domingo, 4 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 5

Antes do capitulo:
Hoje é o Dia Da Mãe (aqui em Portugal), não sei se ai no Brasil e outros tmb é, mas se for, FELIZ DIA DAS MÃES PARA VOCÊS. Prontos gente tive de postar isso pq elas são pessoas importantes na nossa vida. ;)

Agora o capitulo:

Quando voltei para a aula de anatomia descritiva, minha professora Olivia estava passando uma matéria importante para as provas que viriam em breve. Ela olhou para mim quando entrei, mas nada disse. Nós, alunos, podemos agir sob livre e espontânea vontade quando estamos na faculdade, então entrar e sair na sala é algo normal do dia-a-dia, desde que não atrapalhe a aula. Sentei ao lado de Sterling e tirei o material da ochila para copiar o que Olivia passava no quadro.
— Como você está? — perguntou Ster aos sussurros.
- Muito melhor, só fui tomar um remédio — acho que minhas mentiras estão cada vez mais convincentes. Não sei se isso é bom ou ruim. Bom, porque eu poderia mentir em tudo o que dizia a respeito de Joe, como naquele momento, mas ruim quando fosse pega. Um flagra total: espero que isso não aconteça comigo. Afinal, minhas mentiras são pequenas e inofensivas, e somente para o bem de Joe... e está ajudando no meu também. Não queria que me chamassem de maluca e me mandassem para um hospício, onde provavelmente era o meu lugar.
— Vanessa me mandou uma mensagem de texto dizendo que vai ter uma festa amanhã no quarto do Brian — Ster afirmou e eu assenti. — Posso ir?
— Claro que sim, Ster — respondi. Não estava olhando para ele, mas senti um sorriso enorme se formando no seu rosto. Isso era um problema. Quando Ster vai se tocar que não quero nada com ele?
O sinal tocou e eu saí correndo da sala, ouvi Ster gritar alguma coisa para mim, mas não consegui decifrar o que era. Quando abri a porta do meu quarto, Joe estava estendido na minha cama encarando os livros na prateleira. Antes de falar qualquer coisa, eu fui verificar se Vanessa estava ali dentro.
— Ela entrou e saiu há alguns minutos. Fale para ela na próxima vez que cantar não significa gritar — ele avísou gentilmente, mas tinha um sorriso no canto de sua boca. Eu achei aquilo extremamente sexy.
— E aí? — disse e sentei á sua frente. Ele me encarou com olhos tristes. — O que está errado?
— Nada. Absolutamente nada, esse é o problema. Eu não faço nada o dia todo. Eu não como, não durmo, não preciso estudar e nem assistir às aulas. Eu observo as pessoas, mas nenhuma delas pode me ver. Queria ler um livro da sua prateleira, mas eu não posso tocar em nada.
O único momento que me sinto vivo e bem é quando estou com você — ele respondeu sentando-se à minha frente de uma maneira que me fez sentir mal. Eu não queria que ele se sentisse miserável em minha não presença.
— Você sabe por que está aqui? — perguntei aos sussurros.
— Não.
— Você sabe quem te matou?
— Não me lembro de nada a respeito disso, nada mesmo — ele respondeu com uma bufada.
— Você tem alguma ideia quem possa ter tido mágoas contra você?
— Acho que você anda assistindo muito CSI pro meu gosto, Demi.
— Estou tentando te ajudar, mas, se você não quer a minha ajuda... — levantei-me da cama.
— Espere — ele pediu, e eu voltei para onde estava.
— Olha, você sabe que eu não sou uma pessoa muito agradável. Eu posso ter tido sim muitas pessoas com ódio de mim — pela primeira vez estávamos tendo uma conversa verdadeira. Sem aquelas porcarias de deboche ou algo do tipo.
— Alguém com ódio o bastante para te matar? — perguntei delicadamente para a conversa não desandar ou o clima mudar.
— Não que eu saiba... espera... roubei as bebidas de uns caras no semestre passado de brincadeira e eles ficaram muito, muito irritados. Eles eram tipo motoqueiros — eu fiquei com os olhos esbugalhados.
— Brincadeira? Ah, Joe conta outra, vai.
— É sério.., até mesmo devolvemos a grafia. Mas o que não sabíamos era que as bebidas eram na verdade um tipo de vinho muito raro. Dá pra acreditar? Motoqueiros bebendo vinho.— e ele caiu na gargalhada. Pela primeira vez eu estava vendo-o pela pessoa que ele realmente é/era. Eu dei um sorriso de leve e me aproximei mais de onde ele estava. Assim ficamos a meros centímetros, distância suficiente para podermos nos tocar. — É idiotice, não é? Ficar rindo quando você está morto — ele disse entre o ataque de riso.
— Joe... — sussurrei tristemente e ele percebeu. De repente havia lágrimas escorrendo de meus olhos. Não havia nem notado quando haviam ficado molhados.
— Demi... — ele pronunciou meu nome tão docemente que poderia jurar que não tinha saído de sua boca. — Por que você disse que eu odiava você? — eu franzi a testa, não entendendo do que ele estava falando. — No necrotério, antes de você saber que eu estava morto. Você disse que estava preocupada, até mesmo achando que eu odiava você.
— Você me odeia. Você deve ter ficado muito decepcionado quando reparou que eu era a unica pessoa com quem podia se comunicar — respondi secando as lágrimas de meu rosto, lágrimas que não paravam mais.
— Pra começo de conversa, eu não te odeio. Como eu poderia te odiar se eu nem mesmo te conheço?
— M-m-m-as você foi t-t-t-ão ruim comigo, eu pensei...
— Eu sou assim com todo mundo. É um mecanismo de defesa, assim, se acontecesse alguma coisa, eu não sentiria nada por ninguém. Eu fiquei completamente arrasado quando meus pais morreram e nunca quis ter aquele sentimento de novo. Então eu comecei a ser rude com as pessoas, até mesmo com você. E eu lamento muito sobre isso, você é... uma das razões por que eu queria voltar à vida — encarei-o profundamente quando ele pronunciou essas últimas palavras. — E quando a escuridão tomou conta de mim... eu vi... você. Você me viu, eu achava que estava no céu... vendo uma pessoa tão linda. Mas depois me dei conta de que você estava viva e eu morto — eu queria tanto tocá-lo, sentir sua pele na minha. Ele estava pensando a mesma coisa, pois sua mão esquerda foi até meu rosto e tentou tirar as lágrimas que ainda restavam em meu rosto, fechei meus olhos, mas não senti nada. Quando os reabri queria ver aqueles olhos cor de mel, mas a única coisa que vi foi a minha cama vazia.
— Demi, o que está errado? — ouvi uma voz feminina, quando virei meu rosto para encará-la, Vanessa vinha até mim e sentou em minha frente, tirando as lágrimas que Joe queria ter tirado. — Ah, Demizinha, me diga — tentou ela novamente tristemente segurando minhas mãos com força, como uma irmã faria.
— É só que... eu queria que ele estivesse vivo sabe? EIIy, a tia dele.., você não a viu, Vanessa, ela estava tão desesperada. Nunca vi alguém agir assim antes.
— Ah querida, Joe está em um lugar melhor. E Elly irá ficar bem — ela quis me confortar dando-me um abraço de urso. Se Vanessa soubesse que o espírito de Joe ainda estava por aqui ela provavelmente iria surtar. Então decidi deixá-la com sua ilusão sobre onde Joe poderia estar. Coloquei Elly na história para não precisar inventar uma mentira que Joe e eu nos conhecíamos muito antes de ele morrer e que eu queria que ele estivesse vivo ao meu lado.
