sei disso? Eu não digo nem que a vaca tussa.
— Que ótimo — murmurou Ster nem um pouco animado, perdeu totalmente o apetite em relação à comida que e encontrava em sua frente.
— Ihhh, Ster não gostou nada disso, mas pode limpar para ele, Demi, que Aaron não é tão ruim assim. Quero dizer, quando ele está sóbrio, é um cara legal. Fui colega de quarto do cara, então eu sei que ele vai tratar bem a Vanessa... desde que não beba — esse foi o discurso do Joe em relação ao namoro dos dois. Fiquei surpresa que alguém daquela mesa os aprovasse, e esse alguém nem vivo estava.
O sinal tocou antes mesmo de eu dizer o que eu pensava sobre aquilo, mas; eu e Vanessa teríamos tempo suficiente para conversar sobre o assunto em nosso quarto compartilhado. Fui andando até minha sala de aula com Joe ao meu lado. Pela primeira vez, ele não falava nada, aquilo foi muito esquisito. Ele SEMPRE tinha algo para falar ou fofocar.
Deixei passar, eu não podia simplesmente perguntar a ele o que estava errado na frente de todo mundo sem que me chamassem de louca.
Fiquei surpresa por encontrar policiais em minha sala de aula, eram cinco ao todo. Perguntei a mim mesma o porquê de tantos deles. Eu não era a única, todos os alunos de anatomia descritiva estavam em alerta e sussurravam entre si para saber o porquê de tudo aquilo. Minha professora favorita, Olivia, conversava com um deles, e eu tinha certeza de que aquele que conversava com ela era o mesmo que havia me feito perguntas sobre o Joe no necrotério. O nome dele era Lewis, tinha muito gel no cabelo e sua barba havia crescido muito desde a última vez em que eu o vira. Além disso, ele parecia exausto, como alguém que não dormisse há dias, ou até mesmo semanas.
Caminhei com Joe, também surpreso, e sentei em meu lugar habitual. Dali eu pude reparar mais nos policiais que acompanhavam Lewis, que parecia ser o mais velho e mais exausto de todos, parecia o chefe da operação. Os outros policiais não impunham o mesmo respeito que Lewis, uma autoridade de fato. Quando ele começou a falar, todos os presentes fizeram silêncio, todas as centenas de pares de olhos olhavam para o policial Lewis. Eu o olhei, mas por alguns segundos meus olhos se voltaram para Olivia. Ela estava sentada em sua cadeira, encarando a mesa azul clara, o cabelo loiro liso e comprido caía sobre os ombros, e sua expressão era de pura tristeza. Aquilo mexeu comigo, eu sabia que naquele momento a notícia não seria boa. Joe notou meu olhar sobre Olivia, a expressão dela e a minha, e ele entendeu o que eu sentia. Ele pôs sua mão perto da minha, que descansava na mesa, como se me desse um sinal de que estava ali comigo, de que eu não estaria sozinha depois daquele aviso. Isso me acalmou.
— Como vocês bem sabem, assassinatos vêm ocorrendo. Joe Jonas há mais de dois meses, Vincent Gomez há três semanas e agora Gabriel Santiago... — Lewis tentou continuar, mas o murmúrio estava alto demais e, além disso, uma garota no fundo da sala começou a chorar. — Ele foi encontrado ontem à noite no campus da universidade assassinado do mesmo modo que Joe e Vincent. Todas as vítimas foram estranguladas e deixadas em algum lugar da universidade. Já é o terceiro caso em menos de três meses, o que nos leva a crer que temos um serial killer perto de nós, pessoal. A única coisa que peço é que tenham cuidado de agora em diante, os garotos principalmente. Tentem sempre estar acompanhados de seus amigos e não fiquem zanzando pela universidade até tarde da noite. A questão é simples: querem permanecer vivos? Nada de festas e de correr riscos, isso é sério. Algumas vidas já foram perdidas, e eu odiaria voltar aqui e encontrar outro colega de vocês morto. — Lewis falava sério, e suas palavras eram assustadoras, o que causou pânico e muita falação, mas ele ainda não havia terminado. — É claro que estamos tomando providências, esses policiais se revezarão e ficarão disponíveis 24 horas por dia. Todos vocês serão interrogados por mim, que sou o encarregado do caso. Não importa quantos mil alunos há nessa faculdade, eu farei de tudo para descobrir onde esses garotos estavam, quem eram seus amigos, que festas frequentavam, em que brigas se envolveram e tudo o que conseguir descobrir com toda a ajuda de vocês. O horário de cada aluno já foi marcado e quem não comparecer receberá uma visita especial minha. Nada de gracinhas crianças... Os horários vão ser postos no mural da sala depois da aula. Tenham um ótimo dia e se cuidem.
E foi assim. Lewis nos meteu um medo tremendo de sair até mesmo da sala de aula sem companhia. Todos nós estávamos lá, parados, petrificados com o aviso de Lewis, até mesmo Olivia que não conseguiu dar mais aula e nos dispensou mais cedo. Mas antes de sairmos, o aviso dos horários foi posto no mural. Todos silenciosos iam até o mural, procuravam seu nome, viam o horário e seguiam porta afora. O meu horário estava marcado para o dia seguinte à tarde.
Demi Lovato — 16h35m
Teria que avisar ao Sr. T que talvez chegasse tarde no necrotério.
— Bom, pelo menos eles estão fazendo algo para desvendar meu assassinato — disse Joe quando estávamos em meu quarto. Eu estava estendida em minha cama, pensando sobre tudo aquilo, enquanto Joe caminhava de um lado para o outro, impaciente.
— Não apenas o seu assassinato, mas também o de Vincent e Gabriel.
— Você acha que esse tal de Gabriel é aquele que trabalhava no necrotério antes de você? — perguntou Joe. Eu apenas franzi a testa e fiquei imaginando como ele sabia que antes de mim existia um tal de Gabriel. E eu comecei a pensar que talvez fosse ele mesmo, mas que esperava que não fosse. Ele foi tão gentil comigo naquele dia, e aparentava estar tão feliz, como se tivesse entrado em férias ou algo do tipo.
— Espero que não. Falarei com Troy sobre isso hoje à noite. Se o corpo de Gabriel tiver chegado até ele, Troy saberá e me dirá a verdade — sussurrei.
Depois de um longo tempo em silêncio, em que pensei que até Joe havia desaparecido, lembrei de uma pergunta que estava me incomodando já havia algum tempo. Levantei minha cabeça e vi que Joe estava sentado em minha cadeira da escrivaninha e me olhava com o olhar perdido.
— Quero que te perguntar uma coisa — eu disse.
— Manda.
— Promete que não vai ficar bravo?
— Sim — respondeu ele sorrindo. Sentei-me na cama e o encarei.
— Você acha que seria possível... sabe... o Aaron... t-t-ter te... ele não me deixou terminar.
— me matado? — terminou ele, que caiu na gargalhada. Eu não mexi nem um músculo, não achava aquilo nada engraçado. — Qual é, Demi? Aaron era meu colega de quarto, eu conhecia o cara como a palma da minha mão. Ele não machucaria uma mosca.
— Eu não penso assim, eu acho o que ele fez comigo algo bem sério — e de repente ele notou o quanto eu havia ficado magoada. Aaron podia ser um amigo camarada e tudo mais, com ele, mas Aaron era diferente quando ficava bêbado Joe mesmo disse isso. Então, por que não?
— Desculpe, D...
— Ele teve oportunidade, e, se ele estivesse bêbado poderia ter feito isso sim — interrompi o seu pedido desculpas e continuei com a minha teoria.
— Nisso você pode até ter razão, mas a polícia está procurando um serial killer, Demi. Você mesma ouviu Aaron dizer que ele não bebe esde o seu ataque.
— Ele pode estar mentindo — continuei decidida.
— Tudo bem. Mas, se eu não estou enganado, Vanessa estava com Aaron ontem à noite. Então ele não poderia ter matado Gabriel — disse
Joe ao seu tom normal. Ele não se vangloriou nem mostrou-se rude. E ele tinha razão, queria tanto achar alguém em quem pôr a culpa que eu não estava dando atenção aos fatos. E o fato era que Vanessa estava com Aaron no dia anterior à noite. A festa tinha começado lá pelas 22 horas e eles ficaram no quarto de Aaron a mais ou menos umas 4 horas. Vanessa notaria se ele tivesse desaparecido.
— Tudo bem — revelei depois de ter pensado na verdade. — E o que você se lembrou quando veio me pedir ajuda? Você ainda não me disse nada sobre isso.
Ele ia responder, mas nós dois ouvimos barulhos e ficamos em alerta. O som não estava vindo do corredor, mas do meu banheiro. Joe e eu nos entreolhamos desconfiados e miramos na porta do banheiro. E de repente duas pessoas saíram de lá.
— Com quem você está falando? — perguntou Vanessa aos tropeços enquanto saía do banheiro, com Aaron atrás de si.





XOXO Neia :)
Novo cap. postado, espero que gostem :D
Comentem, divulguem e sigam pff
Kiss <3








segunda-feira, 19 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo EXTRA

Joe
Demi.
Como pode um nome significar tanto? Como pode uma pessoa significar tanto para uma, pessoa como eu? Não falo isso por eu ser um idiota completo, às vezes, mas por eu ser um cara morto que ainda caminha por esta terra à procura de alguma coisa. Tentei ficar distante, fingindo que não me importava, mas é quase impossível. Eu menti para ela, menti para não ficar pior do que já está. A única coisa que eu fiz em meu desaparecimento foi vigiá-la distância, a segurança dela é tão pesada em meu peito que eu sinto que devo protegê-la mais do que uma pessoa normal faria. Eu queria admitir que a amo, mas isso só tornaria tudo mais impossível do que já é.
Meu coração não bate, mas ainda assim eu o sinto batendo dentro de mim quando estou perto dela. Eu sinto seu cheiro doce entrando em minhas narinas e sinto o desespero de não poder tocá-la. Pele contra pele, uma união entre duas pessoas que sentem o mesmo. Eu prefiro que ela me odeie a ferir aquele rosto lindo e sensível por eu não ser como ela me quer... um ser humano vivo. Eu a vejo chorar, chorar por mim, uma alma perdida entre tantas outras que andam por aí. A única coisa que eu posso fazer é ficar parado nas sombras e esperar que tudo aquilo passe e que ela volte a viver sua vida, mas vejo que ela não mais exibe aquele sorriso aberto e maravilhoso e os olhos brilhantes e felizes para ninguém, pois se sente magoada. Tudo o que eu digo a mim mesmo é que ela vai se acostumar com a minha ausência e finalmente vai conseguir seguir em frente, mas tudo piora e se desmorona diante de meus olhos. Minha ausência apenas traz mais dor e sofrimento, e tudo o que posso fazer é observar e esperar que esses sentimentos vão embora... mas não vão.
Vanessa é uma grande amiga, mas eu nunca notaria sua presença se estivesse vivo. Nunca perceberia que seu rosto gentil é como o de uma irmã amorosa que faria de tudo para ver você feliz novamente. Foi isso que ela fez para a minha Demi. Vanessa não entendeu o porquê daquela tristeza abrupta de Demi, pensou em inúmeras alternativas, mas nenhuma parecia ser ruim o bastante para deixar sua amiga triste daquela maneira. Demi não contava a verdade e eu não a culpava, não são muitos os que acreditariam que ela estava vendo o fantasma de um garoto da faculdade que morreu meses antes. O amigo delas, de quem eu não vou muito com a cara, também tentou trazer a animação de Demi de volta. Mas nada que eles faziam adiantava alguma coisa, Demi se enterrava nos livros e estudava dia e noite no necrotério. Troy até se acostumou com a presença dela lá depois das aulas, Demi saindo do necrotério lá pelas 11 horas da noite.
Depois de três semanas, eu decidi que havia cometido um erro, um erro terrível. Fiquei perdido na ideia de voltar para a vida dela e piorar ainda mais a situação. Eu a deixei, com certeza ela não me receberia de braços abertos. Fiquei voando dias a fio pensando em o que faria para que ela voltasse à sua rotina anterior e a ser a amiga simpática que Vanessa e Sterling um dia haviam conhecido. Encontrei Demi tarde da noite em sua cama, sozinha, com um livro sobre o rosto, enquanto Vanessa estava em uma festa no quarto de alguém do segundo andar. Quando limpei a garganta para anunciar a minha presença ela simplesmente levou um susto dos grandes e deixou o livro cair no chão. Quando seus olhos castanhos como avelãs vieram até mim, vi uma tristeza profunda e não podia acreditar que eu era a causa daquilo.
— O que você está fazendo aqui? Já tinha começado a pensar que você havia sido somente uma alucinação da minha cabeça — disse ela, cruzando os braços e se recostando totalmente nos travesseiros atrás de si.
Nenhum sorriso, nenhum tipo de sentimento que aquele rosto angelical gostaria de mostrar.
— Preciso de sua ajuda — murmurei com tom gentil e nada mais.
— E por que você precisaria da minha ajuda? — perguntou ela com um rancor que eu não sabia que poderia existir em uma pessoa tão linda e gentil como ela.
— Eu me lembrei de uma coisa — fiz uma pausa, olhei profundamente em seus olhos e dei três passos em direção à sua cama.
Fazendo isso, pude ver as olheiras embaixo de seus olhos perfeitos. Quero descobrir quem me matou! — disse, finalmente. Isso a surpreendeu muito, suas sobrancelhas se elevaram e sua expressão ficou menos rancorosa.