Horas mais tarde eu fui para o meu trabalho. Gabriel tinha razão, aquele lugar não era tão ruim depois que você acostuma. Ainda tinha uma pessoa tão boa e carinhosa quanto o Sr. T, que cuidava de tudo por ali.
Aquele, porém, era um dia diferente, em que o Sr. T foi resolver alguns assuntos pessoais e eu fiquei sozinha cuidando da recepção até ele chegar.
Comecei lendo um livro, mas depois de algumas horas eu decidi escutar música. O barulho naquele lugar estava me apavorando como nunca.
Gabriel disse que todo mundo achava que eram fantasmas, mas com a minha experiência eu até podia acreditar no que ele havia dito. Não vi ninguém, por alguma razão eu somente podia ver o fantasma de Joe Jonas.
Enquanto escutava o som do AC/DC, eu organizava toda a papelada da semana anterior. Não era nada difícil, mas o sistema de Gabriel era muito complicado, decidi adotar outro. Então, além de organizar a papelada da última semana, eu também estava organizando todos os papéis de acordo com meu próprio sistema. O Sr. T adorou de como eu estava tomando iniciativas e tentando me adaptar a meu espaço. Depois eu teria que explicar para ele de como tudo aquilo iria funcionar.
Eu estava tão perdida em minha música que não reparei em Joe sentado em minha cadeira. Apenas vi que ele movimentava a boca e eu não estava escutando absolutamente nada por causa da música alta.
— O que você está fazendo? — perguntou ele, depois que removi meus fones de ouvido. A aparência dele nunca muda, nem as roupas, nem nada. A única mudança que eu sempre noto são as suas expressões.
Naquele momento, por exemplo, ele estava sorrindo. Nada de sorriso falso, mas um sorriso que estava feliz por estar me vendo. Eu sorri de volta, não podia ler seus pensamentos, e ele nem poderia concordar comigo, mas eu estava feliz por ele estar ali.
— Estou, sabe, só trabalhando. Vai ficar bom no meu currículo.
— Quer ajuda? Você parece estar afogada em papéis — ele retrucou sorrindo.
— Estou ótima, mas obrigado por se oferecer — sorri de volta. Na verdade eu queria que ele me ajudasse, eu realmente estava afogada em papéis. Mas como ele estava morto e não podia tocar em nada, ele não poderia exatamente me ajudar.
— Você pode conversar com outros fantasmas? — perguntou ele enquanto brincava em minha cadeira giratória. Se alguém entrasse ali naquele momento, esse alguém provavelmente iria ficar assustado e nunca mais voltar. Porque, sabe como é... minha cadeira estava girando para o lado esquerdo e direito... como se uma pessoa realmente estivesse ali sentada girando pra lá e pra cá.
— Não. Só vejo você. Por quê? — ele parou muito de repente e olhou para mim como se estivesse surpreso.
— Eu pensei que você falasse mesmo com fantasmas, tipo diariamente. Antes mesmo de eu aparecer — disse ele parando de girar na cadeira.
—  Nope. Eu não vejo nadinha, apenas você.
— Isso é estranho... — começou ele seriamente, pensando no assunto. Ele naquele momento parecia estar realmente vivo. Eu sei que eu iria algum dia conversar com ele em público por realmente achar que ele estivesse vivo ao meu lado. — Isso me torna especial não é? — perguntou com um ar excitante.
— Acho que sim.
— Então eu sou seu fantasma particular. Deve ser estranho para você — ele estava realmente não sendo rude comigo? Ou eu estou sonhando? Cadê o Joe maldoso e sem caráter?
— Antes era. Você viu como eu pirei quando o vi.
— Achei que você havia pirado por me conhecer, só isso.
— E você se comunica com os outros fantasmas? — perguntei sem ao menos olhar para ele. Meus braços estavam quase cedendo com tantos papéis que segurava para colocar na prateleira correta.
— Eu os vejo, mas não converso com eles. A1guns por alguma razão, estão ensanguentados e com buracos enormes na cabeça ou no estômago. Eu tenho medo de me aproximar deles, apesar de eu já estar morto — eu esperava uma resposta como essa, mas por algum motivo isso me deixou muito inquieta e eu estremeci. Pensei no que Joe acabava de falar. Olhei para ele e reparei nas marcas em seu pescoço, era a maneira que ele morreu. Talvez os fantasmas mantenham a aparência de quando eles morreram. Joe  apenas tinha um hematoma no pescoço, enquanto outros tinham buracos de bala e sangue por toda parte. Fiquei feliz nesse momento por somente poder ver Joe.
— Tem algum por aqui agora? — perguntei. Eu já estava assustada, algo a mais em minha cabeça não iria fazer muita diferença.
— Sim. Há uma senhora de idade que fica batendo a cabeça na parede, por isso esses barulhos que você tanto escuta. E há um homem andando para lá e para cá encarando o chão como se tivesse esperando por alguém na sala da autópsia.
Eu estava errada. Eu estava completamente errada. Eu fiquei sim mais apavorada do que antes.
— Você está brincando, não é? Por favor, diga que você está brincando — soei amedrontada. Eu sabia que ele não estava brincando, porque o barulho que ele havia mencionado era a razão por eu ter parado de ler. Pensei que estava relacionado com os dutos de ventilação, mas Gabriel aparentemente estava errado quanto a este lugar não ter fantasmas.
— Calma, eu não vou deixá-los chegarem perto de você — murmurou Joe sentando-se no chão perto de onde agora eu me encontrava. Pelo som em sua voz ele estava apreciando o meu medo. Por quê?
— Você fez isso de propósito agora eu não vou poder entrar mais aqui sem você para me dizer onde os fantasmas estão — joguei na cara dele ao me levantar, ele continuou no chão apenas me observando. Senti que fiquei vermelha quando seus olhos não desgrudavam dos meus, meu coração começou a bater tão desesperadamente como se eu tivesse corrido quilômetros. Quando ele se levantou e parou a centímetros de mim, eu literalmente parei de respirar. Eu não conseguia pensar, eu não conseguia respirar. EU PRECISO DE AR. EU PRECISO QUE ELE ESTEJA VIVO.
Intensidade: era o que eu sentia. Eu queria derramar minhas lágrimas que estavam prestes a cair como um oceano. Eu não queria acreditar, eu não podia acreditar no que eu estava sentindo. Eu desviei meus olhos de Joe e corri para o banheiro feminino. A ideia de não poder tocar em alguém é insuportável ainda mais quando essa pessoa está a centímetros de você e tudo o que você quer é um simples beijo ou um toque em sua mão. Eu não queria acreditar, mas eu estava, sim, apaixonada por um fantasma. Um fruto proibido, algo que eu nunca vou poder ter por completo. Por que isso estava acontecendo comigo? POR QUÊ?
— Você está bem? — perguntou Joe ao meu lado enquanto estava no banheiro.
— Preciso do meu espaço Joe, meu Deus. Vá embora — pedi tentando parecer irritada, mas soou como eu menos queria que soasse.
Magoada uma garota de coração partido.
E isso era tudo o que eu sentiria quando ele atravessasse a luz e se reunisse a seus pais.