Sentei em sua cama e nossos olhos ficaram da mesma altura. — Preciso de sua ajuda — sussurrei.
— Por quê? — sussurrou ela de volta, olhando-me diretamente em meus olhos com uma dor evidente.
— Não posso simplesmente falar com os vivos, posso? — perguntei com um leve sorriso ao qual ela não correspondeu. Ela queria, isso eu sabia, mas não o fez. Ficou sentada, de braços cruzados e pensando no que eu acabara de lhe pedir. Depois de muito tempo ela apenas disse:
— Não, eu não posso. Eu te odeio — ela respondeu como uma criança emburrada. Como se eu tivesse roubado sua Barbie e agora quisesse brincar com ela novamente. Aquilo me pareceu adorável, para dizer a verdade.
— Eu te odeio mais — retruquei, cruzando meus braços também.
— EU te odeio mais — disse ela, o “eu” bem forte, e se sentou na cama, ficando perto de meu rosto.
— Podemos nos odiar, mas ainda assim preciso de sua ajuda — sussurrei seriamente e com firmeza, e ela pareceu entender.
— Tudo bem, eu te ajudo. Mas me prometa uma coisa... — ela começou decidida e parou por alguns segundos.
— O quê? — perguntei com curiosidade. Ela descruzou os braços e começou a encarar as mãos que estavam sobre suas pernas, pensando seriamente em como dizer o que estava em sua mente.
— Me prometa que... você vai aparecer todos os dias. Que você não vai me deixar sozinha — sussurrou ela em um tom que foi quase inaudível. Eu pensei naquela resposta, pensei nos dias que ela viveu sem mim e em quanto ela perdeu por minha causa. Nada daquilo haveria acontecido se eu não tivesse dado uma de gostosão e dito mentiras deslavadas. Aquelas olheiras, aquela tristeza, aquela solidão, tudo era culpa minha, e quem sou eu para recusar algo que a deixaria feliz. Mesmo eu sendo esse algo que a deixaria feliz?
— Eu prometo — murmurei de volta e ela me olhou surpresa, como se eu fosse ser capaz de dizer “não” para aquele rosto delicado e perfeito. Ela deu um sorriso que eu jamais esquecerei e que me iluminou profundamente. Quem um dia iria prever que um fantasma deixaria uma pessoa feliz? E quem um dia iria prever que um fantasma se apaixonaria por uma viva? Isso para mim parecia algo que poderia acontecer em filmes de romance para a grande tela de cinema. Mas agora aqui estou eu, conversando com uma humana viva, enquanto estou morto e usando as mesmas roupas do dia de meu assassinato, meses atrás. Eu devia estar triste, mas eu me recuso a estar triste com a minha morte quando uma pessoa como a Demi consegue trazer a tona o melhor de mim. Quem poderia ter me matado? Por que eu não me lembrava? E porque eu não lutei de volta? Sou, afinal, um homem corpulento e forte, por assim dizer.
Mas uma coisa é certa, eu tenho que proteger minha Demi enquanto ela estiver me ajudando, Deus me livre se ela encontrar o assassino e ele fizer algo contra ela. Eu morreria pela segunda vez.
Não conseguia acreditar no que Joe havia me pedido. Claro que sempre pensei em ajudar a descobrir o seu assassino e em como o assassinato aconteceu, mas Joe nunca tinha pedido assim tão abertamente a minha ajuda. Havia grande determinação em sua voz quando ele o fez, e é por isso que aceitei. Eu sofri quando ele me deixou completamente sozinha por quase um mês. Senti como se meu coração tivesse sido arrancado e nada houvesse em meu peito além de solidão e de uma tristeza aguda. Senti como se o mundo inteiro tivesse desmoronado e eu fosse a única sobrevivente. A única viva entre milhões e milhões de fantasmas. Senti uma pontada de felicidade quando Joe finalmente apareceu depois de tanto tempo caminhando por aí e aprontando por todos os cantos, mas também senti urna pontada de raiva por ele ter me deixado. Pedi a ele que fosse embora naquela hora e também que não desaparecesse para sempre. Não sei onde ele estava com a cabeça quando decidiu me deixar sozinha neste mundo.
Posso dizer, no entanto, que algo de bom veio em meio a toda a minha depressão. Em todas as provas e trabalho que fizera nas últimas semanas, eu tirei nota máxima. Estou adiantada em quase todas as matérias por já ter lido tudo o que os professores mandaram ler. Virei uma com completa CDF na ausência de Joe; não que eu antes não o fosse, mas digamos que “piorou” muito depois do desaparecimento dele.
Vanessa e Sterling se esforçaram tanto para me deixarem feliz, mas tudo o que eu via ao olhar para eles era a ausência de Joe a seu lado. Por isso me afastei, decidi que o melhor lugar para ficar era no necrotério, onde tinha somente a Troy e aos defuntos como companhia. Estando lá, eu me sentia mais perto de Joe. Ficava estudando com os barulhos que aquele lugar abrigava, os barulhos que agora sei que de fato são causados por fantasmas que não vejo. Por algum motivo, o único com quem eu conseguia me comunicar era Joe Jonas.
Troy, também conhecido como o Sr. T, me ajudou mais que qualquer outra pessoa. Ele sabia que algo estava errado comigo, mas compreendia que eu não queria falar a respeito e não me pressionava para saber a verdade nem para tentar me animar. Acho que por isso também achei o necrotério mais agradável para mim, eu podia ser eu mesma que ninguém ali presente perguntaria o porquê da minha tristeza e o porquê de toda aquela morbidez. Troy me tratava como a Demi normal de antigamente, enquanto Vanessa e Sterling lançavam olhares desconfiados a cada minuto que passavam comigo.
Quando Vanessa chegou da festa ontem á noite eu não pude mostrar para ela a minha felicidade, mas, pela manhã, estava claramente visível.
Enquanto ela estava de ressaca na cama, deitada de bruços, com o braço esquerdo para fora e um balde de segurança a seu lado, eu me aprontava com um sorriso de orelha a orelha.
— Você está completa e inteiramente assustadora — resmungou Vanessa ao abrir os olhos e me ver pra lá e pra cá parecendo feliz da vida.
Sua voz falhava e nem um músculo de seu corpo conseguia se mexer, como se ela estivesse com uma imensa dor.
— E você parece um gafanhoto morto. Não acredito que você não trocou de roupa ontem à noite, eu consigo ver a calcinha enfiada na sua bunda daqui, sabia?
— Ha-há-há, muito engraçado — soltou ela com um riso falso e voltou a fechar os olhos e a resmungar.