Joe respeitou meu desejo e desapareceu. Eu não queria que ele fosse, mas também não queria que ele ficasse. Cada vez que olhava para ele eu sentia algo mais forte se formando dentro de meu coração. Vai ficar tão grande que na hora de se quebrar vai doer ainda mais. Eu não podia mais vê-lo. Eu estava sendo egoísta, sim, afinal, eu era a única que podia vê-lo e ajudá-lo, mas a dor de não tê-lo era uma facada em meu frágil coração. Eu devia fazer alguma coisa, mas eu precisava escolher. Eu poderia guardar para mim mesma toda essa paixão e ajudá-lo o mais rápido possível, ou ficar vendo-o pelo resto de minha vida. Acho que a primeira opção seria mais apropriada. Vou guardar meus sentimentos dentro de uma caixa e nunca mais vou abri-la.



XOXO Neia *-*
Hey gente :) Sei que não costumo postar assim tão rápido, mas como vocês foram queridos e comentaram no cap. anterior decidi dar-vos esta prenda :) kkkk
Continuem a comentar PFF e a DIVULGAR.
P.S: Sejam bem vindas as novas leitoras
P.S.2: Isto vai começar a ficar mais intenso (nada de hot gente não pensem coisas hahaha)..kiss 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 4

Poderiam existir n motivos para eu poder ver Joe -agora-com- sobrenome Jonas. Mas estes cinco estavam passando pela minha cabeça diariamente:
1 — Eu estou tendo alucinações.
2 — Tumor dos grandes no meu cérebro.
3 — Eu matei Joe no meu sonambulismo desconhecido e ele está atrás de mim por vingança.
4 — Eu estou completamente pirada, o que faz de mim uma esquisitona de primeira.
5 — Eu estou morrendo. Afinal, muitas pessoas dízem ver espíritos quando estão em seus últimos dias. Vai saber, essas dores de cabeça, cansaço, vômito e outros sintomas poderiam significar que estou doente, e que provavelmente vou morrer.
Esperei Joe pelos próximos dias e nada de ele aparecer, estava começando a ficar nervosa. Por que eu estava nervosa? Por que eu queria vê-lo novamente? Será que ele só estava aqui entre os vivos para dizer à tia que a amava? Eu queria pensar que sim, mas eu sentia ali no fundo do meu coração que havia mais na história em relação a Joe. Talvez ele estivesse passando mais tempo perto da tia, observando-a, ou ele podia ter perdido a noção do tempo. Ele estava morto, afinal de contas, tudo pode mudar no outro lado. Odeio, odeio admitir isso, mas eu PRECISAVA vê-lo e isso já estava bem evidente para todos.
— Está procurando alguém.? — perguntou Sterling, no meu lado, na aula de histologia.
—  Nope. Ninguém, por quê? — eu sabia o porquê dessa pergunta.
Meus olhos ficavam perambulando por toda a sala a procura de Joe.
Até a minha esquisitice estava agora visível para todos.
Sterling estava prestes a dizer algo extremamente maldoso quando Bradley começou a dar sua aula. E todo mundo sabe que quando Bradley começa a falar absolutamente ninguém pode interrompê-lo ou atrapalhá-lo. Fiquei contente por esta interrupção, não queria responder a Sterling que estava à procura de uma pessoa que todos já sabiam estar morta.
— Eu ainda não consigo acreditar que ele esteja morto disse Vanessa no refeitório toda tristonha. — Ele podia não ser um cara totalmente legal, mas ele iluminava esse lugar por ser tão gatinho.
— Por mim, ele está bem onde que está, no fundo daquele cemitério. Esse mundo está melhor por não haver mais uma pessoa idiota e sem noção como ele — confessou Ster bruscamente, o que me deixou muito zangada.
— Como você pode falar isso? Ninguém está melhor morto, Ster. A tia dele está arrasada — eu queria sair correndo para não ouvi-lo mais falar, ou até mesmo socar o Sterling bem aqui na frente de todos por dizer algo tão maldoso.
— Ah, qual é meninas, não...
— Desculpe Ster, mas tenho que concordar com a Demi — Vanessa o interrompeu, deixando-o constrangido.
— Claro que concorda — ele murmurou secamente e se levantou.
Jogou a mochila no ombro e caminhou até o lixo com sua bandeja. Depois que jogou fora os restos de comida, ele largou a bandeja quase que furiosamente na mesa das bandejas usadas. Nem olhou para trás quando saiu porta afora do refeitório, parecendo muito bravo connosco. Ou só comigo?
— O que há de errado com ele? — eu perguntei depois que assisti àquela cena.
— Talvez seja ciúme. Você não para de falar no Joe desde que ele morreu.
— Isso não é verdade — respondi boquiaberta.
— É sim, querida — ela confirmou sacudindo sua enorme cabeleira com cachos ruivos. — Joe isso, Joe aquilo. Você adora comentar de quando viu ele morto naquela mesa no necrotério, isso realmente não é agradável. E você sabe, Demi... Sterling tem uma grande queda por você. Então, por favor, parede falarem um cara morto e vai se divertir, você está precisando.
— GRAÇAS A DEUS! — eu gritei. Mas eu não estava gritando por causa do que Vanessa havia dito, mas porque Joe havia aparecido. Ele estava sentado ao lado de Vanessa, gargalhando perante minha expressão de felicidade por tê-lo visto. E também porque todos perto de minha mesa no refeitório estavam olhando para mim com olhos curiosos.
— Ahhhh, hummm, graças a Deus alguém está me entendendo. Você leu a minha mente, Vanessa. Estou precisando me divertir — eu sussurrei porque as pessoas ainda olhavam para mim com as testas franzidas. Vanessa era uma delas, mas, depois do que eu disse, ela pareceu acreditar que eu realmente estivesse falando com ela e não sendo uma maluca que grita no refeitório chamando a atenção de todos.
— Bom. Vou conversar com alguns dos amigos de Joe mais tarde para descobrir se tem alguma festa marcada para esta semana — disse Vanessa encarando sua comida. Ainda bem que Vanessa não estava prestando atenção em mim, porque meu olhar estava preso na pessoa que estava sentado ao lado dela. E eu sorria sem parar.
— Vai ter uma festa amanhã à noite no quarto do Brian — informou Joe para o que Vanessa havia acabado de comentar.
— Vai ter uma festa amanhã à noite no dormitório do Brian — eu repeti o que Joe disse.
— Como você sabe? — perguntou Vanessa parando de comer e me encarando.
— Ah, a notícia está correndo por aí.
— Realmente, Demi, você tem que aprender a mentir melhor — murmurou Joe descansando seus cotovelos na mesa e se inclinando para ficar mais perto de mim. Eu Iimpei minha garganta para não rir e tentei não encará-lo.
— Legal, está marcado então — Vanessa disse sorridente. Nós duas não íamos a uma festa desde o começo do semestre, então eu podia ver que ela estava animada. — Connor pode estar lá — ela sorriu mais ainda, eu não pude deixar de sorrir também.
— Coitada de Vanessa, esse tal de Connor está transando com uma garota qualquer da sala dele. Mas, se serve de consolo, ele tem uma quedinha pela Vanessa, afinal, ela é bonitinha — cantarolou Joe parecendo estar com muito tédio. Ele segurava a cabeça com as mãos diante de mim. Ele estava quase tapando a minha visão de Vanessa. Eu tenho a total certeza de que ela piraria se escutasse Joe dizendo que ela era bonitinha.
— Acho melhor você esquecer esse tal. Que tal o Brian? Ele é um cara legal — eu tentei convencer Vanessa a tirar Connor totalmente de seu caminho. Ela não merece ficar arrasada por um cara que provavelmente irá quebrar seu coração em milhares de pedacinhos.
— Por quê? Você está tão estranha ultimamente! — Joe riu com o comentário de Vanessa, como se estivesse dizendo:  Viu, eu disse que você tem que aprender a mentir melhor, Demi. Eu queria responder para ele que eu nunca menti assim tão descaradamente antes em minha vida. Mas eu acho que teria que me acostumar, porque quem vai acreditar em mim quando eu disser que estou falando com um fantasma?
— Só estou comentando. Vi Connor com uma menina no outro dia, não queria te contar porque não queria te magoar — acho que essa mentira foi até acreditável. Pelo menos Vanessa acreditou, enquanto Joe me encarava com um sorriso no rosto.
— Ah, eu não acredito... Bom, mas a gente nem está junto — disse Vanessa, mas, depois de pensar seriamente no assunto, continuou: — Acho que você tem razão, Brian parece ser muito legal — admitiu Vanessa, terminando sua refeição.
— Na verdade você não tem razão, Demi, Brian fica com umas dez garotas a cada festa.
— E agora que você me diz isso? — sussurrei de volta para Joe sem olhá-lo.
— O quê, Demi?
— Nada, apenas me lembrei que tenho que ligar para o Sr.T... vou hegar mais tarde hoje.
— Essa foi até convincente — murmurou Joe quase que orgulhoso — Sabe, Demi... você é realmente muito, muito bonita. Eu deveria ter ficado com você quando era... — e ele bufou. Ele estava tão perto de mim que agora eu não conseguia mais ver Vanessa. Joe estava praticamente em cima da mesa, a centímetros de meu rosto.
— Você está bem, Demi? Você está muito, vermelha — ouvi Vanessa dizer.
— Ahhh... sabe... eu v-v-vou para a aula, estou praticamente atrasada — levantei-me aos trancos e fui caminhando até a porta. Ouvi
Vanessa gritar:
— Mas ainda faltam 15 minutos, Demi.
Mas eu segui em frente com Joe a meu lado. Ele acabou de dizer que eu era bonita e isso me deixou sem jeito. Como Vanessa disse, eu estava vermelha, eu podia sentir que estava como um tomate. Eu só via Joe rindo em minha visão periférica.
Lembram-se quando eu queria mesmo poder ver Joe novamente? Isso se dissipou no instante que ele começou a falar comigo em público. Eu não podia simplesmente falar com, ele nos corredores da universidade e nem podia pedir que ele calasse a boca. É realmente muito estranho estar caminhando com ele quando de repente as pessoas atravessam ele. Quando eu olho para Joe ele parece estar vivo, nada em sua aparência sugere que ele esteja morto, então é estranho para mim quando vejo as pessoas passando através dele e nem sentirem nada, nem mesmo um arrepio.
— Você deve vestir uma roupa bonita para a festa de amanhã — ele falava e eu claramente não respondia.
— Não quero ser chato, mas já sendo... Você pode vestir sei lá, uma saia curta pra mostrar essas pernas grossas. Você parece ser uma líder de torcida. Você foi uma, na época da escola? — ele perguntou, mas eu não respondi. Minha paciência estava quase se esgotando quando entrei na sala de aula e sentei em meu lugar de sempre. A Sterling apareceu depois de um tempo.
— Aposto que você foi líder de torcida. Você é morena de olhos castanhos, quase todas as líderes de torcida são assim. Mas você é inteligente, pelo menos eu acho que é, está cursando medicina afinal de contas... — Joe começou a falar e não parou mais.
— Por que você nunca para de defender o cara morto? Sinceramente Demi, ele nunca foi um cara decente, ainda mais com você... — Sterling também começou a falar e não parou mais. Minha cabeça estava prestes a explodir.
— E agora eu começo a pensar, eu nunca vou ser um médico, o que é uma pena porque eu iria salvar tantas vidas...
— O cara não ia nem ser um médico bom, pra começo de conversa. O jeito arrogante dele iria espantar todos os pacientes...
Os dois deviam estar sincronizando suas conversas. Eu estava prestes a explodir a qualquer momento.
— Não gosto desse cara, Demi, quero dizer, olha para ele. Todo engomadinho, e ainda tem uma queda por você. Ele devia arrumar uma vida ao invés de ficar te perturbando...
— O cara tá morto Demi, esquece o cara. Eu tô aqui, você sabe, não é?
— Eu não acredito nesse cara. Eu poderia socá-lo, se pudesse — retrucou por fim Joe.
— EU PRECISO SAIR DAQUI - eu gritei já me levantando.
— Aonde você vai, Demi? A aula nem começou ainda
— perguntou Ster enquanto descia as escadas.
— Dor de cabeça — gritei quando estava prestes a sair pela porta.
Eu corri para o meu quarto a toda velocidade.
— O que você está fazendo? — perguntou Joe e eu me assustei, e quase esbarrei feio em uma garota. Joe não estava correndo, ele estava apenas flutuando ao meu lado.
Quando cheguei ao meu quarto, largueí minha mochila na cama e fui verificar se Vanessa não estava por ali em algum lugar.
— O que você está fazendo, Demi? Você tem aula, não pode perder. Você quer ser uma boa médica ou não? — enquanto Joe falava, eu fui fechar e trancar a porta do quarto.
— CALE A BOCA! CALE A BOCA! CALE A BOCA, JOE! — gritei desesperada e irritada. Dei graças a Deus por quase todas as pessoas do alojamento estar em aulas naquele horário, ou então eles iriam acabar me ouvindo e saberiam de fato que eu estava louquinha da silva. — Por favor, apenas cale a boca — sussurrei cansada e sentei em minha cama. O silêncio não durou nem cinco minutos.
— O que foi que eu fiz? — perguntou ele seriamente provavelmente pela primeira vez, mas meu olhar se encontrava no chão e não nele.
— Como vou estudar se você não cala a boca? Como vou prestar atenção em minhas aulas se você não cala a boca? Como vou conversar com meus amigos quando você não CALA A MALDITA BOCA? — gritei por final, agora o encarando.
— Desculpe — ele falou, mas agora eu estava à flor da pele.
— Você não pode ficar conversando comigo quando estou conversando com outras pessoas. Você sabe que eu não posso olhar e nem conversar com você, Joe. Ninguém pode te ver a não ser eu. Você não está vivo, por favor, lembre-se disso — ele parecia prestar atenção no que eu dizia e até concordou com a cabeça enquanto encarava o chão.
— Vou tentar. Isso é novidade pra mim.
— Pra mim também.
Caminhei até ele, e como ele encarava o chão, e é muito alto, eu entrei no lugar que ele estava encarando, quase encostando nele, até que seus olhos caíram nos meus. Eu queria tocá-lo, mas não podia. Minha mão iria provavelmente passar através dele, como se nada houvesse ali.
— Eu vou para a aula. Encontro-te aqui mais tarde? — sussurrei. Reparei que ele levantou a mão esquerda até meu rosto, mas deteve-se ao pensar que não conseguiria me tocar, assim como eu.