— Estou falando sério, até parece que você não nota — murmurei séria. Vanessa estava completamente jogada na cama e usava um vestido muito curto vermelho-vivo, por isso que conseguia ver claramente que sua calcinha preta estava enfiada na bunda e estava... do avesso! — AI, MEU DEUS! — gritei, e isso a fez levantar a cabeça e tirar a cabeleira ruiva encrespada de seu rosto. Ela apertava seus olhos com muita força. E franzia sua testa, parecia mesmo com muita dor de cabeça.
— O que é? Jesus Cristo, você vai acordar todos os pobres coitados que dormem por aí Demizinha — afirmou ela, agora me encarando ainda com a voz falhando. Quando cu não abri a minha boca para dizer o que eu acabava de descobrir, ela se sentou na cama e me encarou ainda mais. — O que aconteceu com você? O diabo não está mais no seu corpo magricelo?
— Que conversa é... Argh nunca teve nenhum diabo no meu corpo, Deus do céu.
— Humm sei. Então ficar como uma zumbi dias a fio é rotina para você? — perguntou Vanessa agora passando a mão na cabeça e fazendo uma careta que parecia ser de desconforto. Eu nem pensei em responder à sua pergunta, eu não iria dizer a razão de meus dias sombrios para uma garota de ressaca, mas... quem sabe um dia? Quando ela ne viu cruzando os braços e fazendo uma cara de mãe que pegou a filha no flagra, Vanessa olhou para os lados como se procurasse uma saída de emergência.
— Você transou ontem a noite, não foi? — perguntei firmemente, mas com um leve sorriso no canto da boca, algo que fez Vanessa ficar mais à vontade e, segundos depois, ela mesma estava sorrindo.
— Como você sabe disso?
— Ah, fala sério. Seu vestido nem está totalmente abotoado atrás e sua calcinha está do avesso. Qualquer pessoa que visse isso saberia!
— Então foi bom que foi você quem viu essa cena e não a minha mãe — disse ela se desatando a rir, mas segundos depois ela parou um pouco por causa da dor de cabeça. — Isso quer dizer que você é você mesma? Ou alguém invadiu seu corpo? Por favor, quero a Demizinha de volta e não um demônio dentro do corpo dela — Vanessa falou isso tão seriamente que pensei que ela tinha mesmo pensado nessa possibilidade.
Eu desatei a rir e me atirei na cama dela, assim nós duas rimos a beça.
Sentamo-nos na posição de indiozinho uma em frente à outra e entrelaçávamos nossas mãos a toda hora, enquanto trocávamos de histórias.
— Então quem foi o felizardo? — perguntei primeiramente.
— Ah, meu Deus, você não vai acreditar, Demizinha. Está pronta? — ela fez uma pausa e me deu um sorriso maior que qualquer outro. — Foi o Aaron.
— AH-MEU-DEUS! — disse, entre pausas, apavorada.
— Pera aí, deixa eu explicar — começou Vanessa pegando em minhas mãos. — Tudo  começou quando eu fui até ele na festa e comecei a xingá-lo pelo que ele fez com você. Fiquei “p” da vida quando ele pareceu não se importar. E foi aí que eu comecei a gritar como ele era um cretino dos grandes e um tarado que somente queria atacar as garotas indefesas. Todo mundo na festa percebeu a nossa briga e todos pararam pra escutar, foi embaraçoso pra ele. Eu pensei que ele ia chorar, Demi. Daí quando ele saiu do quarto da festa eu saí atrás dele porque eu não havia terminado de dizer o que eu tinha em mente. Apesar de eu estar dizendo aquelas coisas horríveis pra ele, Aaron não pareceu estar bravo comigo e nem nada parecido. Depois que disse a ele que era pra pedir desculpas pra você, ele começou a me explicar umas coisas da vida dele. Aaron me contou que ele faz essas besteiras quando bebe muito, que policias já vieram falar com ele por causa com que aconteceu entre vocês dois, e que depois disso ele nunca mais colocou uma gota de álcool na boca. Daí ele começou explicando que o Joe, sabe, o Joe que morreu?... Era ele quem segurava a barra quando ele bebia, e agora que Joe está morto, ele estava começando a se descontrolar. Coitadinho dele, Demi, ele vai pedir desculpas pra você. E sabe... depois nós fomos para o quarto dele, conversamos quase a noite toda, e uma coisa levou a outra, e eu tive os melhores orgasmos de toda a minha vida — disse ela sorrindo no final e revirando os olhos como se fosse transportada para outro mundo.
— Nossa... Espero que ele me peça mesmo desculpas — disse por fim. Eu não sou dessas pessoas rancorosas que guardam ódio dos outros para toda a eternidade, mas o que o Aaron fez comigo vai ser difícil de esquecer. Um pedido de desculpas, pelo menos, já seria um grande passo.
E a história dele batia com a história que Joe me contou depois do ataque que sofri. Tudo que eu podia imaginar é que Aaron falara a verdade para Vanessa; assim espero, porque ela estava muito feliz, apesar de cansada e parecendo um caco.
— E você? O que fez ontem à noite? — perguntou Vanessa curiosa.
— Sabe, a mesma coisa de sempre. Estudei até não poder mais e...
— Ah meu Deus, esquecemos que temos aula — quase gritou Vanessa enquanto se levantava da cama e começava tirar a roupa bem ali na minha frente.
— Sabe, faltam apenas vinte minutos pra aula acabar — eu a interrompi.
— Se você sabia, por que ficou aqui comigo? Você é mais CDF de toda a universidade. Pensando melhor, você é a mais CDF de todas as pessoas de todo esse planeta e de todos os planetas. Acho que você é mais CDF que todos os alienígenas juntos. Você não é um alienígena, é? — perguntou ela enquanto tirava seu vestido e colocava um pijama de ursinhos. Isso era sinal de que não iria sair do quarto o dia todo.
— Quer parar de falar essas coisas? Eu não sou nenhum. ET, nem demônio, nem diabo, nem fantasma, nem zumbi,. nem nada parecido. E eu fiquei com você porque precisava de mim e eu de você. E não fui para aula porque estou adiantada, já entreguei o trabalho de hoje há uma semana, — respondi ainda sentada na cama dela.
— Uma semana atrás? — disse ela franzindo a testa encarando o chão e de repente seu rosto de iluminou, come se tivesse descoberto a resposta de uma grande pergunta, — A-há, já sei: você é um robô!
— Por que você insiste em pensar nessas coisas? Eu sou apenas a Demi.
— Sem querer ofender, Demizinha, mas nunca na vida encontrei uma pessoa como você — confessou Vanessa enquanto voltava para se sentar a meu lado em sua cama.
— Isso é ruim? Você deve ficar feliz por eu ser diferente das outras pessoas.
— Humm — disse ela desconfiada. — Apenas me prometa que não vai ficar no modo zumbi ligado nunca mais — continuou ela quase com um beiço. Fiquei triste por deixá-la de fora de toda a minha “depressão—Joe”. Vanessa era uma ótima amiga e eu fui uma idiota por não notar isso antes.
— Sim, eu prometo — e sorri. Ela me deu um grande e apertado abraço.
O que continuava na minha cabeça era do quê Joe havia se lembrado. Será que ele se lembrou de algo de seu assassinato? Eu tinha que ajudá-lo com isso, parecia até um dever meu para com ele. Mas por quê?







 XOXO Neia :D
Hey babes!! Tou tão feliz que voces estejam comentando <3
Bem ai esta outro cap. Espero que gostem, continuem a comentar. Love You Guys <3
P.S: Comentários em anonimo já estão disponíveis, obrigada por terem dito que não estavam a dar. Kiss my people

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 7

Antes do cap:
Pediram, por isso aqui vai:
Divulgação: 
http://jamaisteesquecereijemienelena.blogspot.com.br/ 



Agora o capítulo:

— Qual é, Joe? Eu preciso falar com você, onde você está? — perguntei encarando o teto sobre a minha cama, como se ele pudesse me ouvir lá em cima. Fechei meus olhos depois de segundos sem resposta e respirei fundo. Quando os reabri, Joe estava deitado em minha cama com a mesma roupa de sempre e com um sorriso assustador... mas sexy, tenho que admitir.
— Você consegue me ouvir quando o chamo? — perguntei aos sussurros ignorando o largo sorriso em seu rosto.
— Bem que eu gostaria, mas na verdade não. Foi apenas coincidência — Joe respondeu tirando o sorriso do rosto. Senti como se ele estivesse feliz em outro lugar e, quando apareceu para mim, aquela felicidade houvesse se extinguido. Não gostei daquela sensação.
— Onde você estava todo esse tempo? — sussurrei novamente, e por algum motivo queria manter a minha voz baixa.
— Por aí.
Ficamos nos encarando, sérios. Então, eu me encostei na escrivaninha e ele continuou deitado em minha cama. As respostas dele eram diretas e sem emoção, o que me fez sentir tristeza e solidão. Parece que esses dias sem a minha presença o desintoxicaram de sua atração por mim. Eu sentia o mesmo por ele, mas a maneira como ele me encarava naquele momento me deu medo. Medo por ele não me querer mais, medo de ele não aparecer mais para mim.
— Outro garoto foi morto, do mesmo modo que você — consegui dizer com esforço depois de muito tempo. Meu tom não era de felicidade e nem de tristeza. Ele estava se comportando como se não estivesse nem aí para mim, então decidi fazer o mesmo.
— Fiquei sabendo. Rondei por esta faculdade por muito tempo, você não faz ideia do que as pessoas fazer e o que dizem. Estou me divertindo bastante — ele confessou voltando a abrir o sorriso. Então era isso que e estava fazendo este tempo todo, espionando as pessoa. Que sutileza.
— Não sabe quem é o assassino? — perguntei, esperançosa. Talvez, se descobrisse o assassino, Joe pudesse encontrar paz e seguir em frente.
— Infelizmente não. Posso estar apenas em um lugar de cada vez e com toda a certeza ficar espionando garotos que eu não estou fazendo — respondeu ele com um sorris ainda maior. Eu logo vi o que aquele sorriso significava era malandragem, eu podia ver claramente. Então tudo que ele fazia naqueles dias era espionar mulheres, esse, sim, era o Joe que me magoava quando estava vivo. Eu não quis revelar meus sentimentos, mas só de pensar em ele espionando outras garotas me deu nojo e uma grande tristeza. Por que eu poderia imaginar que ele teria olhos.
— Quero que você vá embora — sussurrei lentamente com lágrimas nos olhos. Eu piscava seriamente e olhava para cima mais que deveria. Eu com certeza não deixaria aquelas lágrimas caírem enquanto ele estivesse me encarando. Não queria que ele soubesse que tinha me machucado, mas eu não consegui realizar tal façanha. Ele notou e o sorriso safado do rosto se extinguiu, e então Joe se levantou de minha cama.
— Demi, não é o que você está pensando. Eu não... — ele foi caminhando em minha direção, mas fui dando passos para trás até minhas costas encontrarem a porta.
— Eu quero que você vá... por favor — murmurei com tristeza e deixei sem querer uma lágrima cair em meu rosto. Eu a enxuguei rapidamente com as costas de minha mão. A expressão de Joe era de puro arrependimento, o que me fez querer chorar ainda mais quando percebi que ele poderia chorar também. Mas eu queria que ele sentisse a minha dor, a minha decepção. Ele caminhou até mim, parou a centímetros de me tocar. Eu quis dar mais passos para trás, mas minhas costas já estavam na porta. Fechei meus olhos para não encarar aqueles olhos cor de mel penetrantes e para não deixar mais lágrimas fugirem de seu esconderijo. Virei meu rosto para a direita e ouvi algo em meu ouvido esquerdo em alto e bom som.
— Desculpe-me — com um tom de dor. Não sei o que esse pedido de desculpas significava. Por ele não poder ficar comigo? Por olhar mulheres nuas aqui e ali durante todos esses dias? Por não saber quem é o assassino? Por me fazer chorar? Eu apenas decidi esquecer aquele momento entre nós quando abri meus olhos e não o encontrei ali, à minha frente. Por mais que ele me machucasse, por mais que ele me fizesse chorar, meus sentimentos em relação a ele nunca iam embora. Não sei se isso era bom ou ruim.




XOXO Neia ;)
Como vão meus amores kkkk
Sei que tá curto, mas para não vos deixar na mão estou postando este....o próximo é um pouquinho maior :)
Já sabem: divulguem, comentem, sigam o que quiserem...Kiss Love You Guys <3










domingo, 11 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 6

A notícia sobre a festa de Brian se espalhou por todo o alojamento .
Todo mundo estava falando sobre isso o tempo todo, até os professores avisaram para não chegarmos para a aula no dia seguinte com ressaca. A minha vontade de ir para a festa se extinguiu de uma hora para outra, eu detestava multidões, me sentia como se não conseguisse respirar, mas eu iria fazer esse sacrifício por Vanessa, ela estava tão excitada.
— Não sei o que vestir. Essa blusa ou esse vestido? — ela balançava roupas e mais roupas em minha frente há quase uma hora. A festa começaria dentro de 15 minutos e ela ainda estava indecisa. Eu havia chegado do necrotério e me arrumado em minutinhos. Vestia um vestido amarelo um pouco acima dos joelhos, meu cabelo estava solto e eu usava una tiara. Eu não queria me arrumar muito, para mim essa festa não passava de uma perda de tempo.