— Claro — ele respondeu depois de segundos de constrangimento.


XOXO Neia *-*
Tá ai o novo capítulo, espero que tenham gostado :-)
Comentem e divulguem pra mim pff...Kiss

domingo, 27 de abril de 2014

Divulgação


Tou  a seguir e a AMAR, é perfeito *-*

http://amorquematajemi.blogspot.com.br/


Ainda tou a escrever o novo capítulo...talvez amanha tenha noticias, mas nada confirmado!


XOXO Neia *-*
Ajudem-me a divulgar o meu blog pff....só assim tenho motivação para continuar a fic! Kiss

terça-feira, 22 de abril de 2014

O Sussurrar de Uma Garota Apaixonada – Capitulo 3

— Com quem estava falando ontem à noite? Pensei ter ouvido você conversando com alguém — perguntou Vanessa enquanto nos arrumávamos pela manhã para um novo dia de aula. Eu sentia como se houvesse areia nos meus olhos, não havia dormido nem três horas.
- Com ninguém. Devo ter falado enquanto dormia — tive que mentir, não iria simplesmente largar uma bomba para ela logo pela manhã em um dia ensolarado e bonito como hoje. Não conseguiria apenas dizer: “Ah apenas conversava com Joe-sem-sobrenome. É, ele estava aqui ontem a noite me encarando como se tivesse visto um fantasma” — isso ia soar maluquice, porque Joe-sem -sobrenome nem me conhecia, então nunca iria aparecer no meu quarto no meio da noite para simplesmente quase me matar de susto e me encarar.
— Meus irmãos mais novos sempre faziam isso, o que me deixava maluca — ela confessou enquanto jogava sua mochila para cima de seu ombro direito. Eu fiz o mesmo e a segui.
— Boa aula, Demi — Vanessa se despediu quando nos separamos no corredor da universidade. Eu disse o mesmo e falei para nos encontrarmos no refeitório depois da aula, assim como nos encontramos todos os dias.
Quando sentei em meu lugar habitual na sala de aula, bem ao centro, eu reparei que devia ter colocado outra calça jeans, essa estava muito apertada, devia ter engordado ou esta calça era uma das antigas.
Meu desconforto era visível para todos os presentes, mas acho que Sterling chamava mais atenção que o meu desconforto. O rosto dele estava pálido, com olheiras em baixo dos olhos, parecia que não dormia há dias. Ele sentou-se ao meu lado e ficou resmungando algumas coisas que eu não consegui decifrar.
— Como foi a festa? — perguntei tentando parecer curiosa, no que na verdade não estava nem um pouco.
— Ótima — ele respondeu sem sequer olhar-me nos olhos e de uma maneira bruta. Ele apenas estava esparramado em sua cadeira ao meu lado prestes a dormir ou a vomitar.
— Demi posso dar uma palavrinha com você? — me chamou Olivia, minha professora de anatomia descritiva quando chegou na sala para dar aula. Eu me levantei, desci as escadas e fui até ela. Olhares curiosos se viraram para mim, o que me deixou muito vermelha e sem graça.
— Dei sua inscrição para o pessoal encarregado dos estágios e você foi colocada no turno da noite como você preferiu. Já entrarem em contato com você? — eu respondi um não com a cabeça e ela prosseguiu.
— Então, você foi designada para cuidar do necrotério das 18h até as 22h, e organizar a papelada de quem entra e sai — ela me disse, consultando seus papéis. Eu fiquei pasma e não respondi nada. Não tinha certeza se tinha ouvido direito: ela disse necrotério? Tipo, aquele lugar que ficam as pessoas mortas? Eu deveria cuidar daquele lugar ã noite? Eu?
— Q-Quando eu começo? — perguntei quase aos gaguejos.
— Hoje à noite. Seus horários vão contar como horas extras e será muito bom para o seu currículo. E ainda vai ganhar um dinheiro extra — ela disse sorrindo para mim e eu retribui, só que falsamente. Virei às costas e voltei ao meu lugar, perplexa, e encontrei um Sterling dormindo e babando em sua cadeira. Bom, pelo menos ele não estava vomitado.
Não consegui prestar atenção no que Olivia falava sem parar para toda a turma. Apenas encarava meu caderno, as palavras que havia escrito ali. Necrotério 18h às 22h. Sabia que aquela era uma ótima oportunidade para mim e agradeço profundamente a Olivia por me notar. Mas necrotérios são assustadores, eles não são retratados nada bem nos filmes de terror. Fiquei toda arrepiada somente em pensar em estar em um lugar assim à noite. Será que os encarregados desses estágios não podiam, sei lá, ligar para mim e perguntar o que eu queria fazer? Ou seria isso um tipo de pegadinha em calouros? Não, Olivia era séria demais e nunca Faria isso com seus alunos.
— O QUÊ? NECROTÉRIO? É SÉRIO? - gritou Vanessa no refeitório. Eu assenti e ela soltou uma grande gargalhada. — Isso é demais, eu gostaria de trabalhar em um lugar assim. É tão sombrio e macabro.
— Vamos trocar então — sussurrei encarando minha comida intocada. Quando senti tipo um terremoto ao meu lado, notei que Sterling havia se juntado a nós, e seu rosto não havia melhorado nada.
— Meu Deus, o que aconteceu com você? — perguntou Vanessa sem rodeios quando viu o estado de Sterling. Mas ele não respondeu a ela, e se virou para mim com um ar zangado.
— Por que você me deixou na sala de anatomia? Olivia me acordou, nunca fiquei tão envergonhado em toda a minha vida.
— Você estava babando no meu ombro a aula inteira e eu tentei sim te acordar, Ster, mas você só resmungou. Deveria ter pensado duas vezes antes de ter ido naquela sua festinha — eu tentei mesmo acordá-lo, mas ele apenas se virou como se estivesse na própria cama. Ele poderia estar zangado comigo, mas eu também estava zangada com ele.
— Tanto faz. A festa foi boa, pelo menos — ele disse rudemente e começou a saborear seu almoço equilibrado em silêncio.
- Adivinha, Ster? Demi vai trabalhar no necrotério dá para acreditar? — Vanessa jogou na cara dele. Ele se engasgou com a comida e logo pegou sua Coca-Cola para limpar a garganta. Olhou de mim para Vanessa, e como ele percebeu que não estávamos brincando, ele perguntou:
— É sério mesmo? Porque isso é difícil de acreditar sim ele respondeu por final.
— Por que é tão difícil de acreditar, gente? Eu sou uma escolha totalmente apta a trabalhar no necrotério da universidade — eu disse de uma maneira triste, que logo Vanessa captou.
— Não é isso, Demi. Não estamos questionando suas habilidades, é só que... bom... é difícil, sabe, a gente imaginar você lã, toda inocente, loira de olhos azuis como um anjo, trabalhando em um necrotério. Seria como ver o Sterling aqui namorando o Connor. Muito estranho e difícil de visualizar — Vanessa respondeu por ela e por Ster. Vi que Ster não gostou nada de Vanessa ter usado ele e o Connor como exemplo, a expressão dele me fez rir. Mas acho que eles tinham razão, seria esquisito mesmo me ver lá à noite. Não sou uma típica garota que cuidaria de um necrotério. Mas quem seria? Uma garota de cabelos pretos e gótica?