Enquanto Vanessa balançava a blusa rosa pink e o vestido preto sexy, minha cabeça começou a pensar em onde Joe poderia estar. Sei que havia dito que não queria mais vê-lo, mas não saber onde ele estava ou se estava “bem” me deixava frustrada e agoniada. Eu não gostava daquele sentimento, mas talvez assim fosse para o melhor de todos.
— Terra para Demi. Por onde você anda? Estou esperando a sua resposta por quase um zilhão de anos e você nem está prestando atenção em mim — disse Vanessa ansiosa.
— É claro que estou prestando atenção em você. Só estava pensando... Ah acho melhor você ir com o vestido preto. Vai deixar Connor com ciúmes e Brían excitado — desabafei o que ela queria ouvír.
— Gostei da observação. Então vai ser o preto — a deixei feliz, que bom. Agora a ansiedade dela não estava tão evidente. Vanessa pegou todas as coisas que precisaria e levou para o banheiro, eu quase não acreditei quando ouvi a água correr. Nós vamos chegar atrasadas, pensei. Mas acho que em festas desse tipo ninguém realmente se importa. Como Vanessa iria demorar pelo menos mais vinte minutos, eu deitei em minha cama e fiquei encarando a prateleira de livros. Estava me levantando para pegar Romeu e Julieta quando Joe atravessou a porta sem abri-la. Ele estava diferente, parecia que sua pele estava mais pálida que o normal, e sua expressão não era das melhores.
— Você está bem? — perguntei, ainda de pé ao lado da cama, ele na frente de minha porta. A distância era grande, gostaria que tivéssemos mais perto... como se isso fizesse uma grande diferença.
— Tecnicamente eu não estou bem, estou morto — respondeu Joe bruscamente. Sua testa estava franzida, os olhos duros e maldosos.
O velho Joe estava de volta. Eu queria conversar, mas como ele estava naquele seu estado estúpido nada disso sairia bem. — Você está bonita — ele sussurrou com olhos quase que doentes, olhando-me de baixo a cima.
— Espero que se divirta com os garotos da sua idade... e, sabe... fique com algum deles. Você está linda demais para ser desperdiçada.
Aquilo me magoou muito mais que ele poderia imaginar. Eu não iria ficar com ninguém, eu queria ser desperdiçada porque nenhum daqueles caras seria quem eu queria. Além das palavras que ele usou, o tom com que Joe as pronunciou me deixou completamente irritada.
Quando me dei conta, eu estava indo rapidamente em sua direção com um olhar matador e o dei um tapa em seu rosto. Na verdade eu tentei dar um tapa em seu rosto, tudo que aconteceu foi minha mão dando um tapa no ar. Eu havia me esquecido que ele estava morto como já pensara que algum dia aconteceria. Ele pareceu triste com o meu feito, mas eu não sabia o motivo. Tudo bem que eu tentei dar um tapa nele, mas ele nem sentiu, para começo de conversa.
Como se não estivesse ruim o bastante, Sterling entrou feliz da vida pela porta, dando diretamente comigo. Quando ele me viu parada ali, não se deu conta de que alguma coisa estava errada. E como poderia, se ele estava olhando para meu corpo.
— Você está linda Demi — Ster disse com um sorriso maior que a cara e me abraçou. Joe não se moveu nem um centímetro, nem mesmo quando Ster passou por dentro dele. Seus olhos não desgrudavam dos meus. Quando Ster me abraçou, ele fez uma cara de nojo como se não pudesse acreditar que Ster podia me tocar e ele não. Eu senti naquele momento que ele poderia desaparecer para sempre e nunca mais voltar para mim. Eu balancei minha cabeça dizendo um não para ele com lágrimas nos olhos, mas ele.., desapareceu.
— Ah, você já está aí, que bom. Agora podemos ir — ainda bem que Vanessa saiu do banheiro naquela hora, fazendo Ster tirar suas mãos e sua atenção de mim para ir abraçá-la. Eu fiquei onde estava, atordoada, encarando o lugar onde Joe havia desaparecido. A mínima vontade de ir para a festa desapareceu em segundos. Queria ficar no meu quarto esperando por ele, eu queria ficar aqui no meu quarto sozinha até que ele aparecesse. Mas isso não aconteceu, Ster e Vanessa se engancharam em meus braços e seguimos em frente para o corredor de Brian.
— Você está bem, docinho? Está muito quieta — perguntou Ster, fazendo-me estremecer com a palavra “docinho”
— Estou ótima, Ster — respondi forçando um sorriso falso do qual ele nem desconfiou.
Levamos mais tempo que o normal para encontrar o quarto de Brian e seu colega. Como eles estão no terceiro ano de medicina, o alojamento deles era muito mais longe modo da festa, eu me deparei com garotos bebendo cervejas, garotos beijando garotas, garotas beijando garotas, garotas sem blusa e uma farra que não tinha nada a ver comigo.
Vanessa, no entanto, adorou o que viu, avistou Brian no fundo do quarto e já foi atrás dele. Eu apenas a observei, Brian ofereceu a ela um copo de cerveja e ela aceitou sem hesitar.
— Ah, meu Deus. Eu conheço aquela garota — resmungou Ster ao meu lado, excitado por conhecer uma garota que parecia ser muito mais velha do que ele. — E ela está olhando para cá — disse ele nervoso.
— Bom, pra mim que ela não está olhando — murmurei para ele. Ster saiu de perto de mim quase como se estivesse hipnotizado pela garota ruiva com peitos enormes. Eu pensei em ir embora depois que ele me deixou, mas Vanessa não tirava os olhos de mim. Fazia sinais a todo o momento, compartilhando comigo como estava sendo com Brian.
Meia hora se passou e eu me encontrava sentada no chão perto da porta do lado de fora. Apenas reparava em quem entrava e em quem saía, mas a quantidade de gente que entrava dominava a quantidade que saia.
Então eu tinha a certeza absoluta de que lá dentro havia uma multidão das grandes, não dando nem para se mexer. Sobressaltei-me quando um garoto de cabelos escuros, olhos escuros e bem arrumadinho saiu aos tropeços do quarto de Brian.
— E aí, gatinha? — ele se sentou ao meu lado, eu podia sentir o bafo de álcool. Eu me distanciei, mas ele se aproximou ainda mais. Ele estava totalmente tomando conta do meu espaço privado. — Meu nome é Aaron, qual o seu? — ele começou a puxar assunto, eu não queria dizer nada, mas como ele estava caindo de bêbado, ele não se lembraria de nada na manhã seguinte mesmo.
— Demi — respondi apertando a sua mão.
— Então Demi, porque está aqui fora quando lá dentro está rolando uma festa irada?
— Posso te perguntar a mesma coisa.
— Eu só estou tomando um ar. Tive sorte de encontrar uma gatinha que nem você por aqui.
Eu não disse nada, apenas lhe mandei um sorriso mínimo. Eu queria ficar sozinha, quando ele entrasse, eu provavelmente iria para meu quarto. Mas o problema é que Aaron não calava a boca, e estava demonstrando interesse em mim. Deu-me vontade de vomitar.
— Então, você conhecia o garoto que morreu? — perguntei para ele. Já que Aaron queria tanto conversar, teríamos uma conversa da qual eu pudesse tirar algum proveito.
— Ah, o Joe?! Claro que conhecia, o cara era meu colega de quarto. Muitas garotas eram gamadas naquele cara. A morte dele foi uma perda para as garotas — e ele começou a rir, dar gargalhadas na verdade.
— Como ele era? — queria permanecer no assunto.
— Hummm. Joe era odiado por muitas pessoas, principalmente umas garotas que eram apaixonadas por ele, mas para quem ele nunca dava bola. Mas comigo ele era um cara legal, ele me respeitava e eu o respeitava. Acho que devíamos agir assim porque, afinal, éramos colegas de quarto as gargalhadas dele desapareceram e apenas um sorriso falso permaneceu. Ele levou seu copo de cerveja à boca e o tomou tudo em apenas um gole. Quando ele terminou parecia que estava tonto. — Vamos parar de falar naquele cara morto e vamos nos divertir — eu achei que ele iria se levantar para entrar para a festa novamente, mas em vez disso ele virou o rosto e tentou me beijar. Eu consegui virar bem a tempo de os lábios dele não tocarem nos meus, ele acabou beijando minha bochecha.
Quando ele se deu conta de que eu havia virado o rosto, tentou me beijar novamente. Mas dessa vez eu me levantei, o olhar dele estava quase ameaçador, penetrando nos meus enquanto ele mesmo se levantava. Eu tentei dar alguns passos para ir para meu quarto, ou qualquer outro lugar, mas ele segurou meus ombros e me jogou na parede.
— O que você está fazendo? Sai de perto de mim — eu tentei socá-lo, mas ele segurava meus braços com força, então eu dei um chute em suas canelas. Ele gemeu de dor e me soltou. Eu corri, meu coração saltando no meu peito, tudo que eu queria era chegar a meu quarto e fingir que essa noite nunca havia acontecido.
— Hey, vagabundinha. Não ache que vá escapar tão fácil. Nenhuma garota diz não pra mim — ele gritou atrás de mim enquanto eu corria.
Eu soltei um lamento quando virei o rosto para a frente e comecei a correr mais rápido. A maioria das pessoas ou estavam dormindo ou estavam lá atrás na festa de Brian. Enquanto corria tentava achar a chave que se encontrava cm algum dos bolsos do vestido amarelo que combinava com meus cabelos. Quando cheguei à minha porta eu estava ofegante demais, e meu coração parecia que ia sair através de minha boca.
Coloquei a chave na fechadura, eu estava tremendo furiosamente, e a virei. Quando ouvi o estalinho que havia destrancado, Aaron me pegou pelos ombros e me virou para encará-lo.
— Não me toque... ME LARGA! — gritei e me debati para tirá-lo de mim. Consegui lhe dar um tapa e com isso consegui alguns segundos para me virar e abrir minha porta. Ele me empurrou com toda a força quando consegui abrir a porta e caí no chão. As luzes de meu quarto piscavam loucamente, permaneci no chão e recuava enquanto Aaron entrava e se ajoelhou ao meu lado.
— NÃO... não, pare... — ele tentou me beijar novamente e eu fíz de tudo para não deixá-lo tocar em meus lábios. Agora lágrimas escorriam descontroladamente enquanto pedia para ele me soltar e o tentava chutar e bater, mas ele era muito forte.
De repente eu avistei Joe ao nosso lado, ele pegou Aaron pelos ombros e o atirou tão longe que ele parou fora da porta de meu quarto.
Aaron olhou para todos os lados procurando a pessoa que o havia jogado longe, mas não encontrou ninguém. Sua expressão era de pavor quando olhou para mim enquanto se levantava. As lâmpadas de meu quarto e as do corredor piscavam furiosamente até que estouraram; eu gritei, protegi meu rosto com as mãos e me levantei. A atitude de Joe lembrou à daqueles assassinos quando avistam sua presa, seus olhos vidrados nos de Aaron e seus punhos cerrados. De repente a porta se fechou sozinha, dando um estouro. Aaron não entraria mais ali, disso eu tinha certeza.
— J-Joe — gaguejei. Meus nervos ainda estavam à flor da pele.
Quando seu corpo se virou para mim, ele relaxou. Seus punhos não estavam mais cerrados, seus olhos eram amáveis e sua expressão era de pura preocupação. Eu dei passos apressados em sua direção para poder abraçá-lo, mas ele recuou. — Mas... você o tocou. Jogou Aaron pra fora do meu quarto. Eu posso tocar em você agora — eu dei mais alguns passos à frente.
— Não — ele disse decidido, estendendo a mão para eu parar, e eu obedeci. Ficamos parados frente a frente até que o silêncio começou a nos incomodar. — Você está bem? — ele perguntou ainda preocupado. Eu assenti enquanto limpava de meu rosto as lágrimas secas e os cacos de vidro em meus cabelos.
— Sim, estou Ótima. O-o-brigado.
— Desculpe.
— Pelo quê? — perguntei, curiosa. Ele havia acabado de salvar a minha vida, não tinha nada para se desculpar.
— Pelo Aaron — começou Joe respirando fundo. — Ele costuma ficar violento quando bebe muito, devia ter te avisado. Sinto muito Demi, eu sinto muito — ele parecia tão arrependido, eu queria abraçá-lo e dizer que estava tudo bem.
— Você não tinha como saber nada disso. Nem que iamos nos conhecer naquela festa. Joe, você não tem nada de que se desculpar.
— Mas... eu devia ter dito alguma coisa. Eu tenho que proteger você.., ah, eu vou matá-lo — ele resmungou muito irritado, cerrando seus punhos novamente. Eu tive que sorrir face à ideia de que ele estava todo superprotetor em relação a mim. E isso me fez amá-lo ainda mais.
Enquanto Joe resmungava para si mesmo caminhando para lá e para cá, eu me posicionei em seu caminho, o que quase nos nos fez chocarmos um no outro. Ele deu um passo para trás e eu um para frente, e fiquei na ponta nos pés, assim ficando na altura perfeita de sua boca.
— Eu não sei como fiz aquilo com o Aaron, Demi. Por favor, não... — ele tentou me convencer, mas eu não queria ouvir. Eu estava a meros centímetros de seus lábios, minha respiração elevada, olhos abertos para ver aquilo realmente acontecer. Joe molhou seus lábios carnudos e eu sabia que ele queria também... mais do que tudo. Mas ele desapareceu.
Eu quis gritar, eu quis espernear, eu faria de tudo para tê-lo de volta.