— Apesar de não ter gostado do exemplo, eu concordo com a Vanessa.
Ótimo, ambos os meus amigos, e únicos amigos, me achavam estranha em um necrotério, Eu até ficaria chateada se eu mesma não sentisse a mesma coisa. Hoje seria o meu primeiro dia como estagiária e eu já estava morta de medo e ainda era a hora do almoço. Hoje não era um dia bom, não havia de novo dormido bem, a comida que havia recém- ingerido estava dando voltas no meu estômago... acho que iria passar mal.
— Vou ao toalete — avisei a meus amigos e logo segui para o banheiro. Dei um encontrão com Brian, amigo de Joe, enquanto estava distraída, ele era praticamente uma parede. Seus músculos são quase do meu tamanho.
— Epa.
— Desculpe, Brian, estava distraída — falei um pouco envergonhada.
— Tudo bem... Demi, não é?
— Isso mesmo — eu iria seguir meu caminho para o banheiro porque estava realmente mal, mas queria perguntar algo para Brian. — Ei, Brian, alguma notícia de Joe? — ele franziu a testa com a minha pergunta, devia estar pensando quem eu era ou o que eu poderia sentir pelo Joe para estar tão preocupada e à procura de notícias.
— Nada ainda, Demi, mas se souber de algo eu te assim dito.
Eu sorri e agradeci. Quase corri para o banheiro quando me dei conta de que não aguentaria segurar o vômito. Eu dei sorte, consegui chegar a tempo e acertei a privada. Eu devia estar doente ou algo assim, minha dor de cabeça havia voltado tão abruptamente que senti uma vontade imensa de botar tudo para fora como se tivesse acabado de sair de uma montanha russa com o estômago cheio.
Na próxima aula não foi somente Sterling que parecia mal, agora éramos dois. Eu não consegui prestar muita atenção nem pude aproveitar alguma coisa. Quando o sinal tocou, eu fui correndo até meu quarto, botei o travesseiro cm cima do rosto para tapar todas as pessoas rindo e conversando lá fora e caí no sono.
— Demi, acorde... DEMI! ouvi alguém gritando meu nome e me sacudindo delicadamente. — Você vai chegar atrasada no seu primeiro dia de trabalho, acorde! — Vanessa mandou quando abri meus olhos pequeninos.
— O quê? — perguntei sem entender nada.
—Já são quase 18 horas. Você vai chegar atrasada — ela repetiu e eu me sentei na cama como um flash. Tentei abrir meus olhos ao máximo e comecei a pensar. Levantei-me da cama e fui até o banheiro, enxaguei meu rosto, prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto e troquei de blusa. Quando saí, Vanessa me observava, preocupada. — O que aconteceu? Quando cheguei aqui esperava encontrar esse lugar vazio, mas em vez disso você estava esparramada na cama como se fosse uma defunta — ela falou seriamente, e tudo cm que consegui pensar naquele momento é como eu tinha sorte de ter encontrado uma amiga como a Vanessa aqui. Mais sorte ainda de ela ser minha colega de quarto.
— Acho que eu estou doente, mas não é nada de mais, Vanessa. Vejo você mais tarde — tentei parecer bem disposta e sorri. Peguei meu casaco e o iPod e saí com o mapa da universidade nas mãos. Era no prédio 6, tinha que correr até lá.
Cheguei ao necrotério ofegante por causa de minha correria, pelo menos havia conseguido chegar uns três minutos antes das 18h. Eu suspirei quando me dei conta de que não estava atrasada no primeiro dia de estágio.  Muito obrigada por me acordar, Vanessa, te devo uma. Aquele lugar cheirava estranho, muito estranho. Será que iria me acostumar com esse cheiro?
— Ah você deve ser a nova estagiaria — disse um homem de aparentemente uns 40 e poucos anos empurrando uma maca de rodinhas com um corpo morto tapado com um lençol branco. Eu estremeci, mas ele nem notou. — Vá até a recepção e peça a Gabriel o seu crachá e o seu avental — ele disse continuando seu trajeto e entrando em unia porta transparente.
Fui procurar Gabriel como aquele senhor (quase tinha certeza que ele era meu chefe) pediu. Gabriel estava quase dormindo quando cheguei até ele.
— Graças a Deus, achei que você não viria — quase gritou ele, aliviado, quando abriu seus olhos e me viu. Mas antes eu tinha dito um  “oi” de leve para não assustá-lo. — Aqui está o seu crachá, o jaleco... e essa vai ser a sua mesa daqui para frente. Esse lugar não é tão horrível depois que você acostuma. E, por favor, não pire com os barulhos quando estiver sozinha por aqui, as pessoas sempre acham que existem fantasmas quando estão em um necrotério começou a me explicar Gabriel, e logo percebi que eu ficaria no lugar dele. Ele estava tão feliz e aliviado, não via a hora de sair dali e nunca mais voltar. — A papelada é fácil de fazer, o senhor T vai explicar tudo para você mais tarde. E que mais posso dizer... — ele parou e olhou para todos os cantos para ver se estava se esquecendo de alguma coisa com o dedo no queixo. — Ah, não traga amigos para cá. Alguns estagiários fizeram isso antes de mim e o senhor T pirou e quase os enxotou daqui na base da violência. O senhor T é o seu chefe, a propósito, ele fica aqui à noite também, mas ele fica lá dentro com os defuntos — ele apontou para a direita. Então a parte com os corpos ficava para aquele lado. — E não esquenta, o senhor é gente fina e muito agradável, só não desrespeite as pessoas mortas que, daí sim, ele fica uma fera. Ele até conversa com eles de vez em quando... — Ai, meu Deus, esse garoto não parava de falar um minuto. — E, ah, quando o senhor T te chamar, você vai correndo. Um defunto acabou de chegar, então ele provavelmente vai precisar de você daqui a pouco. E agora eu estou indo. Boa sorte — ele finalmente parou de falar quando me entregou uma caderneta com lacunas para eu preencher com os dados das pessoas falecidas. Fiquei observando Gabriel ir embora... ele estava tão feliz! Será que aquele lugar era tão horrível assim?
Larguei na mesa de Gabriel — ops, agora era minha mesa - o que tinha nas mãos, vesti o jaleco branco e prendi meu crachá com meu nome.
Quando me virei para pegar a caderneta que havia largado na mesa para ir procurar o senhor T, dei de cara com alguém.
— Ai, meu Deus, Joe, você quase me mata de susto — parei um instante com as mãos no peito, fechei os olhos e respirei fundo. — O que você está fazendo aqui, e por que ninguém sabe onde você está? Está todo mundo morrendo de preocupação.