Enquanto Vanessa ainda estava se divertindo na festa eu limpei os cacos de vidro do chão e peguei minha chave que havia ficado do lado de fora da porta. Tranquei-a e deitei na cama, abraçando as pernas. Fiquei repassando a cena do ataque de novo e de novo em minha cabeça perturbada. Eu não queria pensar naquilo, não mesmo, mas queria descobrir como Joe havia atirado Aaron tão longe. Ele tinha sim tocado em seus ombros e o jogado, eu vi, Joe o tocou.
Se eu descobrisse como Joe conseguiu fazer isso nós poderíamos nos tocar, nem que fosse por alguns minutos. Além de tocar em Aaron, Joe conseguiu estourar as lâmpadas do meu quarto e as do corredor, e sem falar no movimento forte da porta se fechando. Joe estava muito irritado; eu já tinha lido em alguns livros sobre fantasmas que, quando se enfurecem, podem fazer coisas desse tipo.
— Por que voltou? Eu procurei você por toda parte, achei que tinha acontecido alguma coisa — perguntou uma Vanessa preocupada ao adentrar a porta.
— Minha cabeça começou a doer e eu voltei pra cá — respondi tentando soar convincente, mas alguma coisa dentro de mim disse para não mentir. Respirei fundo e disse: — É mentira... Eu voltei porque Aaron, o colega de quarto de Joe, me forçou a beijá-lo, e quando eu recusei quis voltar pra cá, mas ele me seguiu... ele tentou... — eu não consegui terminar o que estava dizendo, senti uma vontade terrível de cair em lágrimas. O rosto de Vanessa se contorceu em pavor, veio correndo até mim cama e se ajoelhou diante de minha cama.
— Ah Demi, ele fez alguma coisa com você? Se sim, eu vou voltar lá agora mesmo e MATAR AQUELE FILHO DA M ÃE! ELE ACHA QUE PODE AGIR ASSIM E FORÇAR AS GAROTAS A FAZEREM O QUE ELE QUER? AH, EU VOU DENUNCIÁ-LO E DEIXAR-LO PELADO NA FRENTE DA FACULDADE TODA. JURO, DEMIZINHA EU VOU ESGANAR AQUELE CARA! — gritou Vanessa, e levantou as mãos para o ar fazendo como se estivesse esganando alguém. A vontade de chorar desapareceu quando ela começou a gritar e gesticular. Eu comecei a rir, na verdade, porque Vanessa se importava mesmo comigo e estava disposta a esganar o cara que me tinha me feito mal.
— Não, Vanessa, relaxa. Ele não fez nada, portanto não precisa esganar ninguém nem deixar ninguém pelado... — soltei umas risadinhas e ela passou a mão em meus cabelos parecendo muito preocupada.
— Você está bem mesmo? Posso voltar para a festa e sabe... Não, está tudo bem, Jo... hummm, um rapaz conseguiu me salvar. Foi como uma cena de cinema agora eu estava deixando vanessa muito curiosa, vi uma luz extrema brilhar no canto de seus olhos arregalados.
— Que irado! Ah, por que isso não acontece comigo? Eu quero ser salva por um cara bonito. Ele era bonito não era? Tinha que ser bonito, você tem que me mostrar quem ele é no refeitório amanhã.
— Claro que ele é bonito, lindo de morrer é pouco — contei a ela.
Eu queria tirar o peso de minha alma e contar sobre Joe para Vanessa, mas não queria que ela pensasse que eu era maluca. Agora teria que inventar uma desculpa para o fato de meu salvador não se encontrar nunca no refeitório nem em qualquer outro lugar da faculdade. Vanessa não iria vê-lo, somente eu conseguia vê-lo. Pensei que dormir naquela noite não seria muito fácil, mas me enganei: estava tão cansada que apaguei rapidamente.
É claro que a notícia de meu incidente já estava circulando pela manhã. Aaron provavelmente contou o acontecido para um amigo confiável, e o amigo confiável contou para outro amigo confiável e assim foi alastrando aquele veneno pelo campus inteiro. Aquela falação toda não era nada boa para Aaron, afinal agora ele era um agressor. Sterling estava tão irritado com Aaron que ele mal conseguia conter sua raiva no refeitório. Apenas ficou encarando o Aaron durante todo o almoço. Todos olhavam para mim com tristeza e outros se distanciavam quando eu passava como se tivessem medo de ficar perto de mim. A falação não girava apenas em torno do ataque de Aaron, mas também em quem teria me salvado. Falava-se em um tipo de fantasma me protegendo ou então que eu tinha poderes. Eu ria quando Vanessa ou Ster comentavam sobre isso, ria tentando parecer convincente, não queria que eles soubessem que alguém estava mesmo me protegendo, e que esse alguém era um fantasma. Então continuei com minha história de que um garoto havia me salvado. Vanessa e Sterling queriam conhecer o tal rapaz, mas eu sempre dizia que ele não estava no refeitório, que na verdade poderia ser um dos funcionários do alojamento porque parecia ser mais velho.
A história sobre meu fantasma pessoal e os possíveis poderes como Carrie, a estranha desapareceram quando outro garoto da turma de Joe foi encontrado morto. A maneira como Vincent foi morto foi igual à de Joe, estava com o Sr. T quando ele realizou a autópsia e indo o trabalho. A polícia apareceu lá novamente e eles me perguntaram se eu conhecia aquele rapaz também, mas eu não tinha nada a dizer, pois eu realmente não o conhecia.
Fiquei paranoica quando pensei que veria o fantasma daquele garoto também, mas, depois de dias sem nenhuma aparição, me senti aliviada.
Pouco a pouco, porém, eu ia ficando agoniada: já fazia mais de vinte dias que Joe não aparecia para mim. Ele havia dito claramente que não gostava de ficar em outros lugares, porque não se sentia bem. Será que Joe realmente não se lembrava de seu assassino? Ele poderia estar escondendo este fato para me proteger? Fazia algum sentido, mas ele não poderia fazer nada a respeito dos assassinatos. Gostaria que ele aparecesse para que eu pudesse lhe perguntar se existia alguma possibilidade de Aaron ser o seu assassino. Aaron era seu colega de quarto e teria oportunidade, e eu mesma o vi em ação, e vi a fúria seus olhos quando ele me perseguia pelo alojamento e me aterrorizava. Estava fazendo o possível para prestar atenção nas aulas e estudar para as provas. Mas como poderia me dedicar cem por cento, enquanto houvesse um assassino à solta e um fantasma que não aparecia mais para mim?






XOXO Neia *-*
Oi gente :) Gostaram do cap?? Que acham que irá acontecer??
Comentem mt para o próximo...Kiss
P.S: OMG viram o live chat da Demi à conta do #DEMIVERSARY?? Eu vi e fiquei tão jfhbhsbfhb