— Demi, eu...
— E eu sei que não gostamos um do outro, mas mesmo assim eu fico preocupada com as pessoas. Mesmo com aquelas que eu não me dou muito bem e que me odeiam continuei meu discurso sem nem mesmo escutar o que ele estava tentando dizer.
— VOCÊ MORREU AÍ, CALOURA? VENHA FAZER SEU TRABALHO! — gritou o senhor T da sala onde guardavam os falecidos. Eu peguei minha prancheta e uma caneta e corri até lá com Joe atrás de mim.
Será que o senhor T iria ficar bravo? Porque Gabriel acabara de me avisar para NÃO trazer amigos. Mas, tecnicamente, Joe não era meu amigo, e era meu primeiro dia, o senhor T podia não ficar bravo nem nada. — Ah, você está aí — ele disse enquanto eu entrava quase aos tropeços. Naquela sala o cheiro era dez vezes pior do que na recepção, comecei a respirar pela boca e caminhei até onde o senhor T estava.
Ele estava com um pobre garoto aberto na mesa. Não fiquei enjoada nem nada porque eu já havia visto gente morta,em um tour que eu fizera antes de entrar na faculdade. — Anote tudo o que eu disser, certo? — meu chefe perguntou e eu assenti. — Ótimo — ele colocou seus óculos e com as luvas ensanguentadas começou a ler uma ficha. Engraçado... ele nem havia se importado com a presença de Joe, que estava a meu lado sem dar um pio. — O nome desse garoto é Joe Adam Jonas, idade, 23 anos, olhos cor de mel, cabelos pretos... — senti meu coração pular mais rápido a cada palavra que ele pronunciava. Quantos Joe poderia face da terra podiam ter as mesmas características físicas? Meus olhos caíram no rosto do rapaz morto e olhei para Joe ao meu lado e eu quase comecei a rir.
— Isso é algum tipo de piada? — eu perguntei quase a beira das gargalhadas.
— Não tem nada engraçado na morte de alguém, mocinha — ele disse sério. Eu fiquei vermelha e minha vontade de rir desapareceu.
— Mas é impossível, ele não pode estar morto. Ele está bem aqui no meu... — e quando eu me virei Joe não estava mais ao meu lado.
Minha cabeça começou a girar e eu não me senti muito bem.
— Ele não tem um irmão gêmeo, por acaso, tem? — perguntei, mas já sabia a resposta. O que será que estava acontecendo comigo? O que estava acontecendo?
— Você está bem... ah... Demi? — ele perguntou largando os papéis e caminhou até mim, me chamou pelo nome quando leu meu crachá.
— É só que... eu... não pode ser... eu o conhecia. Pode me dar licença? — perguntei quase a beira do desmaio. Quando ele disse que sim, eu lhe entreguei a prancheta e corri porta afora à procura do banheiro.
Corri pelos corredores cinzentos e assombrosos não acreditando no que eu havia visto naquela mesa. Não podia ser, eu o vi ontem a noite no meu quarto e sem falar que ele tinha acabado de aparecer ao meu lado. Ou eu estava imaginando tudo aquilo? Finalmente eu encontrei o banheiro feminino, e era tão pequeno que achei que poderia sufocar. Caminhei até a pia e lavei meu rosto com água gelada.
— Você está bem? — uma voz masculina perguntou, eu soltei um grito e comecei a tremer.
— Esse é o banheiro feminino, você não deveria estar aqui... Joe — sussurrei à beira das lágrimas.
— Desculp... — ele começou a falar, quando me virei para encará-lo.
— O que você está fazendo aqui? Você está morto, Joe, não pode estar aqui. Ai, meu Deus, estou completamente maluca, estou falando com um cara morto — disse levando as mãos pro ar e molhando todo o espelho que havia atrás de mim.
— Olha garota, você acha que eu não sei que estou morto? Eu estou atravessando paredes durante horas e aparentemente ninguém consegue me ver além de você. Você deve ser mesmo muito esquisita — disse ele duramente, mas eu acho que mereci.
— Vi que você não mudou em nada desde que morreu.
— E por que mudaria?
— Fique longe de mim — eu pedi com muita raiva em minha voz, apontando para seu rosto morto. Nunca tinha ficado tão brava com alguém assim antes. E é irônico que somente um fantasma era capaz de me tirar do sério. Não acreditei que tinha acabado de pensar na palavra “fantasma”. Será que eu estou ficando maluca?
Olhei-me no espelho novamente e tentei parecer apresentável para o senhor T quando voltasse. Fechei os olhos e pensei que ele já devia ter tido uma primeira impressão de mim e que não devia ser nada boa. Que primeiro dia, hein? Tinha esperança de, quando abrisse meus olhos, nada daquilo houvesse realmente acontecido. Que eu somente estava no meu quarto tendo um sonho maluco com uma aparição de Joe... mas quando os reabri, Joe ainda estava ali atrás de mim, encarando-me pelo espelho com um rosto quase que triste e pedindo perdão por tudo de mal que ele algum dia havia feito.
— Por que você ainda está aqui? — murmurei e levei água até meu rosto novamente. — E por que só eu posso vê-lo? — sussurrei tão baixinho que somente eu pude ouvir, mas era esse o meu propósito.
— Pra onde eu posso ir? Ninguém me vê — respondeu ele tristemente e bufando.
— É, mas eu tenho que trabalhar, e ter você lá no meu lado me observando a cada segundo não vai me fazer bem... eu tentei não ficar irritada, afinal ele estava mesmo triste e estava morto. — Depois do trabalho você pode aparecer lá no meu quarto — eu terminei e ele me olhou com um brilho de esperança fora do normal. Ele de algum modo sorriu e fez que sim com a cabeça. Aquele sorriso quase me fez derreter, e depois disso ele desapareceu diante de meus olhos. Pisquei diversas vezes e meus olhos se encheram de lágrimas. Não acreditava que tinha acabado de convidar um Fantasma para meu quarto.
Eu não podia estar gostando de um cara morto, isso não era saudável e com toda a certeza do inundo não era nada normal.  Ai, meu Deus, talvez eu seja mesmo uma esquisitona, das grandes. Caminhei de volta até a sala dos defuntos e onde o senhor T me esperava preocupado.
— Você está bem mesmo? Porque você não estava nada bem quando saiu daqui correndo — ele me perguntou novamente e eu lhe dei a mesma resposta.
— Estou bem, senhor T. Sério mesmo.
— Ótimo. Agora vamos ao trabalho, não é mesmo, mocinha?
O senhor T pesava os órgãos de Joe na balança ao lado de onde o corpo morto dele descansava. Enquanto ele fazia isso, eu anotava na minha prancheta todos os dados. Toda vez em que olhava para o corpo sem vida de Joe eu sentia um aperto no coração.
— Qual é a causa da morte? — eu perguntei curiosa e também com medo da resposta. Eu conhecia o Joe, eu poderia não gostar dele (eu gostava???), mas eu não suportava a ideia de uma pessoa fazendo mal a uma pessoa que eu conhecia. Ainda mais uma pessoa como o Joe... tão lindo. Mas também ele poderia merecer, quero dizer, ele não era e ainda é grosso e rude com as pessoas? E isso pode tirar algumas pessoas do sério.
— Ele foi estrangulado — o senhor T respondeu mostrando as marcas de mãos no pescoço de Joe. Nesse momento eu senti pena dele... coitado do Joe. O que fizeram com você? — Aconteceu ontem por volta das 4 horas da manhã. Ele foi encontrado hoje por volta das 14 horas dentro de uma sala de limpeza da universidade — meus olhos foram para meu chefe ligeiramente, como se ele acabasse de dizer que tinha transado com a minha mãe. Sobressaltei- me porque foi praticamente neste horário que Joe havia aparecido no meu quarto, ontem á noite. Será que foi por isso que ele me encarava tão assustado?
Porque sabia que estava morto e que eu, Demi Lovato, podia vê-lo?
Eu e o senhor T fizemos os mesmos procedimentos nos rãs corpos seguintes. Fiquei aliviada em saber que não conhecia nenhum deles.
Conhecer um dos mortos pessoalmente já era o bastante.
— Qual seu nome? — perguntei ao meu chefe no silêncio que estava começando a me incomodar.
— Ah, eu não disse ainda? — ele perguntou sorrindo, e disse que não com a cabeça. —Bom, meu nome é Troy, Troy Halling, mas pode me chamar de senhor T. Aparentemente os garotos de sua idade gostam de chamar assim. Dizem que Troy é muito infantil, então virou moda — respondeu ele dando um simples sorriso. O senhor T era de fato agradável, como o Gabriel tinha comentado antes de cair fora do necrotério. Ele tinha cabelos castanhos escuros, mas com muitos fios brancos. Vestia aquelas roupas de médico azuis que combinava com seus olhos claros.
— Fico feliz que você está segurando a barra murmurou enquanto carregava um coração com ambas as mãos, de uma mulher idosa. — Muitos começam aqui e não duram nem um dia. Mas estou sentido que você pode cuidar da situação.
— Por quê? Eu praticamente pirei há algumas horas atrás.
— Você passou mal porque conhecia o falecido, é diferente. Muitos começam aqui e vomitam a cada vez que disseco um de nossos amigos aqui. E outros desistem facilmente — agora ele carregava o pâncreas.
— Não vou desistir — disse firmemente e ele sorriu feliz como um pai orgulhoso.
Quando terminamos o trabalho eu segui para a recepção e encontrei uma senhora com urna cara desagradável andando para lá e para cá. Ela estava nervosa e com os olhos muito vermelhos.
— Posso ajudá-la? — perguntei com uma voz agradável. Acho... q- que sim. Meu s-s-s-sobrinho Joe...está aqui. Eu q-q-q-quero, sabe...me despedir — disse ela aos gaguejos. Meus olhos começaram a brilhar mais que deveriam por conhecê-la em uma circunstância como aquela.
— Claro, senhora...?
— Pode me chamar de Elly.
— Tudo bem, Elly. Pode caminhar comigo — a guiei para a sala onde estava o corpo de Joe. O Sr. T estava lá ao lado do corpo descansando sob um lençol branco que lhe cobria até a cabeça. Quando chegamos em frente à maca, Elly, apesar de não me conhecer, se grudou em meu braço esquerdo, tremendo. Troy olhava para nós duas com um olhar de tristeza.
— Você está pronta? Troy perguntou. Elly demorou a responder por causa das lágrimas que escorriam em seu rosto triste e apavorado.
— S-s-s-s-sim — ela finalmente disse aos gaguejos e apertou mais meu braço. Eu quase gemi de dor, mas foi Elly quem gemeu, quando viu o rosto sem vida do sobrinho. Ela largou meu braço e ficou bem pertinho do rosto de joe. Sua mão tremia quando a fez o movimento para passá-la no rosto pálido e sem vida do sobrinho. Elly desatou a chorar e murmurar:
— Tão novo... tão bonito
Quando me dei conta, as lágrimas escorriam em meu rosto e iam parar em meu queixo. Olhei para Troy e vi Joe ao lado dele observando a tia. Seu rosto era de dar pena, eu o abraçaria até o fim de meus dias, se ele estivesse vivo.
— Por favor, diga a ela que eu a amo — ele pediu sem tirar os olhos da tia. Eu limpei as lágrimas que ainda estavam em meu rosto e a garganta.
— Ele te amava muito sra Elly — eu disse quase sussurrando.
Qualquer som neste lugar soaria alto demais.
— Você o conhecia? — ela perguntou olhando-me nos olhos.
— Ele era... —parei de repente e olhei para Joe. Ele exibia um sorriso triste em minha direção — ...meu amigo. Ele me contou que a amava muito. — Elly enlaçou meu pescoço com seus braços e me abraçou apertado. O sorriso de Joe agora ia de orelha a orelha. Não sei por que ele estava tão feliz, se fosse eu no lugar dele, choraria sem parar como uma condenada.
Depois de muitas lágrimas Elly foi embora, mas deixou para trás convites e mais convites para eu visitá-la quando possível. Se eu era amiga de Joe, eu era, portanto, amiga dela. Eu não me importei com seu pedido, aliás, fiquei contente de ela pensar em mim como uma das amigas de Joe. Assim talvez Joe aparecesse quando eu estivesse por lá e eu poderia mais uma vez dar recados dele para ela.
A cavalaria chegou momentos depois de Elly ter ido embora, e quando eu digo cavalaria eu digo a polícia.
Eles procuravam provas do crime, alguma coisa de útil que levasse ao assassino. O sr. T não conseguiu dar muitas informações além de que ele fora estrangulado e havia pele sob suas unhas. Nada no corpo de Joe revelava algo mais, porém talvez apenas a “pele” pudesse ser o suficiente.
O DNA dessa pele poderia ser processado e talvez, se tivéssemos sorte, iria bater com alguém que já tivesse ficha, ou até mesmo com algum suspeito que já tivessem.
O sr.T não conseguiu ficar de boca calada e me envolveu na investigação. Ele contou que eu era amiga de Joe, e logicamente os policiais vieram me fazer algumas perguntas. Como se eu pudesse saber de alguma coisa; Joe me odiava, afinal de contas, até parece que ele me contaria algo da sua vida. Mas como eu tinha, sim, presenciado uma cena esquisita na última vez que eu o vira, achei melhor dar isso para polícia.
Poderia ser alguma pista.
— Eu vi Joe discutindo com um dos meus professores. O professor Bradley se não me engano, Sr. Policial.
E foi isso o que eu contei, o policial experiente com muíto gel no cabelo chamado Lewis disse que isso já era algo para seguir em frente.
Poderia ser verdade, mas eu duvidava que Bradley tivesse algo a ver com isso, ele poderia ser rígido e um pé no saco, mas a última coisa que ele parecia era um assassino de alunos.



XOXO Neia *-*
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Kiss